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Por mais que se fale de protectores, malefícios dos UV e cancros de pele, continuamos a torrar ao sol como se não houvesse amanhã. Porquê? Não é por falta de informação nem por ser complicado protegermo-nos. Qual é a dificuldade de pôr creme no corpo, cumprir um horário e vestir uma T-shirt? E porque é que tanta gente continua a ignorar os apelos médicos? Perguntámos a amigas e anónimas e investigámos algumas das desculpas mais básicas para ficar mais ‘torrada’ do que seria ideal.

“GOSTO TANTO DE ME VER BRONZEADA”

“O sol é o principal responsável pelas nossas rugas”, afirma Clarisse Rebelo, directora do Serviço de Dermatologia do Hospital de Faro e membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Dermatologia. “Basta olhar para as áreas da nossa pele que estão expostas ao sol e para as que estão mais protegidas e notar a diferença na qualidade da pele,” afirma.

Gostar de se ver bronzeada é legítimo: o bronze torna as imperfeições invisíveis e dá-nos um ar mais saudável. Problema: perdemos muito facilmente ‘o pé’ ao sol, e uma vez que começamos a bronzear é muito difícil parar. Tecnicamente, o ‘bronze’ é um sinal de que o corpo foi agredido. Bronzeamos porque o nosso sistema imunitário ‘abre’ sobre as células uma espécie de minúsculos guarda-sóis para as proteger. Por isso a pele escurece. Num bronze ligeiro, não há problema.

Lembre-se de que o sol cobra juros altos. Hoje pode ficar-lhe lindamente porque a pele jovem tem capacidade para se regenerar, mas com o passar dos anos irá ver-se com uma pele cada vez mais seca, enrugada e manchada. Faça a experiência: abra qualquer revista do ‘social’ e não lhe faltarão exemplos disto. “Muita gente não toma cuidados porque os malefícios só surgem muitos anos depois,” lembra a especialista. “Se as rugas e os cancros fossem imediatos, tudo seria direferente.”

“QUERO BRONZEAR-ME RAPIDAMENTE”

Os médicos alertam para esta espécie de ‘bulimia do sol’ que ataca nas nossas férias cada vez mais curtas. Na nossa época, em que tudo é feito à pressa, também queremos ficar queimadas em sete dias, e então lá passamos o dia todo de cara para o ar. Ora, segundo a Skin Cancer Foundation, as pessoas que têm este tipo de comportamento são as mais expostas ao melanoma: basta apanhar cinco escaldões para se ter o dobro de possibilidades de se vir a desenvolver cancro da pele. Solução: vá devagar e não esqueça a protecção.

“USEI FP30 E MESMO ASSIM QUEIMEI-ME!”

Das seis uma: ou precisa de um protector de nível superior, ou precisa de passar menos tempo ao sol, ou aplicou um protector fora de prazo, ou não aplicou protector em quantidade suficiente, ou pôs uma vez e esqueceu-se de o voltar a aplicar porque o que queria mesmo, mesmo, era um grande bronze, ou aplicou óleo, que é um bom hidratante mas não tem um grama de protecção…

FP significa ‘factor de protecção’ e o número indica a quantidade de vezes que multiplica a sua capacidade natural de aguentar o sol. Por exemplo, se sem protecção aguentar 10 minutos sem torrar, um FP30, teoricamente, dá-lhe 300 minutos de protecção. Mas claro que isto é só uma indicação teórica, porque o suor, o ar, a água e a toalha contribuem para diminuir essa protecção. Resultado: mesmo que tenha protector 30, tem mesmo de o aplicar pelo menos de duas em duas horas, e em quantidade suficiente, coisa que a esmagadora maioria das pessoas não faz: um frasco de protector deve dar-lhe para apenas seis aplicações. Além disso, um protector é uma ajuda mas não é uma armadura.

“A melhor protecção continua a ser a roupa”, lembra Clarisse Rebelo. O que não se sabe geralmente é que a que oferece maior protecção é a mais escura e de malha mais apertada. “Basta lembrar o traje regional do Algarve e do Alentejo, onde as mulheres usavam lenço e chapéu de palha e andavam vestidas de preto.”

A roupa molhada ou muito esticada protege menos, porque as malhas do tecido alargam e deixam entrar mais raios. Quanto ao chapéu, escolha um de abas largas, de algodão ou poliéster, e esqueça o boné. Já viu alguma ceifeira de boné?

“ATÉ FIQUEI À SOMBRA…”

Até pode ter ficado, mas na praia mesmo uma sombra pode queimar, porque há muitas superfícies que reflectem o sol: toalhas brancas, a areia, a água. Aliás, se pensa que ir a correr para a água irá protegê-la, está enganada. A água refresca mas, quanto aos raios UVB, não só não protege como até faz pior: actua como uma lupa e aumenta os efeitos nocivos desses raios.

“MAS EU ATÉ JÁ SOU MORENA”

Parabéns, mas continua a precisar de medidas de protecção. Uma pele mais escura está naturalmente mais defendida, mas há sinais que nos enganam: por exemplo, medimos a quantidade de raios UV pelo calor que sentimos. Mas o que nos dá a sensação de luz e calor são os infravermelhos. Os UVB, os raios mais perigosos, chegam à nossa pele até num dia de nevoeiro, quando a única coisa que não passa são os infravermelhos. Pensamos que estamos protegidas e não estamos: o que explica a quantidade de infelizes estrangeiros transformados em ‘lagostas’ depois de um belo dia de nevoeiro…

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