Álvaro Siza X Salsa

Parecíamos autênticas crianças numa fábrica de rebuçados, só que em vez de doces eram calças de ganga (e não só!). Jeans portugueses, fits técnicos que nos levantam o rabo, encolhem a barriga, fazem trinta por uma linha para que nos sintamos confiantes. É esse mesmo o mote da marca: “tornar todos os momentos de dúvida na confiança de todos os dias”.

Embora a Salsa não exista sem denim, a verdade é que a marca tem provado que há mais vida para além da ganga. Afinal, a categoria não-denim perfaz hoje 48% das suas vendas. Em termos de clientes, sim, continua a ter as mulheres entre os seus principais fãs – 72%. E as ‘nuestras hermanas’ fazem-nos concorrência, já que o mercado espanhol (28%) é quase tão forte quanto o português (30%). O terceiro lugar vai para França (26%), onde a marca também tem escritórios.

Há algo muito gratificante em saber como as coisas funcionam e visitámos o coração da Salsa, em Famalicão, invadidos por uma repentina nostalgia dos tempos de escola e das visitas de estudo. Os números impressionam: a Salsa está em mais de 40 países, com 190 lojas e representação em mais de 1200 espaços multimarca, e emprega mais de 1200 trabalhadores. Só a loja online conta com 1,2 milhões de utilizadores por mês.

O orgulho de ser português (que a marca apelidou de ‘Proudtuguese’) é visível, vai além da demagogia – exemplo disso é a recente colaboração entre a Salsa e o arquiteto Álvaro Siza Vieira – e a sustentabilidade vai da teoria à prática em acções úteis para o cliente como no programa Infinity, que dá vida às suas velhas calças. Sabia que dá para aumentar ou diminuir dois números aos jeans que deixaram de lhe servir?

E há mais que vai gostar de saber. Destacamos as cinco coisas que mais nos surpreenderam e que não podíamos deixar de partilhar consigo.

1. Tudo começa e acaba na Lavandaria

A Lavandaria, onde, como o nome indica, se fazem as lavagens que dão aquele aspecto de que gostamos aos jeans, e que variam consoante as tendências, marca o início desta história. Ela é mais antiga que a própria Salsa, e ainda hoje opera para outras marcas.

Quando entramos nesta unidade, próxima do edifício principal, o barulho de máquinas a funcionar é audível e caminhamos entre pilhas e pilhas de calças – o verdadeiro paraíso. Chamam-nos a atenção duas máquinas inovadoras à base de ozono, que lavam sem recurso a água e que ainda coabitam com as outras tradicionais, em linha com a política de sustentabilidade da Salsa e o programa Betterwash, que em 2023 tem como meta a redução de 58% de água.

Neste edifício encontra-se também a tinturaria, que tinge as mais variadas peças e nos faz questionar como tudo era sequer possível nos tempos pré-tecnologia, já que hoje basta inserir em computador os parâmetros necessários para alcançar o resultado de cor pretendido. As centenas de frasquinhos de cores perfeitamente alinhados remetem-nos mais uma vez para o nosso imaginário escolar, para os lápis coloridos ordenados por tons e acabados de estrear.

2. A par da tecnologia, o trabalho manual ainda é rei

Outros dos grandes orgulhos da Salsa é o seu trabalho artesanal. E a verdade é que tem razões para isso, já que é na sua sede que nascem todos os moldes e protótipos, cuidadosamente feitos à mão, com a mestria de quem viu nascer a marca, em 1994 – olhe bem para as suas calças de ganga, pois nada está ali por acaso, cada linha, cada botão e pesponto. Um verdadeiro trabalho de equipa em que cada um faz a sua parte e no fim tudo encaixa como se de um puzzle se tratasse.

Voltando à lavandaria, é lá também que manualmente se fazem alguns efeitos especiais, embora alguns já sejam automatizados. Da próxima vez que vir um rasgão, por exemplo, pense nas pessoas que dia após dia, turno após turno, o fazem de uma forma ainda artesanal. Ou os bigodes, aquelas riscas horizontais ou diagonais que simulam o desgaste provocado pelo movimento das pernas, que podem ser feitos com laser ou através de técnica manual.

3. Tudo é testado em laboratório

Voltamos novamente à visita de estudo e à maravilhosa descoberta de como são feitas as coisas que usamos todos os dias. Desta vez é o laboratório que nos surpreende. Ou, melhor os laboratórios, tanto o da lavandaria como o que encontra no edifício principal. No primeiro testam-se a abertura de cores, técnicas de tingimento e todos os outros processos levados a cabo na lavandaria. No segundo, os testes são feitos aos materiais: à resistência dos tecidos, à fricção, ao comportamento na lavagem, etc. Nada é usado sem nota positiva no exame minucioso.

4. As mulheres mandam tanto quanto os homens

BECOME é o nome do programa de sustentabilidade da Salsa e que visa as Pessoas tanto como o Planeta. E, como revista feminina que somos, gostámos de saber que 53% dos cargos de liderança na Salsa são ocupados por mulheres. Viva a igualdade de género!

5. O Outono vai ser brilhante

Félix Santos, Fashion Design Director da Salsa, já está na coleção do verão 2025, pelo que tem alguma dificuldade em falar-nos deste outono. Mas lá regressa ao passado para nos dizer que o casaco de fazenda Grace, “que já se tornou icónico, em breve estará nas lojas com direito a restyle”. Fala-nos de denim preto, de brilho, de embellishment e de outros detalhes que funcionam para elevar os looks deste inverno.

“Há uma tendência muito evidente do denim, não daquela forma mais convencional, mas sim com novas abordagens”, avança o designer que chama atenção para as novas texturas, em muito potenciadas pela tecnologia a laser que vimos na lavandaria e que não serve só a ganga. Também o tweed, o algodão e o cetim são os coprotagonistas desta coleção, que dá grande ênfase à tendência anos 2000, com peças em jacquard a permitir as mais variadas combinações.

Macacões e vestidos com estampados geométricos, blazers e fatos às ricas, são algumas das peças-chave da estação Salsa, para além dos jeans e respetivos fits técnicos, claro.

Quanto às cores, teremos os tons neutros, por um lado, e uma paleta mais viva, com lavanda, verde-lima e laranja, por outro. Honras especiais para o prateado, que vem à boleia das calças Destiny!

Félix Santos mostra-nos a nova coleção que é dividida por meses – 60% é fechada nos timings convencionais e 40% é reservada para conseguirem reagir ao mercado -, pelo que vai ter ser paciente, pois ainda não vai encontrar todas as estrelas da estação nas lojas. Veja na fotogaleria em baixo alguns dos looks Salsa para este outono.

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