
Assisto à distância a todas as notícias sobre o Coronavírus em Portugal. Como todos os outros portugueses a trabalhar no estrangeiro, contabilizando os números de infetados, e rezando para que tudo corra bem com as nossas famílias e amigos, secretamente temendo por pais e avós, e proferindo recomendações exaustivas de “não andes na rua”, “fica em casa”…
Em Angola, não existe até esta data nenhuma caso registado, dando nos a falsa sensação que perante a pandemia mundial, estamos aqui bem, e que tudo se passa “lá longe”… numa falsa perspetiva de que “isto só acontece aos outros”.
Durante todos estes anos em Angola, vive várias situações em que houve restrições em termos de liberdade pessoal, e foram várias as vezes a que fomos aconselhados a ficar em casa. Ao longo dos anos acostumamo-nos a ter alguns cuidados adicionais, a diferentes níveis, tais como a não andar na rua “tão à vontade” como na Europa, devido à criminalidade, e a viver também com precauções adicionais relativamente ao contágio de doenças como a malária ou a tifoide.
Tudo isto pode parecer impensável na cabeça de algumas pessoas, mas acreditem que quando se trata de casos de força maior, segurança e para nosso próprio bem, acabamos por interiorizar um certo estilo de vida. Não estou aqui para discutir a sua capacidade de adaptação (ou não) a este modo de vida… isso serão outras águas. Mas uma coisa é certa: neste momento, todos os países do Mundo, têm de se adaptar a viver de uma forma muito mais restrita a nível de liberdade individual, porque para sobrevivermos e ultrapassarmos esta pandemia, impera o bem estar coletivo, o TODO que têm de esmagar o egoísmo de cada um de nós, porque valores maiores assim se impõem.
A maior parte de nós teve a sorte de nunca passar por uma situação grave na vida (e AINDA BEM!!!) tais como doenças terminais, cancro, doenças crónicas que o limitasse no seu estilo de vida para sempre, ou cenários de privação da liberdade pessoal, como são os contextos de guerra, fome ou escassez de bens essenciais, como água, medicamentos, ou outros.
Isto pode lhe até parecer um bonito chavão e mais um daqueles bla bla blas, mas posso dizer que no meu caso, já tive de ficar em casa por insegurança e instabilidade política, e que, infelizmente, já visitei clínicas e hospitais em África, como Directora de Recursos Humanos, para dar suporte a colegas infectados com malária em estado de coma, ouvindo diagnóstico muito pouco promissores de médicos especializados. Vejo todos os dias crianças a pedir na rua, como a maioria dos europeus teve a sorte de nunca ver, que muitas vezes simplesmente pedem ajuda para comprar água engarrafada (uma vez que a água canalizada não é passível de consumo…)!
O que fazer nestes momentos críticos?
Se está a passar uma situação difícil, porque está infectado, é um caso suspeito, está em quarentena forçada ou voluntária, ou tem alguém próximo em situação de saúde grave derivado ao Corona Vírus, deixo um pequeno exercício de coaching para ajudá-lo a ganhar forças:
- Pense no momento da sua vida que exigiu de si maior coragem (um momento marcante da sua vida. Vou lhe contar uma pequena história: há 6 anos, para poder mudar de vida, progredir pessoal e profissionalmente, meti-me num avião rumo ao desconhecido, numa geografia com vários desafios, deixando tudo para trás, sem saber o que me esperava… consegui vencer, realizar os meus sonhos de carreira, auferir rendimentos que me permitissem concretizar outro sonho pessoal: viajar pelo Mundo! Contudo, se pudessem ver a minha cara na hora do embarque no avião, só teriam visto medo e dúvidas);
- Reviva esse momento (as vezes que forem necessárias);
- Analise todas as acções que teve e que necessitou tomar;
- Dê uma simbologia a esse momento (pode associar lhe um objecto, um lugar, uma pessoa, qualquer coisa);
- Pense nos recursos que teve de utilizar;
- Perceba as vantagens e ganhos que obteve com a sua atitude de coragem;
- Vá até ao final dessa história, e perceba como tudo foi diferente, perceba a sua força interior, todos os recursos que usou para vencer, para conseguir alcançar o que precisava.
A partir de agora, esta será a sua ÂNCORA para os momentos de desânimo e dificuldade que possa estar a viver derivados desta pandemia, relembrando-se de que é CAPAZ, de que vai conseguir ultrapassar, e de que têm dentro de si tudo para que tal aconteça (mesmo que neste momento, isso lhe pareça difícil). Pense na sua âncora todas as vezes que sentir que o chão lhe está a fugir, para que possa reorganizar-se e relembrar se do que deve fazer.
Lutamos contra um inimigo de saúde pública, para a qual o primeiro passo para que tudo dê certo é seguir as indicações das organizações de saúde, de modo, a proteger-se. Não facilitemos, não brinquemos com a saúde, sejamos responsáveis. Como sempre na Vida, precisamos readaptar-nos e reinventarmo-nos, e pensar que “isto não acontece só aos outros”, mas com certeza juntos, e conscientes das medidas e restrições a que temos de nos sujeitar, iremos ultrapassar esta tempestade, auxiliados pelas nossas âncoras.
Lúcia Palma
Coach
Lucia.palma.coach@gmail.com
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