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Pedro Jorge Melo

Helena Magalhães, jornalista e blogger portuguesa (‘The Styland’ ), acabou de lançar o seu primeiro livro, titulado “Diz-lhe Que Não”, e já está a tocar as mulheres portuguesas. Mas, dizer que ‘não’ a quem? Aos homens e às relações fast-food!

Neste livro, Helena defende que existe uma diferença entre o “eu quero” do “eu preciso”, ou seja, todas as mulheres querem um homem (quem não quer?), mas nem todas precisam de um para serem felizes.

“Existe muitas pessoas que não conseguem viver sozinhas, porque não têm capacidade de estar consigo próprias, ou ir jantar ou ao cinema ou ao café sozinhas, e o que acontece é que muitas vezes estão em relações de ‘merda’ só porque não conseguem estar sem ninguém, e isso é ridículo”.

E se isso é um ‘mal’ geral, que também afecta os homens, diz mais respeito às mulheres, de acordo com Helena, porque elas ‘arrastam-se’ com mais facilidade e ficam a viver numa relação que não é, de todo, saudável.

É importante aprender a ter coragem de dizer ‘não’ aos homens que são errados e às relações que não fazem bem. A jornalista realça que as pessoas mais saudáveis são aquelas que conseguem pensar ‘eu quero um homem, mas não preciso’. O que acontece, muitas vezes, é que as pessoas acreditam que precisam de outra pessoa para serem felizes, mas reforça que isso não corresponde à verdade, antes temos que aprender a (con)vivermos connosco próprios e com os outros e a ter a liberdade de sermos felizes, independentemente da situação em que nos encontramos.

“A pessoa errada será sempre a pessoa errada”

Muitas vezes ouvimos a expressão ‘o amor é cego’, mas como lembra a blogger, o amor não é cego, são as pessoas que só ouvem aquilo que querem ouvir.

“Já a minha mãe dizia que ‘quando a esmola é muita o pobre desconfia”.

Por isso mesmo, Helena lembra que as pessoas devem ouvir os amigos ou os familiares que estão de fora, porque muitas das vezes eles apercebem-se de que algo está errado na relação, mas quem está lá dentro não tem essa consciência porque está a ‘embelezar’ o outro.

Por outro lado, hoje em dia, o amor é como se fosse um ‘bicho papão’, e dizermos a alguém que gostamos ou temos interesse nessa pessoa, pode fazer essa pessoa ‘fugir a sete pés’.

“Acho que isso reflete um bocado a geração em que vivemos agora. Com todas estas formas de namorar virtuais e tão descartáveis, a palavra amor tornou-se num tabu autêntico, falar de amor é tabu”. E continua: “Acho que isso faz com que deixássemos de investir tanto nas pessoas, porque temos aquela noção de que existem mais pessoas disponíveis. Ao primeiro problema que existe saltamos logo fora, porque temos mais 500 pessoas na aplicação para ‘rodar’ e dizer que ‘sim’ ou que ‘não’. Isto veio mudar a forma como nos relacionamos, como nos sentimos e como lidamos com o amor, porque na verdade e, apesar de estar todos conectados nas redes sociais, ao fim e ao cabo não estamos com ninguém, estamos sozinhos em casa a teclar e não fazemos mais nada”.

Outra coisa que as redes sociais vieram acentuar foi a ‘obsessão’ que se criou das pessoas andarem sempre a ver o que é que o outro está a fazer e onde está, ou de se estarem constantemente a ‘falar’ com a pessoa o que significa que, se eventualmente ela não responder a uma mensagem, se fica ‘descontrolado’ e isso não é saudável

“Questiono muitas pessoas sobre se o facto de estarem sempre tão conectados e a falar o dia inteiro com alguém significa que gostam dessa pessoa ou que gostam da companhia que ela faz virtualmente? A ‘companhia’ das mensagens faz bem, obviamente, mas não faz bem à alma estar constantemente a falar com alguém. E será que gostamos da pessoa ou da companhia que ela nos faz? Na verdade, acabamos por não criar nenhuma conexão real com as pessoas porque é tudo tão virtual.”

O facto de se estar sempre ‘a falar’ de forma virtual faz com que, quando há um encontro, “pareça que o assunto se esgota, já não há nada para falar, não sabemos o que dizer” e se perca a coragem de dizer as coisas ‘cara a cara’.

“Esse novo conceito de encontros veio destruir toda aquela cumplicidade que se cria nesses primeiros momentos. Por exemplo, não acredito naquelas pessoas que se apaixonam pelo chat. Não consigo compreender, porque o que apaixona é o olhar, o toque, o cheiro, expressão facial, e é tudo aquilo que as redes sociais não permitem, e viver o momento cara-a-cara é onde nasce a paixão e conexão”.

Hoje em dia, os primeiros encontros tornaram-se actos sexuais, porque o sexo é o encontro, e se alguém diz que não, parte-se para outra pessoa.

“Por isso é que digo que as pessoas estão desinteressadas, porque querem tudo muito rápido, tudo a acontecer neste momento, o agora, e se demoramos um bocadinho desaparecem… Mesmo quando dizemos, ‘vamos jantar’ ou ‘vamos ao cinema’, desaparecem, porque há outra pessoa que quer dar o que eles querem”.

A blogger fala também do sentimento de culpa sobre o fim de uma relação, comum entre as mulheres, e lembra que, na maioria das vezes, simplesmente não houve cumplicidade e as coisas quando têm que acabar é para acabar.

“A culpa não é de ninguém, não podemos criar empatia com toda a gente, não há click com toda a gente, o problema que muitas vezes acontece, tanto com mulheres como com homens, é que às vezes não temos a capacidade de sermos honestos, e é isso que falha redondamente na grande parte das relações porque se nós fossemos honestos com a outra pessoa logo no inicio essa pessoa não ficaria a divagar sobre o assunto”.

Para Helena, os homens têm mais dificuldade em lidar com rejeições do que as mulheres; por isso é que eles não são cem por cento honestos e, para não revelarem o seu lado ‘mais fraco’, são os primeiros a rejeitarem e a saírem fora de uma relação.

“Nunca somos honestos e vivemos sempre com esta ansiedade, com medo de nos expormos, de revelarmos o que sentimos, e isso é uma falha que não é de agora, é de sempre.”

Para terminar, Helena Magalhães realçou que, quando alguém entra numa relação, corre o risco de deixar de ser ela própria para passar a ser ‘aquela pessoa naquela relação’, passando a fazer o que a outra pessoa gosta e faz.

“Uma vez disse a uma amiga, que terminou uma relação de 12 anos: ‘já reparaste que tu és tu nessa relação há 12 anos? Não te conheces a ti própria porque nunca tiveste contigo própria, 12 anos é uma vida’. A forma mais saudável de se viver numa relação é ter a nossa liberdade com outra pessoa ao lado. Quando estamos sozinhos é quando nos conhecemos melhor, sobre aquilo que queremos fazer e queremos ser”, remata

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