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1.Clamídia

Causada pela bactéria clamydia trachomatis, é uma das infeções mais comuns e, apesar de aparentemente inofensiva, pode levar a complicações sérias quando não tratada. Afeta ambos os sexos, mas

o grupo de maior risco são as adolescentes e jovens adultas sexualmente ativas, como explica Fernando Cirurgião, diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de S. Francisco Xavier, em Lisboa. “Nas raparigas mais jovens, as células do colo do útero ainda estão em processo

de amadurecimento e por isso são mais suscetíveis a esta infeção.” Transmissão: Vaginal, oral e anal. Também pode ser passada por uma mãe infetada ao bebé durante o parto vaginal, causando-lhe problemas res-piratórios e oculares.

Sintomas: Pode ser assintomática, o que a torna difícil de diagnosticar. Corrimento vaginal e ardor ao urinar são sintomas comuns. Inicialmente, a infeção atinge a uretra e o colo do útero, mas se não for tratada pode alastrar às trompas de Falópio (causando dor abdominal, no fundo das costas ou durante o sexo), dá febre, náuseas ou perda de sangue entre menstruações.

Complicações: Doença pélvica inflamatória, que afeta entre 10% e 15% das infetadas não tratadas e pode causar danos nas trompas de Falópio, útero e tecidos circundantes e, eventualmente, problemas de infertilidade, dor pélvica crónica ou gravidez ectópica potencialmente fatal.

Tratamento: Quando a doença é detetada a tempo, trata-se facilmente com antibióticos. Os parceiros sexuais devem também efetuar um tratamento.

Prevenção: O preservativo de látex reduz o risco de contágio. O Center for Disease Control and Prevention (CDCP), nos EUA, aconselha o teste anual a todas as mulheres menores de 25 anos sexualmente ativas, a quem tem parceiro novo, parceiros múltiplos e a todas as grávidas.

2.Vaginose bacteriana

É normal coexistirem na vagina bactérias benéficas e patogénicas, estas últimas muito mais raras. A vaginose aparece quando há um desequilíbrio na flora bacteriana, que depois provoca um aumento das bactérias ‘más’. Trata-se facilmente mas pode ser recorrente.

Sintomas: Manifesta-se através de corrimento vaginal anormal, de cor branca ou acinzentada, acompanhado de mau cheiro (sobretudo após relações sexuais); dor, comichão, sensação de ardor ao urinar. No entanto, a maioria dos casos não tem sintomas.

Complicações: Não costumam aparecer, mas na grávida há um maior risco de parto prematuro, do recém-nascido ter baixo peso, bem como de a bactéria infetar o útero e as trompas, desenvolvendo doença pélvica inflamatória, gravidez ectópica e infertilidade. Foi também associada a um maior risco de infeções após uma histerectomia ou interrupção de gravidez e a um maior risco de contrair outras IST.

Tratamento: Com antibióticos.

Prevenção: Fazer o tratamento na totalidade e de forma correta, para evitar reincidências. Desaconselham-se também os duches vaginais.

3.Tricomoníase

Causada por um protozoário parasita com o estranho nome de trichomonas vaginalis, afeta ambos os sexos, mas os sintomas são mais comuns nas mulheres.

Sintomas: Corrimento vaginal de tom amarelo-esverdeado, espumoso e de odor intenso; irritação e comichão na área genital; desconforto durante o sexo e ao urinar ou, em casos raros, dor na parte inferior do abdómen.

Complicações: Quando não é tratada, em grávidas pode levar a parto prematuro ou bebés com baixo peso à nascença.

Tratamento: Trata-se com medicamentos antibacterianos, como o metronidazol or tinidazol. Deve ser feito a ambos os sexos, pois um homem infetado, mesmo sem sintomas, pode continuar a infetar outra mulher já tratada.

Prevenção: Preservativo.

4.Herpes

É provocada por dois vírus irmãos: o herpes simples de tipo 1 e tipo 2. A maior parte dos casos são provocados pelo segundo. Embora o primeiro também o possa causar, costuma ser mais responsável pelo herpes labial. O ginecologista Fernando Cirurgião explica: “Tal como no herpes labial, pode haver um episódio inaugural e passarem-se anos sem outro surto (ou até nunca haver outro). Mas situações como o calor ou stresse podem despoletá-los. Os surtos vão-se tornando mais espaçados ao longo dos anos.

A nível mundial, a incidência anda entre os 12% e os 14% da população.” As mulheres são mais afetadas.

Sintomas: Lesões na pele (bolhas que rebentam e deixam feridas, como no herpes labial), que desaparecem duas a quatro semanas depois. O primeiro surto (o mais severo) pode incluir sintomas como febre e gânglios inchados. Quem tem este primeiro episódio pode esperar mais três ou quatro ao longo de um ano, diz o CDCP. A transmissão normalmente acontece quando as feridas estão abertas mas também pode verificar-se quando a pele já não aparenta ter lesões.

Complicações:  Pode ser uma infeção grave em pessoas com problemas imu- nitários. Se a grávida tiver um surto ativo no momento do parto pode transmiti-lo ao bebé, mas é uma situação muito rara e resolvida através de cesariana.

Tratamento: Normalmente, são receitados antivirais. É uma infeção reincidente mas o número e intensidade dos surtos vai baixando. “A medicação ajuda a diminuir o desconforto dos sintomas e a frequência dos surtos, mas não há cura”, diz o ginecologista..

Prevenção: Durante os surtos, é aconselhada abstenção sexual. O preser-vativo ajuda a reduzir o risco de contágio. Pode ser transmitido através de lesões de herpes labial, por isso recomenda-se proteção também no sexo oral.

5.Papiloma Vírus Humano (HPV)

É a mais comum. Em 90% dos casos, o sistema imunitário encarrega-se de eliminar o vírus do organismo ao fim de dois anos de exposição. Há mais de 120 estirpes diferentes, a maior parte delas inofensivas. Mas também há estirpes capazes de infetar a região genital e anal. Dentro destas, existem as de baixo risco (não oncogénicas, ou seja, não progridem para cancro), que podem, no entanto, causar lesões benignas, como verrugas genitais (condilomas). Há ainda estirpes de alto risco, essas sim, responsáveis por lesões potencialmente cancerígenas no colo do útero.

Sintomas: Na maioria das vezes não existem, mas podem incluir ardor durante o sexo, comichão e corrimento anormal ou perda de sangue entre menstruações. O cancro cervical normalmente não apresenta sintomas até estar já num estágio avançado, por isso é importante fazer os exames de rotina, como o Papanicolau, para que seja detetado. Outros cancros relacionados com o HPV podem afetar o ânus, pénis, vulva, vagina. Para além da zona genital, as verrugas também podem aparecer na garganta e, eventualmente, causar rouquidão ou alguma dificuldade em respirar.

Transmissão: Por coito anal, oral e vaginal, mas não são as únicas formas de contágio (por contacto não sexual, através da pele, por exemplo).

Tratamento: As lesões das infeções por HPV podem ser tratadas através de criocirurgia (tratamento feito por um instrumento que congela e destrói o tecido anormal), laser, que corta ou destrói o tecido com lesões, eletrocauterização (que queima os tecidos nocivos), conização (um pedaço de tecido em forma de cone é retirado). Existem ainda tratamentos químicos, que se aplicam sobre as lesões, e imunomoduladores, que aumentam a resposta imunológica no combate à infeção.

Prevenção: “O rastreio passa pelo exame de Papanicolau, ou colpocitologia, feito anualmente, que dirá se existe alguma lesão sugestiva de vírus”, diz Fernando Cirurgião. Quando há lesões suspeitas, o médico pode  mandar fazer uma biopsia para análise, para saber o seu potencial cancerígeno.

Outra forma de prevenção é reduzir o número de parceiros sexuais. A vacinação também é muito importante. A vacina contra o Papiloma Vírus Humano está prevista no Plano Nacional de Vacinação para raparigas até aos 14 anos, mas a vacina também é eficaz em mulheres adultas. “Os estudos feitos até agora demonstraram que as mulheres até aos 46 anos têm capacidade de desenvolver defesas imunitárias, ou seja, a vacina é eficaz e sabendo que não tem contraindicações formais, pode valer a pena fazer. O custo é o problema, pois é uma vacina cara”, comenta Fernando Cirurgião.

6.Hepatites

O contacto sexual é uma das formas de transmissão do vírus da hepatite A, B e C, que infetam o fígado. Na tipo C o risco de contágio mais provável é através do contacto com sangue contaminado.

Sintomas:

HEPATITE A • Pode assumir uma forma ligeira ou moderada, sem que apresente grandes sintomas; alguns dos mais comuns são febre, dores de cabeça ou barriga, náuseas, e, por vezes, icterícia.

HEPATITE B • Calcula-se que apenas metade dos casos apresentem sintomas (que podem demorar até seis meses a aparecer): dores abdominais, perda de apetite, icterícia, dores nas articulações, urina escura e fezes esbranquiçadas. Raramente resulta em complicações graves, como falência hepática.

HEPATITE C • Em 20% dos casos, a infeção pode ser aguda e os sintomas surgem 1 a 3 meses após o contágio: mal-estar, náuseas, vómitos, icterícia, comichão pelo corpo, cansaço e dor abdominal na zona do fígado. Considera-se como crónica se o vírus ainda estiver no organismo seis meses após a contaminação. Pode ficar no organismo durante 20-30 anos, sem sintomas, até que começam a aparecer complicações sérias, como cirrose ou cancro do fígado (entre 30 e 50% dos casos).

Tratamento e prevenção: Não existe tratamento específico para os vírus A e B, mas a prevenção é fácil e pode ser feita através de vacina. No caso da hepatite C, a imunização não existe e o tratamento com medicamentos visa evitar ou atrasar a progressão da doença para cirrose ou falência hepática, através de medicamentos. Usar o preservativo durante as relações sexuais reduz o risco de contágio.

7.Gonorreia

Provocada pela bactéria neisseria gonorrhoeae, afeta a boca, garganta, ânus e olhos. Logo, o sexo anal e oral também são formas de contágio.

Sintomas: Nem sempre há sintomas, e mesmo quando se manifestam costumam ser ligeiros ou moderados. Corrimento vaginal anormal, ardor ou dor ao urinar e perda de sangue entre menstruações. Nos homens, pode  incluir ardor ao urinar, corrimento amarelado ou esbranquiçado e testículos inchados e doridos.

Complicações: Se não for tratada, pode causar infertilidade masculina e doença pélvica inflamatória das mulheres. Apesar de ser muito raro, a infeção não tratada pode espalhar-se para o sangue e articulações, representando risco de vida.

Tratamento: Com antibióticos, sobretudo nos jovens adultos. No entanto, informa o CDCP, as estirpes resistentes a antibióticos estão a aumentar um pouco por todo mundo. Por isso, é mesmo importante seguir à risca o tratamento.

Prevenção: O uso correto do preservativo. Aos primeiros sintomas, aconselha-se abstinência sexual até o tratamento estar completo, tanto para doente como para  parceiro.

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