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Os pediatras sabem que não há quem conheça melhor as crianças do que os pais. São, geralmente, os primeiros a prestar-lhes cuidados de saúde e costumam ser bons nisso, mesmo sem curso de medicina. Mas quando se é pai de primeira viagem nem sempre é fácil relativizar uma febre mais alta ou outros sintomas fora do normal. “Há situações que inspiram gravidade, outras não. À medida que eles vão crescendo, os pais também se vão apercebendo disso. Por isso, nas consultas de pediatria é muito importante explicar os sinais de alarme que os devem preocupar [ver caixa]”, explica Rita Machado, pediatra no Hospital da Estefânia, em Lisboa. 

LEVÁ-LO A CORRER ÀS URGÊNCIAS
“Há pediatras que dizem que as doenças demoram a crescer, como os meninos”, lembra Rita Machado. “No primeiro dia de sintomas, se só têm febre, sem outros sinais ou sintomas, não conseguimos perceber o que têm. Depois, ou há critérios que nos preocupam e que nos levam a fazer alguma investigação, ou recomendamos vigilância evolutiva de sinais de alarme e tratamento sintomático, até porque em cerca de 90% são doenças causadas por vírus que causam febre – não há nada a fazer sem ser o tratamento dos sintomas e manter essa vigilância. Os pais odeiam o termo ‘virose’, mas na verdade não dá para especificar o vírus, a não ser que tenham sinais específicos – nem temos indicações para isso, fazendo apenas investigação da etiologia em situações específicas de maior gravidade ou em que a criança tem de ficar internada. Na esmagadora maioria dos casos, nem tem interesse nenhum determiná-lo, uma vez que não há um tratamento diferente”, explica a pediatra. “Se estiverem mais ou menos bem-dispostas e hidratadas, as crianças podem estar até cinco dias sem ser vistas pelo médico, se a febre for ficando mais baixa e espaçada.” Além disso, uma ida em vão até às urgências também pode implicar que se contagiem com uma doença que ainda não têm.
A boa notícia é que mais de dois terços das situações relacionadas com doenças infantis não necessitam de cuidados de um profissional de saúde, diz Mário Cordeiro no ‘Livro da Criança’ (Esfera dos Livros). As crianças, sobretudo entre um e quatro anos, adoecem mais frequentemente por ficarem expostas a vírus e bactérias contra os quais os seus sistemas imunitários ainda não têm defesas. “Durante o primeiro inverno na creche, os pais podem contar com sintomas respiratórios, como ranho durante toda a estação e, provavelmente, com tosse. Devem estar atentos a sintomas como dificuldade respiratória, gemido, palidez, cansaço e prostração.” Nestes casos, em que o quadro se agrava, justifica-se que a criança seja vista de imediato por um médico.

DAR ANTIBIÓTICOS POR TUDO E POR NADA
“Muitos pais acham que o antibiótico é solução para tudo”, lembra Rita Machado. Mas esta classe de medicamentos só funciona contra bactérias, não contra vírus. E podem nem ser recomendadas no caso de algumas doenças bacterianas, que passam sem deixarem grandes sequelas.
Mas ainda há quem ainda dê restos de antibióticos aos filhos, ou tente comprá-
-los sem receita. As consequências deste comportamento podem ser sérias. “Até pode ser necessário dar um antibiótico, mas pode nem ser aquele. Podem criar–se resistências a ele e a situação evoluir mais desfavoravelmente do que se fosse corretamente tratada de início.” 
Por vezes, os antibióticos são receitados nas urgências pediátricas mais para jogar pelo seguro do que por real necessidade, já que os médicos nem sempre conseguem reavaliar as crianças ao fim de uns dias. Cabe aos pais questionar se são mesmo necessários e levar, depois, a criança ao seu pediatra para ser reavaliada, caso seja preciso.

ENTRAR EM PÂNICO – RESPIRE FUNDO E MANTENHA A VIGILÂNCIA
A pediatra Rita Machado aconselha medidas de vigilância e cuidados primários que os pais devem fazer, no caso das doenças infantis mais comuns.

– Febre. É um mecanismo protetor do organismo e não uma doença, como muita gente pensa. O aumento da temperatura ajuda a matar ou dificulta a multiplicação dos micro-organismos que causam as doenças. A maior parte das doenças infantis dá febre nos primeiros três a cinco dias. “No início, geralmente são altas e difíceis de ceder. Se ela vai ficando mais espaçada e baixa, é porque a situação está a melhorar. Mas se começar com uma febre baixa, que de repente aumenta e é acompanhada de tosse ou maior prostração, recusa alimentar, dificuldade respiratória, entre outros sinais de alarme, a criança tem de ser vista. A febre deve ser tratada a partir dos 38ºC, se eles estiverem muito irritados, prostrados e com dor. Geralmente, damos paracetamol. Se demorar a baixar – mas só depois de dar o antipirético – recomendamos o banho de água morna.” 
Há pais que não dão o antipirético às crianças para baixar a temperatura, para que o médico possa constatá-lo por si, durante a consulta. “Não há qualquer interesse nisso; nós acreditamos nos pais.” Os pediatras aconselham ainda a fazer um registo da evolução dos padrões da febre.

– Vómitos e diarreia. “Nos vómitos, é preciso alguma calma e esperar, para ver como evoluem, depois do primeiro episódio. Aguarde sempre meia hora de intervalo e depois dê-lhe uma bebida açucarada ou um soro de hidratação oral. Depois podem comer o que quiserem, evitando guloseimas ou alimentos que irritem mais o intestino. Mas é bom sinal quando eles demonstram apetite. Se a criança mostrar irritabilidade, prostração, se os vómitos se tornarem incoercíveis [quando não param], deve ser vista pelo médico.”
A diarreia, inicialmente, dura entre três e cinco dias, mas, com o intestino debilitado, pode arrastar-se por mais tempo. A criança deve ser vista pelo médico assistente quando se prolonga. “Em termos de vinda à urgência, só quando os vómitos são incoercíveis e a diarreia é de tal modo brutal que se torna difícil hidratar – eles ficam com a língua seca e deixam de fazer chichi.”

– Rinofaringites e constipações. As constipações vulgares perfazem a maior parte das vindas às urgências sem necessidade. Duram entre três e cinco dias, normalmente com secreção nasal (o ranho mais claro ou escuro). “Depois, a criança pode ficar com tosse, que pode demorar bastante tempo a passar. Mas só necessita de observação se o quadro se agravar. Deve manter-se uma boa limpeza nasal, elevar a cabeceira e hidratar com muita água para ajudar a libertarem-se da expetoração.”

– Otites. Normalmente, são situações que evoluem bem e passam sem necessitarem de medicação específica. “Estudos recentes indicam que a partir dos seis meses de idade o tratamento recomendado para estes casos, é o anti-inflamatório e desobstrução nasal, e, sempre que haja hipótese, a reobservação dentro de três dias (antes, se há agravamento notório) para avaliar evolução.”

 

Sinais de alerta: E quando se deve ir mesmo ao hospital?
A maior parte das situações não inspiram mesmo uma ida à urgência, mas os pais devem saber os sinais de alerta que exigem uma visita ao hospital.
– Os recém-nascidos (até aos 28 dias) devem ser vistos logo no primeiro dia de sintomas, se tiverem febre. 
– Pintas estranhas no corpo logo no primeiro dia de febre, quando ela é alta.
– Se não ficam mais bem-dispostos quando a febre baixa e apresentam uma prostração física anormal.
– Convulsões febris.
– Vómitos que não param.
– Dificuldade respiratória.
– Desidratação – olhos encovados, perda de elasticidade na pele, sede intensa, boca seca, prostração, urinar pouco, fontanela (moleirinha) deprimida.

 

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