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1 – Não criar um tabu – Fale sobre bullying com os seus filhos e faça com que os membros da família partilhem experiências. Claro que não é um assunto agradável de discutir, mas porque não contar às crianças que ‘no nosso tempo’ essas coisas também aconteciam? Saber que os adultos também passaram por isso faz com que as crianças não se sintam envergonhadas se alguma coisa acontecer.

2 – Perceba de onde vem a violência – ” A forma que todos nós temos de resolver os problemas é sempre a mais fácil e a que dá mais resultado. E a violência dá resultado”, explica a psicóloga Rita Xarepe. “Portanto, se uma coisa resulta, vamos usá-la, porque é onde nos sentimos mais eficazes.” Além disso, a violência é uma lição constantemente reforçada: nós raramente somos solidários no mundo dos adultos. Portanto, a dificuldade é convencer-nos a nós próprios daquilo que pregamos, porque há bullies de todas as idades. Em muitos empregos existem estas situações, mas fala-se pouco nisto, porque temos vergonha. É mais fácil falar das crianças, é mais mediático e visível.”

3 – Trabalhe a autoconfiança – “Uma situação de bullying é o encontro de duas fragilidades”, defende a psicóloga Rita Xarepe. As crianças (tal como os adultos) psicologicamente mais frágeis tendem a agredir aqueles que intuitivamente sentem como mais fracos. Dito isto, qualquer um de nós poderia ser quer um bully quer um ‘bullied’, dependendo das circunstâncias. Ninguém é estanque, todos temos zonas de sombra. Mas habitue o seu filho a andar de costas direitas, a falar decididamente, a olhar para os outros nos olhos. Se for preciso, treinem ao espelho. Claro que a confiança não se cria com frases como “Não ligues” ou “Ai és tão choninhas, depois admiras-te que se metam contigo…”

4 – Debata a pressão entre pares – “Explique ao seu filho que não é nada fixe ceder à pressão negativa dos pares”, aconselha o psicólogo Allan Beane no livro ‘Proteja o seu Filho do Bullying’. “Diga-lhe que espera que não entre nesses jogos, fazendo ‘o que toda a gente faz’ ou maltratando pessoas que os outros maltratam”. Torne bem claro que ele não tem de ser amigo de todos e encoraje-o a evitar as pessoas que maltratam os outros. Claro que isto é mais fácil de dizer do que de fazer, porque a escola é uma selva e tornar-se igual aos outros (quer dizer, invisível) é a mais forte estratégia de sobrevivência. Os agressores intimidam os outros alunos e suscitam admiração. Mas converse com ele e incite-o a pôr-se no lugar do outro: quer do bully quer da pessoa maltratada. Como se sente a pessoa que é humilhada? Que razões levam o bully a fazer o que faz? E como podemos resistir?

5 – Não exija heroismos – “Não se pode estar à espera que uma testemunha se ponha em risco para defender um colega”, defende Rita Xarepe. “Não se pode exigir a uma criança que seja um herói, e mesmo assim eles existem. O que não é justo é que estas situações sejam postas nos ombros das crianças, que são demasiado pequenas para lidar com assuntos tão complexos. Uma testemunha não fará nada se sentir que não está protegida, que tem de se aliar aos mais fortes. Por isso temos de criar um sistema a favor da amizade mais do que contra o bullying. É mais fácil e efetivo trabalhar na prevenção. Porque depois, já as coisas aconteceram e deixaram marcas.”

6 – Treine a assertividade – A resposta é ser choninhas e continuar a ser vítima? Não, a resposta é a calma e os ‘olhos nos olhos’ ou mesmo o voltar as costas. “Mostra ao bully que não és um alvo fácil”, aconselha Allan Beane. “Mantém-te calmo e diz-lhe, com confiança e determinação: ‘Para com isso! Deixa-me em paz!’ ou ‘Não, não podes ficar com o meu lápis, preciso dele.’ Depois afasta-te. Se não estiveres presente, não podes ser vítima de bullying.”

7 – Ensine-lhe uma palavra mágica – Na verdade são duas: a expressão “E então?” permanece um clássico e é aplicável em variadas situações: “És parvo”, “E então?”, “És gorda”, ‘e então?’ Problema: nem sempre se pode esperar que uma criança fragilizada tenha este tipo de resposta, por isso o melhor é mesmo prevenir.

7 – Não culpe ninguém por ser perseguido – Importante: ninguém tem ‘culpa’ de ser vítima. Mas como é que falamos dos outros na nossa própria casa? “Se se vive num sistema que acolhe e valoriza as diferenças, estas situações de bullying não acontecem tanto”, explica Rita Xarepe. “Mas se um rapaz que gosta de cor-de-rosa é posto de lado pela nossa sociedade, como queremos que as crianças o aceitem?”

8 – Ajude-o a fazer amigos – Explique-lhe que ser diferente, por alguma razão, não quer dizer ser pior nem melhor. Quer dizer apenas que os outros são demasiado imaturos para nos perceber. Mas que, como ele tem de os aturar até ao fim da escola, vale a pena fazer um esforço para descobrir algumas pessoas simpáticas. Lembre-lhe que fazer amigos dá trabalho e também tem de partir de nós. Portanto, dê-lhe algumas dicas para se aproximar dos outros. Ele pode, por exemplo, oferecer-se para ajudar nos trabalhos de casa. E pode sugerir-lhe que convide um ou outro menino para vir estudar com ele depois da escola.

9- Encoraje-o a pedir ajuda – Diga-lhe o que fazer se ele for vítima ou vir alguém a ser maltratado – contar tudo imediatamente a um adulto. “Tem sempre que ser a escola a organizar-se para resolver e prevenir estas situações”, defende Rita Xarepe. “Tem de se criar um ambiente em que os mais novos ou mais fracos sejam bem acolhidos, com projetos e atividades específicas, criando um sistema de madrinhas e tutores, por exemplo, e criar redes entre alunos e professores, não só para situações de emergência, mas para o dia a dia. Temos de ter recreios sem medo, com ambientes solidários e de entreajuda, e em que isso não sejam só palavras bonitas.” Para que bullies, vítimas e testemunhas não sejam deixados à sua sorte. Se ao fim de muitas tentativas nada acontecer, transfira o seu filho para outra escola, de preferência no início do ano escolar.

10 – Não junte alvo e vítima – Certifique-se de que tudo o que diz ao professor é confidencial, ou seja, de que ele não vai a correr contar tudo ao agressor ou aos seus pais. “A chave é a confidencialidade”, defende o psicólogo Joel Haber em ‘Bullying: Manual Anti-Agressão’. “Aquilo em que muitos professores acreditam se conseguirem juntar os dois miúdos eles apertarão as mãos e como que por milagre ficarão amigos está para além do idealismo. Os abusadores são peritos em manipulação e conseguem convencer os adultos de que nunca pretendem magoar ninguém.”

11 – Dê-lhe mais mundo para lá da escola – Nos tempos livres, encoraje-o a participar numa atividade extracurricular de que ele goste, em que seja bom, que lhe dê oportunidade de fazer amigos com os mesmos interesses e lhe mostre que a escola não é tudo nesta vida…

12 – Crie uma criança otimista – Dê-lhe atenção, fale de outras coisas que não da escola, leve-a à praia, ria-se com ela, passem tempos felizes juntos com o resto da família. E acima de tudo diga-lhe que a mãe ou o pai estarão sempre ao seu lado para a ajudar. Geralmente, crianças felizes são crianças simpáticas e é mais difícil que as crianças simpáticas se tornem vítimas.

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