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Estou um pouco preocupada com os meus netos, aqueles que ainda não tenho. Sabem aquela teoria de que qualquer dia não temos dedo mindinho no pé, por já não nos ser útil? Bom. Desconfio que, da mesma forma, estas gerações, as que vieram depois da generalização do uso do telemóvel, já tenham os braços maiores. A sério. Já repararam em como tiram selfies sem se contorcerem? Aquilo é pura arte, a forma como conseguem segurar o telefone, esticar o polegar com elastano (ou será o indicador?) e carregar no botão certo (não aquele que faz sair da câmara)? Se antes o desafio era quantas pessoas conseguíamos enfiar num Mini (vá, não havia Netflix), diria que agora será quantos sorrisos cabem num ecrã de telemóvel. Tudo isto com elevada graça e elegância. Não é de menosprezar.

No outro dia, éramos quatro, eu a mais nova – o que diz muito em relação à média de idades – e andámos ali numa ginástica para cabermos todas, infrutífera, porque acabámos por pedir a alguém para tirar a sofrida chapa, que resultou em dois feridos (boca de lado) e dois mortos (olhos fechados). Não se riam. É assunto sério. A arte da coisa não é só conseguir encaixar todas as próteses dentárias do grupo – alinhadores invisíveis, na versão júnior -, é também conseguir resultados de nível profissional.

Colegas de geração, lembram-se de ir às lojas da especialidade tirar fotos tipo passe? Sentávamo-nos no banquinho regulável, num cenário frio e na presença de um senhor fotógrafo cheio de formalidades. Era impossível alguém ficar bem naquelas circunstâncias!

Tínhamos de rodar o tronco ligeiramente para a direita, o rosto ligeiramente para a esquerda e o queixo ligeiramente para cima – indicações hoje comparáveis às que recebo na minha mamografia anual.

As roupas também não ajudavam: além dos Porfírios, na baixa lisboeta, havia a loja de bairro que vendia blusas e papo-secos com o mesmo entusiasmo. E não vamos falar dos penteados. Queridas, antes não havia bobs, havia cabelo à tigela (se lhe tivessem chamado hair bowl, o sorriso nas fotos teria sido muito menos amarelo).  

Durante o verão fui com a minha filha renovar o Cartão de Cidadão. Como era tempo de férias, objetos de estudo jovens não faltavam e, como devem imaginar, tive tempo de sobra para fazer algumas observações empíricas. Tive oportunidade de confirmar o talento natural desta gente para ficar bem nas fotos, mesmo diante de um robot, mesmo perante o desafio extra de permanecerem de frente, a ostentar as orelhas e sem mostrar os dentes. Ok, às vezes não era à primeira. Sim, porque se antes era tipo mug shot, a fotografia tanto podia ser para entrar na escola como para dar entrada na prisão, hoje o digital – e a paciência das pessoas do Espaço Cidadão que testemunhei – permite que se façam vários ensaios e tentativas.

Outra das coisas que constatei é que muitos dos jovens ali presentes, a renovar o CC ou o passaporte, iam viajar. ‘Mas para quê?!’, pensei eu. A pergunta não é despropositada, basta fazer uma visita ao Instagram de qualquer um destes seres de braços gigantes. Os seus álbuns de viagens não são mais do que um conjunto de selfies – boas selfies, é certo – em vez de registos de monumentos e paisagens surpreendentes. Olha eu na Muralha da China, que tanto podia ser no Aqueduto das Águas Livres, não sabem onde estou mas digo-vos o que visto.

Bem, sinto que também precisava de falar sobre as fotos de elevador mas isso é todo um novo capítulo.

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