É no mínimo curioso encontrarmo-nos no bairro de Chueca, a poucos metros da movimentada Gran Via, e ao mesmo tempo termos a sensação que estamos numa casa de montanha. O bulício deste bairro tão conhecido pela comunidade gay internacional não chega ao quinto andar. Ali, ouve-se o silêncio. É evidente o trabalho de um arquitecto especializado em reabilitação. A confortável penthouse resultou da união de uns antigos sótãos .do edifício com um apartamento. ‘Antigamente, sem o apoio dos elevadores os últimos pisos não eram valorizados. Eram usados como sótão e domicílio dos porteiros. Apartamentos de pior qualidade’, comenta Rafael Rios, co-proprietário e companheiro do arquitecto e designer de interiores Ignacio de Vinuesa, do estúdio de arquitectura GDEV, e autor ainda de um restaurante que está a dar cartas na capital espanhola, o Wagaboo, entre outros projectos.
Tardou um ano todo o processo. Adquirir, pensar e executar. As paredes e o tecto da casa foram descarnados, deixando à vista os tijolos e vigas originais do velho edifício. No chão foi colocado um pavimento de madeira, uma lâmina de teca à prova de água e fogo, que reveste também algumas paredes.
Na sala, a divisão mais ampla e vaso comunicante de todo o apartamento, foi criado um módulo de tijolos pintados de branco, nascendo aí a lareira e com espaço suficiente para colocar a televisão e outros aparelhos electrónicos, servindo ainda para ocultar parte .da escada de acesso ao quarto de hóspedes. As molduras de aço das janelas e as escadas de acesso ao terraço, concebidas por Ignacio, são alguns dos detalhes a destacar. Duas portas de correr, uma delas por detrás de um canteiro de flores que esconde um armário embutido, a outra dá acesso à casa de banho.
Para construir a cozinha e a sala de jantar, comunicantes entre si, foi retirado o telhado do prédio, colocado um tecto horizontal e grandes janelas de vidro. Ganhou-se assim espaço, luz e vista sobre a cidade. Criou-se, também, uma pequena área de serviço entre a cozinha e a sala, suficiente para aí resguardar as máquinas de lavar e secar.
A suíte é a única divisão sem luz natural. Foi erguida uma parede em L, para isolar o quarto da luz proveniente das janelas que dão para o pátio interior do prédio, que funciona também como closet. Duas portas de correr preservam a intimidade do casal, aconchegado, nos dias mais frios, pelo calor proveniente do fogão de parede.
Grandes espelhos e mármore italiano cobrem as paredes da casa de banho da suíte. Este não é um espaço comum. Tem banheira, box, pia, urinol e uma divisão, com porta de vidro fosco, que esconde a retrete. Sobre a banheira, o poster de um boxeur encara quem entra. Mas não intimida.
Em toda a casa está patente o estilo particular do arquitecto. Mobiliário de marca casa com outro de sua autoria. Aqui e ali, pequenas peças distribuídas pela casa manifestam, de forma subtil, o gosto do casal pelas viagens, como as máscaras africanas, uma interessante raiz ou um casal de fantoches da Birmânia. Sensibilidade sem limites.
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