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Primeiro trimestre
Cansaço e sonolência
O início da gravidez leva o corpo a aumentar os níveis de progesterona e esta hormona vai intervir na produção da placenta, o que representa um esforço extra para o organismo. Sentir-se mais cansada e cheia de sono é só uma maneira do seu corpo lhe dizer que tem de abrandar um pouco o ritmo e preparar-se para a gravidez.
O que fazer: Durma pelo menos oito horas. Se conseguir, faça uma pequena sesta de 15 ou 20 minutos depois da refeição, ou relaxe.
Náuseas e vómitos
Um dos primeiros sinais de gravidez costuma acontecer de manhã e afeta 80% das grávidas. Algumas mulheres passam toda a gravidez com enjoos, mas para a grande maioria eles desaparecem no segundo trimestre. São causados pelas profundas alterações hormonais que o corpo sofre no início da gestação. Mas atenção: não estão associados a diarreia, febre ou cólicas. Se isso acontecer, avise o seu médico pois pode tratar-se de outro problema de saúde.
O que fazer: Beba muitos líquidos, para não desidratar. Faça refeições leves e frequentes – estar em jejum pode aumentar as náuseas. Evite os fritos, refeições pesadas e alimentos muito condimentados ou com cheiros que a enjoam. Mezinhas caseiras incluem cheirar limões acabados de cortar, beber ginger ale ou chá de gengibre.
Dores de cabeça
Provavelmente causadas pela alteração hormonal ou até pelo maior stresse físico e emocional, melhoram ou desaparecem ao longo da gravidez em 2/3 das mulheres. Quem já sofria delas antes de engravidar tem um risco acrescido de continuarem nesta fase. Em casos normais não representam sinal de perigo, mas esteja alerta se, sobretudo no fim do segundo trimestre, uma dor de cabeça intensa e repentina vier acompanhada de alterações na visão, dores abdominais ou inchaço de mãos e pés. Podem ser sinais de pré-eclampsia, um aumento da tensão arterial perigoso para a mãe e bebé.
O que fazer: Durma bem, pelo menos oito horas. Os analgésicos não são recomendados. Coma pouco, a cada duas ou três horas – passar muito tempo sem comer pode desencadear dores de cabeça. Evite o stresse e as situações que lhe causam ansiedade – vão agravar as crises.
segundo trimestre
Varizes
São mais frequentes a partir do final do segundo trimestre e durante o terceiro. Afetam cerca de metade das grávidas. O crescimento do útero provoca a compressão das veias abdominais, que trazem o sangue das pernas. Para além disto, a progesterona que o seu organismo produz durante a gravidez provoca o relaxamento das paredes venosas.
O que fazer: Caminhe meia hora por dia. Sente-se ou deite-
-se com as pernas ligeiramente elevadas. Use meias de descanso. Evite fontes de calor diretas, como depilação com cera quente ou uma longa exposição ao sol.
Pré-eclampsia
Pode afetar uma em cada 10 grávidas. A maioria, felizmente, tem uma forma mais leve deste problema. Pode aparecer no final do segundo trimestre ou princípios do terceiro, quando a tensão arterial da grávida sobe acima do limite recomendado (14/9). Se não for vigiada, traz riscos de vida para a mãe e bebé. O risco de pré-eclampsia é maior em gravidezes de gémeos, mulheres que já tinham problemas de hipertensão ou problemas renais, bem como em diabéticas.
Para além da hipertensão, os sintomas incluem dores de cabeça fortes, aparecimento de manchas ou pontos cintilantes no campo de visão, mau funcionamento dos rins, edemas no corpo e dores abdominais.
O que fazer: O descanso em casa é recomendado pelo médico a mulheres que já têm fatores de risco. Se o quadro clínico se instalar definitivamente, ou seja, se progredir para eclampsia – cujo principal sintoma são as convulsões e que pode levar ao coma – o internamento hospitalar é urgente, pois a vida da mãe e bebé podem estar em risco. Esta doença provoca a fraca irrigação da placenta e oxigenação do feto.
Diabetes gestacional
Acontece em mulheres que nunca tiveram diabetes antes, mas geralmente desaparece depois da gravidez e os bebés nascem saudáveis. Por volta da 24.ª semana há uma maior necessidade de insulina, e se o corpo não conseguir produzir a quantidade adequada o nível de açúcar no sangue (glicemia) aumenta. O rastreio é feito entre a 24.ª e a 28.ª semana através do Teste Oral de Tolerância à Glicose.
O que fazer: As grávidas com diabetes gestacional passam a ser seguidas por um especialista em endocrinologia, que pode aconselhar-lhe o melhor exercício físico e cuidados alimentares adequados. Algumas grávidas com diabetes precisam da administração de insulina. Atenção aos hidratos de carbono, não apenas nos doces mas também no pão, massas, batatas, arroz e fruta como uvas ou figos. Controle a glicemia em casa, com um medidor.
Terceiro trimestre
Hemorroidas
Um problema comum na fase final da gravidez e que, geralmente, é consequência de problemas como prisão de ventre, da maior pressão do feto e de uma maior irrigação da região genital e anal. Tudo isto pode resultar na inflamação nas veias anais, que causa ardor, dor e pequenas hemorragias.
O que fazer: Evite comidas pesadas e muito condimentadas ou picantes. Coma mais fibras para combater a prisão de ventre – fruta, legumes, cereais integrais. Pomada para as hemorroidas ou compressas de água fria aliviam.
Pequenas contrações
Pode começar a senti-las, sobretudo a partir do sétimo mês. Este é o sinal de que o seu corpo se está a preparar para o parto. Sentem-se leves picadas, que param ao fim de alguns minutos, mas que não devem ser dolorosas. A parede abdominal também pode enrijecer e provocar uma sensação semelhante.
O que fazer: Repouse e deite-se um pouco. As contrações devem parar ao fim de uns minutos. Se isto não acontecer e a dor for forte, contacte o seu médico com urgência.
Calor e afogueamento
Devem-se ao facto de o metabolismo basal ter aumentado cerca de 20%, bem como a transpiração.
O que fazer: Use roupa leve e tecidos naturais, que deixem passar a transpiração. Beba muitos líquidos.
Cãibras
Pode senti-las, sobretudo à noite, depois de um dia cansativo em que os músculos das pernas foram mais sobrecarregados. No entanto, também podem dever-se à carência de minerais como o potássio ou cálcio.
O que fazer: Evite esforços. Use meias elásticas. O médico pode receitar-
-lhe suplementos de minerais, sobretudo de magnésio.
Ao longo da gravidez
Desmaios e tonturas
O volume de sangue no corpo aumenta durante a gravidez. Sempre que faz um movimento mais rápido, pode sentir tonturas, já que se dá uma mudança brusca de sangue do cérebro para outras áreas. Também podem ter a ver com descidas súbitas do nível de açúcar no sangue.
O que fazer: Coma a cada três horas, levante-se lentamente e não faça movimentos bruscos. Se sentir tonturas, procure um local arejado e mantenha a cabeça baixa.
Cáries
A composição da saliva muda com a alteração hormonal. Os dentes ficam mais vulneráveis a cáries e as gengivas podem inchar e sangrar.
O que fazer: No início da gravidez, consulte o dentista, evite doces e aumente a frequência da higiene oral. Coma mais alimentos ricos em cálcio, vitaminas e minerais.
Urinar frequentemente
Quanto mais o útero cresce, maior a pressão que exerce sobre a bexiga. Além disso, o nível de líquidos no corpo é muito maior. A partir do terceiro trimestre podem ocorrer pequenas perdas involuntárias quando faz algum esforço, tosse ou ri. Estas perdas são mais comuns em mulheres que já foram mães, pois a uretra sofre um ligeiro desvio depois de cada gestação.
O que fazer: Não beba menos líquidos para minorar o problema. Peça ao ginecologista para lhe ensinar alguns exercícios para fortalecer os músculos do períneo. Se as perdas de urina não desaparecerem depois do parto, consulte de imediato o médico. A gravidez é um dos maiores fatores de risco para a incontinência urinária permanente.