As Belinhas são uma marca de acessórios nascida em 2015 pelas mãos de uma mãe, Isabel, e de uma filha, Joana. De modo a tentar colmatar algumas lacunas existentes no mercado português, as fundadoras, que sempre foram adeptas de construir os próprios acessórios, trazem-nos uma simbiose entre a tradição do nosso país e a contemporaneidade, através de malas, cestas e clutches personalizadas à mão e utilizando matérias-primas 100% portuguesas, como a folha de palma, vime ou folha de centeio.

De modo a impulsionar o artesanato e a economia portuguesa, a marca trabalha diretamente com artesãos do nosso país. Desde a pandemia, As Belinhas começaram também a apostar numa linha com peças para a casa, de modo a dar mais alento e trazer um toque diferenciador ao nosso espaço.

A ACTIVA esteve à conversa com as fundadoras, a mãe Isabel e a filha Joana, que nos explicaram como surgiu este projeto e o processo para criar estes acessórios muito trendy.

De onde surgiu a ideia de criar esta marca?

Sempre fomos adeptas de construir os nossos próprios acessórios e, quando questionadas porque é que não colocávamos à venda nas redes sociais as nossas cestas (personalizadas por nós), para ver qual era o feedback, decidimos experimentar e, nesse mesmo dia, criámos uma página de Facebook e colocámos fotografias das duas únicas cestas que tínhamos. A surpresa não podia ter sido melhor: em 24 horas tínhamos mil seguidores, vendido as nossas cestas e tínhamos muitas encomendas! Foi aí que detetámos uma lacuna neste nicho de mercado e analisámos o potencial de entrarmos no mercado do artesanato português! Efetivamente, há seis anos existiam uma ou duas marcas de artigos em folha de palma transformados artesanalmente, contudo, não iguais aos nossos. Cestas, alcofas, chapéus há imensos à venda por esse mundo fora, pintados, com franjas, com missangas… Tudo se encontra hoje em dia, mas as nossas peças são diferentes. Qualquer matéria-prima utilizada por nós é totalmente portuguesa, potenciando assim, o artesanato, indústria e a economia nacional.

Além disso, os nossos artigos são totalmente personalizados com renda portuguesa (100% algodão) ou em crochet (confecionado por nós manualmente) e, por fim, as nossas alcofas são forradas no interior e desenhadas à mão, tornando cada uma diferente da outra.

Quais são os best-sellers da marca?

Esta é uma questão difícil… Ao longo destes seis anos fomos diversificando bastante nos modelos, mantendo sempre a nossa génese, a nossa tradição. Contudo, há modelos que, por serem tão queridos para nós como para as nossas clientes, já nos acompanham desde o início pois, foram os aqueles que marcaram o nascimento d’As Belinhas e que continuam a ser dos mais pedidos até hoje! Como por exemplo, o modelo Belém e o Comporta.

Num mercado atualmente tão dinâmico, o que distingue esta marca das restantes?

A nossa marca distingue-se essencialmente pela sua qualidade, perfecionismo e diferenciação. Desde o processo criativo, confeção, à chegada de uma mensagem numa rede social/encomenda na loja online, acompanhamos, praticamente 24 horas por dia, os nossos clientes, desde o processo de escolha até à decisão final, o que faz com que seja uma marca conhecida nacional e internacionalmente e, acima de tudo, acarinhada. Além disso, tentamos sempre acompanhar as tendências da moda, nunca esquecendo as nossas tradições e costumes, por isso esforçamo-nos sempre aliar o tradicional ao contemporâneo, fazendo que os nossos artigos possam ser utilizados anos a fio e em qualquer ocasião. Desde uma ida à praia como a um cocktail ou até mesmo a um casamento. Esta versatilidade aliada à qualidade faz com que, as clientes que comprem uma vez voltem a comprar sempre mais porque, quando o artigo é recebido pelas clientes, é uma sensação única, uma explosão de alegria, e essa alegria transparece para nós e faz com que queiramos alcançar cada vez mais todos os dias.

Há uma certa história nesta marca e nos produtos. Fale-nos um bocadinho do processo de criar estes produtos.

Somos duas pessoas que se complementam a 99%! A mãe Isabel trabalha a tempo inteiro n’As Belinhas e é responsável pela parte criativa e de personalização. É a verdadeira alma d’As Belinhas. A filha Joana, além de ser Account Manager numa empresa de Tecnologias de Informação, gere todas as redes sociais e também as encomendas. Ou seja, conseguimos colmatar praticamente toda a cadeia de valor. Por isso, conseguimos complementar todas as vertentes no processo criação-confeção-venda. Ou seja, a mãe Isabel e a filha Joana procuram inspiração, tentam colocar em prática novos modelos, com várias tentativas falhadas, até chegar ao modelo final. Posteriormente, a filha Joana fotografa o artigo com o maior cuidado possível – o nosso negócio é totalmente online, pelo que o cliente compra através da fotografia-, e posteriormente dá-se a atribuição do nome ao artigo. Todos os nossos artigos têm nomes de terras, cidades, praias, bairros portugueses. Decidimos não tentar sair do nosso país (que tão belo é!). Também já chegamos a atribuir nomes de terras ou praias aos nossos modelos consoante a primeira cliente que nos comprou aquele modelo. Portanto, os nomes dos nossos modelos têm quase todos um significado. A partir daqui, colocamos os artigos online e é aguardar o feedback e as encomendas dos clientes.

A produção nacional é uma premissa que implementaram na vossa marca. Onde é feita e como escolhem os materiais?

A base de todos os nossos artigos, ou seja, a apanha da palma, a sua secagem, o trabalho até chegar à confeção da cesta em si, a colocação das asas, é tudo produzido artesanalmente por artesãos portugueses, que são cada vez mais difíceis de encontrar e cada vez mais idosos, de Norte a Sul de Portugal, dependendo do tipo de matéria-prima que estamos a trabalhar. A personalização dos artigos, que vai desde confecionar o crochet, coser a renda portuguesa no artigo, costurar um forro e desenhar o mesmo à mão é totalmente feito por nós, no Concelho de Vila Franca de Xira. Os materiais vão desde a folha de palma, onde As Belinhas se iniciaram, até ao vime, à verga ou à folha de centeio. Apesar de não ser fácil, até hoje temos conseguido manter a nossa principal premissa: Manter tudo 100% nacional, procurando sempre as melhores fábricas de linha de algodão, de renda 100% algodão feita em Portugal, para podermos garantir a qualidade e a durabilidade dos artigos às nossas clientes.

Encontraram um obstáculo em criar e produzir inteiramente em Portugal?

A parte da criação não sentimos qualquer dificuldade pois, a mãe Isabel é uma mente criativa brilhante desde ao desenho em papel à colocação da ideia em prática. Como a personalização dos artigos é totalmente feita por nós, pelo que não sentimos grande dificuldade nesta etapa. Contudo, quando falamos em produção/confeção artesanal dos artigos, das cestas, das clutches, por vezes é difícil conseguir responder atempadamente às necessidades dos clientes. Ou seja, 90% dos artesãos são pessoas com mais idade, pois, os mais jovens não querem aprender a técnica da empreita, uma vez que é um trabalho difícil e exigente e muitas vezes, sem compensação monetária. O que tentamos fazer de alguma forma, passa por procurar sempre quem queira aprender esta técnica e tentar oferecer condições mais vantajosas a estes artesãos.

Contudo, temos que deixar uma palavra de agradecimento a todos os artesãos que trabalham connosco, alguns acima da fasquia dos 70 anos, e que fazem com que as nossas tradições se possam manter vivas.

Qual é a inspiração por detrás dos modelos?

Toda a componente criativa deve-se à mãe Isabel. Desde sempre que a mesma busca criatividade nas mais pequenas coisas da vida, na Natureza, em simples sentimentos ou em conversas do dia-a-dia.

É possível personalizar os artigos. Explique-nos como é que isso funciona.

Sim, é possível personalizar os artigos, contudo, ao longo dos últimos anos, e dado o número crescente de encomendas, tivemos que reajustar e limitar as personalizações pois tornar-se-ia um negócio insustentável. Contudo, nenhum dos nossos artigos é igual ao outro, os nossos artigos são artigos artesanais (a própria marca já é certificada como artesanato português). Além disso, as nossas cestas em folha de palma forradas no interior são desenhadas à mão pelo que cada cesta acaba por ter uma personalização diferente. Também temos modelos em que a cliente pode solicitar um monograma, bordado em ponto grilhão, com a inicial do seu nome, por exemplo. Também poderá escolher, na maioria dos artigos, vários tipos de alças à tiracolo mais curtas mais compridas, em cores diferentes, umas mais étnicas, outras mais elegantes… podendo depois adaptar as mesmas a qualquer uma das suas Belinhas. Tentamos marcar a diferença de cliente para cliente e mostrar o que de melhor fazem As Belinhas. 

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