“Tem a certeza?” perguntou ao jornalista sueco que lhe telefonou a anunciar o prémio. Annie Ernaux é apenas a 17ª mulher a receber o Nobel da Literatura, entre 119 homens, e a primeira francesa depois de 15 homens (aliás a Franca é o país com mais premiados nesta categoria, dos quais o último foi Patrick Modiano, em 2014) mas reagiu com uma surpreendente serenidade à notícia. É sabido que o Nobel da Literatura tem, entre outros critérios, uma preocupação social. Além de premiar o conjunto da obra de um escritor, dá especial atenção à defesa dos direitos humanos. E o caso de Annie Ernaux é exemplar.

Nascida numa família de merceeiros, tornou-se professora e depois escritora e percebeu rapidamente que a sua vida, a sua família e a sua própria história lhe davam material mais do que suficiente para todos os livros que quisesse escrever.

Criou livros pequenos, duros e sofridos, explorando corajosamente abismos pessoais e temas como o amor, a família, o sexo. Não era comum, quando Annie começou a escrever, que uma mulher falasse tão desassombradamete de aborto clandestino, de ciúmes, de inveja, de ter sido abandonada, da morte dos pais. Graças a ela, as mulheres encontraram palavras e coragem para expressarem as suas mais duras experiências.

‘Os Anos’ é um bom princípio para quem quer começar a lê-la. Foi o livro que lhe deu fama porque nele esta ‘autobiografia’ expande-se para espelhar a própria história de França (houve quem lhe chamasse uma ‘autobiografia coletiva’). Abarcando os anos que vão desde 1941 a 2006, é uma espécie de relato visto de fora, ao mesmo tempo presente e distante. É a sua história mas é também a história da sua geração. Aqui encontramos os pais, a sua carreira de professora, os dois filhos, o divórcio, mas também a gueera da Argélia, Edith Piaf e Agnès Varda, o Maio de 68, a ameaça nuclear, o desemprego, a imigração, a tecnologia.

Mas para quem já conhece ‘Os Anos’ , existe ainda o menos falado ‘Uma paixão simples’, que apesar de ‘simples’ é um murro no estômago pela forma como Annie Ermaux explora as sensações.

A história não é original: uma mulher divorciada e já com filhos adultos apaixona-se por um estrangeiro mais jovem. Espera por ele dia após dia, durante dois anos. O que é original é a forma como a autora nos leva para dentro desta paixão, nos expõe à profundidade do sofrimento, da espera, da angústia, e também do erotismo e da solidão. Um pequeno-grande livro que nasceu para marcar quem se aproximar dele.

‘Uma paixão simples’ – Annie Ernaux, Ed. Livros do Brasil, E8,80

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