
A palavra demissão pode, muitas vezes, estar associada a uma desistência, o que, para muitos, é sinal de fraqueza. Contudo, sabermos reconhecer a necessidade de parar para conseguirmos, depois, avançar com força é sinónimo de um conhecimento pessoal e de muita coragem. E foi isso mesmo que Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, mostrou ao mundo ao anunciar a sua demissão.
“Sou um ser humano. Damos tanto quanto podemos durante tanto tempo quanto somos capazes, e chegou a altura. Para mim, chegou a hora. Saio porque com este trabalho privilegiado vem uma enorme responsabilidade. E essa responsabilidade é saber quando se é a melhor pessoa para liderar – e quando não se é”, reconheceu Jacinda, acrescentando: “Dei tudo de mim para ser primeira-ministra, mas isso também exigiu muito de mim. Não posso e não devo fazer o trabalho a menos que tenha um tanque cheio e um pouco de reservas para os desafios não planeados e inesperados que inevitavelmente surgem. Tendo refletido no verão, sei que não tenho mais aquele extra no tanque para fazer justiça ao trabalho. É simples”.
Apesar de ter plena consciência que esta é a melhor decisão que pode tomar para honrar o seu país, a primeira-ministra, que deixa oficialmente o cargo em fevereiro, não conteve a emoção durante o anúncio que apanhou todos de surpresa. Isto porque, desde 2017 que Ardern se tornou num ícone mundial do centro-esquerda, pelas suas políticas e ideais. Foi durante este período que se tornou mãe, tendo levado a sua filha bebé para a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, meses depois desta ter nascido, marcando uma posição também neste tema.