Catarina Larcher
Camilo de Oliveira, o ator que fez rir os portugeses durante quase 7 décadas com o seu trabalho em televisão e teatro, morreu ontem, em Lisboa, pelas 20.10h, informou à Lusa fonte familiar.
A mesma fonte adiantou ainda que está prevista uma cerimónia religiosa na Basílica da Estrela (Lisboa), na próxima terça-feira.
Ficam na história da televisão as suas participações em programas como ‘Sabadabadú’, no início dos anos 80 – onde contracenou com Ivone Silva num dos seus quadros mais populares, ‘Agostinho e Agostinha’ – e, mais tarde, séries humorísticas que levavam o seu nome como personagem principal, exibidas na RTP e SIC, como ‘Camilo & Filho’, ‘Camilo, o Pendura’, ‘A Loja do Camilo’, ‘Camilo na Prisão’ ou ‘As Aventuras do Camilo’.
Natural de Buarcos, concelho da Figueira da Foz, nasceu a 23 de julho de 1924 nos camarins de um teatro, durante uma digressão em que atuavam os seus pais, gente do espetáculo. Pisou pela primeira vez um palco aos 5 anos, num pequeno papel, mas a estreia profissional em teatro aconteceria aos 15.
Ao longo de quase 70 anos de carreira contracenou com nomes grandes de várias gerações da representação, de Francisco Ribeiro (Ribeirinho), Costinha, Beatriz Costa, Vasco Santana e Raul Solnado, a Nuno Melo e António Feio. Do currículo constam 47 revistas à portuguesa e 24 outras comédias, para além dos múltiplos programas de televisão, onde era presença assídua desde o final da década de 50 – e onde já não o víamos desde 2011.
Camilo fundou companhias de teatro, encenou e dirigiu revistas, escreveu argumentos. Em 1964 ganhou o Prémio Imprensa para melhor actor do ano.
Foi casado com a atriz Io Appoloni e com Maria Luísa Bettencourt e deixa dois filhos, um de cada matrimónio. Estava casado desde 2002 com a atriz Paula Marcelo.
Aos 90 anos anunciou a sua retirada definitiva dos palcos. Deixa-nos uma autobiografia, ‘As regras da minha vida’, editada pela Esfera dos Livros.