
Nestes dias em que a temperatura começa a aumentar, semeamos a dúvida (nos que ainda não completaram ou sequer experimentaram o método): será que é possível acabar com o pelo para sempre?
LASER OU LUZ PULSADA
As duas formas mais comuns (e estudadas) de conseguir uma depilação definitiva é com recurso a laser ou luz pulsada. “Sendo que as diferenças entre elas estão maioritariamente nos detalhes técnicos da concepção e emissão da luz”, diz-nos Diogo Brandão, diretor académico da Academia Portuguesa de Estética.
Estas fontes de luz atravessam a nossa pele e, com o calor que produzem, atingem o pelo, gerando danos nas estruturas responsáveis pelo seu surgimento e crescimento. Quanto mais grosso e escuro for o pelo, mais melanina ele terá e mais fácil será destruí-lo. Também o tom da pele está relacionado – quanto mais claro for, mais fácil será de distinguir o pelo.
A depilação a laser funciona com o disparo de um feixe de laser direcionado, capaz de identificar a melanina do pelo, responsável pela sua cor. “Por funcionar de forma mais seletiva, os níveis de energia elevados irão focalizar-se no folículo piloso, em vez de na pele circundante. Desta forma, o tratamento a laser profissional terá resultados mais rápidos”, garante Ricardo Areal, médico especializado em medicina estética e capilar na Clínica Ageless.
A depilação a laser é, no entanto, desaconselhada na gravidez e aleitamento, “por não existirem estudos nessa população”, diz Ricardo Areal. Tendo determinadas doenças cutâneas, este tipo de procedimento também não é aconselhado, “pois podem agravar a patologia subjacente”.
No tratamento de luz pulsada, também conhecido como fotodepilação, há uma distribuição da energia emitida nos tecidos da região, sendo absorvida principalmente pelo folículo piloso, o que causa o seu enfraquecimento e destruição.
O MÉTODO IDEAL
“A ideia de que laser é mais eficaz do que luz pulsada é errada”, garante Diogo Brandão, que participa no desenvolvimento e estudo de equipamentos de depilação definitiva desde 2007: “Existem muitos fatores que estão em jogo para além da tecnologia.” A eficácia do tratamento – seja laser ou fotodepilação – depende também do tom da pele, da quantidade e profundidade do pelo, da sua cor e grossura, da sensibilidade da pele e de possíveis alterações hormonais. “Cada tecnologia tem pontos fortes e fracos” e deve ser feita uma análise personalizada, por parte do profissional, que deve adaptar o tratamento a todas estas questões. E é desta análise que dependem os resultados, uma vez que “não adiantava ter a tecnologia como ‘a melhor’ ou ‘a mais eficaz’ quando, mesmo com grande eficácia na eliminação do pelo, pode gerar queimaduras na pele do paciente”. Porque, ainda que o laser seja mais forte e, por isso, entregue resultados mais rápidos… também é mais arriscado, no potencial que existe para queimar a pele.
Qualquer zona do corpo pode ser depilada através destes métodos. Estima-se que em cada sessão sejam atingidos 20% a 30% dos pelos da zona a depilar: todos os que se encontram na fase de crescimento.
Deve evitar exposição solar ou bronzeadores na área a ser tratada, pelo menos algumas semanas antes do tratamento. A pele bronzeada pode aumentar o risco de efeitos colaterais, como queimaduras e hiperpigmentação. Não use métodos de depilação que removam o pelo pela raiz. Lembre-se que o laser ou a luz pulsada atuam nos folículos pilosos, é necessário que o pelo esteja lá para que o tratamento seja eficaz. Depois da sessão, use sempre protetor solar e mantenha a pele bem hidratada.
SEM PELOS PARA SEMPRE?
Vamos, então, à pergunta de milhões: a depilação pode mesmo ser definitiva? “Se me perguntar se é possível alterar de forma irreversível as estruturas responsáveis pelo crescimento do pelo, fazendo com que aquele folículo piloso não volte a construir pelo? Sim, é”, garante Diogo Brandão. Mas será isso suficiente para uma determinada zona nunca mais ter pelo? E de quantas sessões precisamos? Depende. “Temos de ter em atenção as diferentes fases de crescimento do pelo”, explica Areal. “Os pelos encontram-se em diferentes fases num determinado momento. A fase telógena em que a ‘raiz’ do pelo está ‘adormecida’ pode durar entre 2 a 4 meses e varia com múltiplos fatores.” Para um resultado definitivo, temos de garantir que conseguimos causar dano em todos os folículos capilares, sendo que esse dano só é efetivo quando há pelo no folículo a queimar. “O mais comum é que mesmo cumprindo adequadamente os tratamentos, existam sessões de manutenção para aqueles pelos com crescimento tardio.”