Viviane Rocha (Fotos: Matheus Koelho Fotografia)

Certamente já ouviu falar no sushi da Confraria ou, mais recentemente, do animado Bossa. Em breve, serão ao todo nove restaurantes com a mão da empresária brasileira Viviane Rocha. Chegou a entrar no curso de Medicina, pensou em Direito, mas um desgosto amoroso trouxe-a para Portugal, onde encontrou várias outras paixões, entre elas a restauração… e o padel, que a levou a criar, juntamente com outras duas amigas, a sua própria marca de roupa desportiva, a Piiiton.

Porque decidiu vir para Portugal?

Na altura, tinha passado para o vestibular de Direito e pensava começar uma nova faculdade, mas sem grande convicção. Mas tive uma desilusão amorosa e resolvi mudar de ares.

E por cá ficou… até hoje…

Cheguei a Cascais e em Cascais fiquei.

Porquê a restauração? E o sushi?

Quando cheguei, e depois de uns mesinhos a pensar no que queria fazer da vida, resolvi trabalhar em qualquer lado para ganhar algum dinheiro. Fui trabalhar num restaurante e gostei. Quanto ao sushi, já trabalhava na área de restauração e nessa altura havia muito poucos restaurantes de sushi por cá, o que me fazia imensa falta, foi uma oportunidade de negócio visto que havia uma lacuna nessa área.

Quantos restaurantes tem e quantos vai abrir a curto prazo?

Neste momento, tenho 3 Confrarias, Nikkei, Vela Latina, Charcutaria e Bossa. No mês de fevereiro abrimos o Forest e em breve vamos abrir a Casa do Largo. Serão 9 no total.

Qual o projeto que mais gozo lhe deu até hoje?

Foi a Confraria de Cascais, obviamente, porque foi a primeira. Os sonhos, as expectativas, tudo tinha mais significado. Tinha eu 31 anos. Agora, o projeto que mais gosto nesse momento é a Casa do Largo, porque acredito que vai ser o restaurante mais bonito de Cascais! Claro que gosto, não se discute. Mas adoro o projeto, adoro a casa, adoro o jardim, enfim… estou a trabalhar com uma equipe que gosto muito, está a ser prazeroso, apesar de estar atrasado devido a vários percalços que surgiram durante as obras.

Restaurante Bossa, na marina de Cascais

O Bossa, na Marina de Cascais, é o seu primeiro restaurante a solo, vai ter mais? Como é que o espaço reflete a sua vida e a sua personalidade?

O Bossa foi o primeiro, sim. E sim, acho que vai haver mais. O Bossa foi também uma oportunidade de negócio que agarrei. Não havia um projeto preconcebido e acabei por ir buscar as minhas memórias afetivas, assim que ele começou a tomar forma. Talvez pela envolvência, pela decoração, e até pela Marina em si.

De todas as tarefas relacionadas com os negócios, de qual gosta mais e menos?

O que eu mais gosto no meu trabalho é a criação. Criar o projeto, o conceito, a imagem… montar o restaurante, formar a equipe, as escolhas… isso tudo faz-me feliz. A operação depois já é mais chata. Já trabalhei muito nessa área, já são muitos anos disso, e muitas vezes as pessoas não têm o brio no trabalho que deveriam ter. Às vezes torna-se cansativo.

A pessoa mais inspiradora da sua vida e o melhor conselho que já lhe deu?

A pessoa que mais me ensinou na vida foi o meu pai! Aprendi com os acertos e com os erros. Acho que aí fui inteligente, admirei-o sempre muito. Segui os ensinamentos, mas soube analisar o que ele não fazia tão bem. Também o aconselhava nisso, mas obviamente ele mandava mais do que ouvia. Entretanto, consegui ter consciência de melhorar naquilo em que ele falhou, ou pelo menos tentei. Não sou nem um décimo do que ele foi, mas à minha maneira tentei ser uma continuação…

O melhor conselho que o meu pai me deu foi fazer bem feito! Ele me ensinava com exemplos. Disse-me uma vez que se um dia eu tivesse um restaurante o meu sócio devia ser o cozinheiro… e ele não tinha restaurantes. Quando eu tinha 14 anos me deu o livro ‘Como fazer amigos e influenciar pessoas’, as minhas amigas liam romances e eu lia isso. Também me disse uma vez que não importava o que uma pessoa faz, se fizer bem feito ganha dinheiro… foi assim que eu cresci, era difícil não me mexer.

Viviane tem também a sua própria marca de roupa desportiva, a Piiiton

Como concilia a vida pessoal, profissional e familiar?

Nesse momento estou separada e tenho a guarda partilhada de três filhos, a mais velha já vive em Londres. Na semana que os tenho, dedico-me mais a eles, a fazer o jantar todos os dias, a ficar em casa todas as noites para podermos falar e estar juntos… Na semana em que estou sozinha, trabalho sem parar. Mas tenho uma rotina diária corrida, os meus dias são sempre curtos.

O legado que gostaria de deixar aos seus filhos…

O mesmo que o meu pai me deixou, faz por ti. E seja o que for que fizer, faça bem feito. Eu lhes digo que o mais importante na vida é sermos felizes, mas a felicidade dá muito trabalho. Eles têm uma vida privilegiada porque não consegui dosear os mimos. E são todos diferentes uns dos outros. Mesmo criados da mesma forma e com as mesmas oportunidades, tenho uns mais trabalhadores, outros mais agradecidos, outros mais preguiçosos… vamos ver. Tento respeitar cada um como é, mas trabalhar duro ensino a todos.

As maiores lições de empreendedorismo que aprendeu, como mulher, ao longo de todos estes anos…

Como mulher, o que eu aprendi é que para nós, mulheres, dá mais trabalho, não há dúvidas! Mas também que inteligência não tem sexo. Se você mostrar o que é, as pessoas vão te respeitar. E o facto de dar mais trabalho também dá mais gozo.

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