Está a pensar montar um negócio?

1. Por que é que usamos a aliança de casamento no quarto dedo da mão esquerda?

A tradição parece vir dos egípcios. Acreditavam que por esse dedo corria a veia do amor, uma espécie de autoestrada do dedo ao coração. Pormenor: a tal veia nunca existiu, nem no tempo dos egípcios nem agora. Mas a lenda é tão romântica que bem justifica a sua continuação. Afinal, tanto faz um dedo como outro…

2. Por que é que rapamos os sovacos?

Então é assim: parece que a necessidade só começou por exigências da atrevida moda de 1915, quando as mulheres começaram pela primeira vez a mostrar os braços de tal maneira que se viam os sovacos. Até aí, mostrar os braços dessa maneira era quase tão escandaloso como mostrar as pernas. Aliás, também só começámos a depilar as pernas a partir do momento em que as saias começaram a subir. As empresas que fabricavam lâminas viram ali uma oportunidade de negócio e desataram a difundir a noção de que pêlo debaixo dos braços era feio e antihigiénico. Há ainda quem defenda que a depilação corresponde a uma forma de infantilizar as mulheres, porque então, pela lógica, também teríamos de depilar o cabelo… Enfim, a discussão dava para a tarde toda.

3. De onde vem o nome da Posição de Missionário?

Se já estão a imaginar poucas-vergonhas de algum monge, podem tirar o cavalinho da cama: a verdade é exactamente oposta. Quando os cristãos começaram a espalhar-se pelo mundo para converter os nativos de variados países, ficaram chocados ao descobrir a impressionante variedade de posições eróticas, muitas delas consideradas pouco dignas por quem via o sexo apenas como uma forma de procriação. Os missionários defenderam então que a posição cara-a-cara com o homem por cima era a única que permitia evitar o fogo do Inferno. Enfim. É uma posição como outra qualquer.

4. Por que é que o céu é azul?

Lamentamos informar que é uma ilusão de óptica: a luz que nós vemos parece branca mas de facto é feita de várias cores. Cada cor tem uma frequência e uma energia diferente: os azuis têm a frequência mais alta, os vermelhos a mais baixa. A luz viaja no espaço em linha recta, até encontrar algum obstáculo. Quando a luz encontra uma molécula de gás, as cores são afectadas de maneiras diferentes: os vermelhos e laranjas passam, mas os azuis são reflectidos em todas as direcções, espalham-se pelo céu todo, e o que vemos são muitíssimos reflexos de azul que nos parecem um todo. Ao pôr-do-sol, a luz tem que viajar mais até nós, os azuis e verdes espalham-se ainda mais, e só as frequências mais longas conseguem chegar aos nossos olhos.

5. Por que é que as crianças fazem mais birras com os próprios pais?

Primeiro, porque os pais são o Patrocinador Oficial, aquele que nos dá chocolates e que regula a hora de deitar e o que se come ao almoço, e portanto a maioria dos nossos assuntos, quando se tem três anos, são tratados com eles. Depois, porque muitas birras são chamadas de atenção, e a atenção dos pais é a mais desejada. E também, porque os pais são as pessoas com quem se está mais à vontade a quem podemos mostrar as nossas facetas menos encantadoras. Aliás, em crescidos a maioria de nós continua a fazer birras com os pais, só que não lhe dá esse nome. Essa é também a deplorável razão por que costumamos tratar pior as pessoas que nos estão mais próximas, os nossos pais, irmãos e maridos, os nossos amigos mais queridos. A cerimónia é uma coisa que tende a desaparecer com a familiaridade, o que é uma pena mas que se compreende.

6. Por que é que há um ponto G e não há um ponto A, B, C, etc?

É triste mas há só um ponto desses e mesmo esse ainda não se sabe muito bem como é que funciona. O termo ‘ponto G’ não vem de nenhuma ordem alfabética, mas em homenagem ao Dr. Grafenberg, um ginecologista alemão que, dizia ele, foi o primeiro a identificar esta zona erógena em 1950. De qualquer maneira, ainda não desistimos de encontrar mais.

7. Por que é que dizemos “lagarto, lagarto, lagarto”?

O lagarto é suposto ser um animal que dá sorte. Curiosamente, dá mais sorte aos homens, e as cobras às mulheres. Portanto, em rigor, o que devíamos dizer nós mulheres era: ‘cascavel, cascavel, cascavel!’ Quanto ao gato preto, era considerado o animal de estimação do Diabo (pobre Tareco!) e bater na madeira vem do antigo costume pagão de bater nos troncos das árvores para convocar os bons espíritos que se acreditava viverem lá dentro.

8. Por que é que o Escorpião é o signo mais antipático?

Segundo o ‘Dicionário de Superstições’ de Orlando Neves, o escorpião corresponde ao período da existência humana mais ameaçado pelo perigo da queda ou da morte: um período negro, portanto. O escorpião é tradicionalmente um símbolo de traição.

9. De onde é que vêm as letras AA, B, C, DD dos sutiãs?

De uma grande confusão, ao que parece. A primeira companhia a introduzir tamanhos diferentes, em 1935, começou pacatamente a chamar-lhes A, B, C. Depois descobriram que os As eram demasiado grandes para algumas mulheres, mas como não havia nenhuma letra antes de A, não tiveram outro remédio senão criar os Aas e os AAAs. Então, perguntam vocês, e por que é que é que os DDs não são Es? Mera psicologia: descobriram que as mulheres preferiam ficar sem respirar num DD do que admitir que vestiam um enorme E…

10. Por que é que o croissant tem a forma de meia-lua?

Pois não é por acaso, ou porque o padeiro acordou para aí virado. O croissant que se come ao pequeno-almoço é um bolo histórico, nascido no século XVII, e nem sequer é francês. Uma noite, os padeiros de Viena estavam a trabalhar nos seus fornos e ouviram ruídos estranhos. Eram Turcos inimigos que se preparavam para invadir a cidade, e graças aos padeiros foram vencidos. Como recompensa, o rei concedeu-lhes o privilégio de criarem um bolo para imortalizar o evento. Assim nasceu o ‘crescente’: uma outra forma de ‘devorar’ o inimigo. Só mais tarde descobriram que o inimigo ficava ainda mais delicioso se recheado de chocolate ou doce de ovos.

11. Por que é que os botões dos homens e das mulheres apertam para lados diferentes?

A razão é tão histórica como a dos croissants, embora já não se aplique (enfim, na maioria dos casos): é que os homens sempre se vestiram sozinhos, e como a maioria das pessoas é dextra, os botões masculinos apertam da direita para a esquerda. As mulheres de classe alta tinham criadas para as vestirem, por isso os botões femininos apertam ao contrário. Por isso já sabem: é lembrança de uma vida passada em que fomos ricas…

12. De onde vem o termo português ‘arroba’ do correio electrónico?

Estávamos nós longe de saber que a coisa era tão complicada. Depois de pormos variados informáticos em pânico a ligarem uns para os outros e a investigarem em sites, chegámos a esta conclusão (podem sentar-se que a história é comprida): não se sabe. O sinal propriamente dito era usado pelos americanos para indicar um preço de unidade, e daí passou para os teclados das máquinas de escrever. Quando o correio electrónico foi inventado, o engenheiro Ray Tomlinson, o primeiro homem a mandar um mail, precisou de um símbolo que separasse o nome do utilizador do nome da máquina, e lembrou-se imediatamente do sinal de ‘at’. Foi o caos. É que, fora da América, o sinal não existia em teclado nenhum. Foi preciso instalá-lo e baptizá-lo. E o nome português, ‘arroba’, apareceu de onde? O sinal em si já existia desde o tempo dos monges copistas da Idade Média. No século XVI, parece que foi usado para abreviar o termo ‘arroba’, que designava em árabe uma unidade de medida de 12 quilos, também usada em Portugal. Portanto, os portugueses, espanhóis e franceses foram os únicos a reter alguma noção de origem. Nos outros países, quem fugiu ao ‘at’ americano deu-lhes para a imaginação, geralmente zoófila: desde o ‘rabo de macaco’ holandês ao ‘tromba de elefante’ dinamarquês, a ‘minhoca’ em húngaro ou’cãozinho’ em russo ou mesmo o mimoso ‘miau’ dos finlandeses. Digam lá que não era lindo estar num congresso de qualquer coisa, alguém perguntar: “Ó doutor, qual é o seu mail?” e ouvir o doutor debitar: “Teodoricomascarenhas.miau.pt”?

13. Quem inventou o ‘Parabéns a Você?’

A canção foi composta por duas irmãs americanas, uma educadora e uma directora escolar, no fim do século XIX, para ser cantada aos seus pequenos alunos. Originalmente não era uma canção de aniversário, chamava-se qualquer coisa como ‘Bom dia a todos’. O popular verso que diz ‘parabéns a você’ só foi incluído mais tarde, quando um senhor chamado Robert Coleman decidiu publicar a cantiga com alguns acrescentos. O ‘acrescento’ pegou mais do que a letra original, e embora hoje, sempre que a canção é cantada para fins comerciais, ainda seja a família das irmãs quem recebe dividendos, já ninguém se lembra do ‘bom dia a todos’.

14. Por que é que os semáforos são verdes, vermelhos e amarelos?

Os semáforos de trânsito basearam-se no sistema das linhas férreas que evitava as colisões de comboios. O vermelho era uma cor lógica para parar, lembrava o perigo e o sangue, mas as outras cores foram mais complicadas de escolher. Os engenheiros começaram por usar o verde como cor de precaução e a luz branca como sinal de avançar, o que foi um falhanço: a luz branca não se distinguia das outras e a maioria dos maquinistas ficava parada a tentar perceber o que é que havia de fazer até cair o vermelho… Acabaram por escolher o verde para avançar e o amarelo para precaução, e mais tarde os sinais de trânsito copiaram o sistema.

15. Por que é que o dedo do meio é maior do que os outros?

Há quem acredite que tem a ver com uma espécie de geometria do corpo. Reparem como estamos bem feitos: se fecharmos a mão, os dedos batem todos na palma ao mesmo tempo. Isto não significa só que somos alinhadinhos e que nenhuma das unhas nos fura a palma, mas também que, por exemplo, se agarrarmos qualquer coisa, todos dedos partilham igualmente o fardo. Como vêem, temos a democracia gravada nas mãos… Por outro lado, em termos de força, o polegar ganha a todos os outros dedos. O que também explica por que é que é sempre aquele que usamos para teclar mensagens no telemóvel.

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