Rita Rocha é uma das maiores afirmações da música portuguesa, dos últimos dois anos (Foto: Sebas Ferreira)

Tem apenas 16 anos, mas a sua voz já nos é bastante familiar. Canta o amor, o desamor e a vida como ela é, numa magnitude e intensidade que vão muito para além da idade que tem. E é por isso que Rita Rocha é um caso sério de talento e uma afirmação da pop nacional. Músicas como “Mais ou Menos Isto”, “Judo” ou “Outros Planos” já fazem parte dos nossos dias e estabeleceram-se no panorama musical português por direito próprio. E tudo porque Rita sempre acreditou que os sonhos podem ser reais, mas passou a experienciar isso quando participou no The Voice Kids e, a partir daí, estabeleceu uma relação de admiração, cumplicidade e amizade com Carolina Deslandes, a sua mentora e uma das suas maiores fãs. Carolina deu-lhe a mão e mostrou-lhe como se agarram os sonhos e hoje Rita percorre orgulhosamente esse caminho onde o talento fala sempre mais alto. Em conversa com a ACTIVA online, mostrou um bocadinho mais de si e deste caminho.

“Não sou de falar, sou de esconder”, cantas. As palavras que não dizes fazem depois mais sentido nas músicas que compões e interpretas?

Sim! Para mim é muito mais fácil expressar qualquer tipo de sentimento através do canto do que propriamente num discurso direto.

As letras que cantas seguem a linha da tua vida. Poderes cantar o que vives, envolva felicidade ou dor, é uma forma de processares os sentimentos?

Sem dúvida. Acho que aquilo que para mim é tão difícil de dizer, torna-se mais fácil de escrever e cantar. Tudo aquilo que não consigo expressar tão bem num discurso cara a cara vai parar às minha notas do telemóvel.

A par da música, a medicina é outra das grandes paixões de Rita Rocha (Foto: Sebas Ferreira

Torna mais fácil de gerir as dores de crescimento?

Eu sou só uma miúda de 16 anos que tem as suas frustrações, inseguranças e ambições próprias da idade. Fica mais fácil geri-las quando escrevo e canto sobre elas.

E como te sentes ao ver tanta gente a cantar-te a ti?

É inacreditável ver que tanta gente se relaciona com as minhas canções. Quando eu me relaciono com uma canção, vai logo parar à minha playlist preferida. E o facto de estar na playlist preferida de alguém é algo que considero um privilégio.

Aquilo que para mim é tão difícil de dizer, torna-se mais fácil de escrever e cantar. Tudo aquilo que não consigo expressar tão bem num discurso cara a cara vai parar às minha notas do telemóvel.

Li uma frase tua em que dizias que costumavas cantar no chuveiro, para zero pessoas. Mas a realidade agora é muito diferente. Como se gere tamanha mudança?

Na verdade, não é muito difícil se tivermos as pessoas certas ao nosso lado. De facto, tudo mudou e muito rápido, mas apesar de ocasionalmente cantar para mais pessoas para além da minha família, também continuo a cantar no banho sozinha.

Percebeste cedo o que querias fazer e é cedo que estás a conseguir concretizar os teus sonhos. Falar de felicidade é pouco para tudo o que isto representa?

Acho que é quase impossível descrever em palavras o que sinto com isto tudo. Acho que qualquer palavra é pouco.

A música sempre fez parte dos sonhos da cantora

Tens 16 anos, mas quem te ouve dificilmente o adivinha. Quando se canta o amor e o desamor, há uma profundidade inerente?

Acho que canto sobre o amor desde que me lembro e acho que é transversal a todas as idades. Com dez anos escrevia sobre o amor de uma determinada maneira e hoje em dia escrevo de outra. Provavelmente aos 30 vou continuar a escrever sobre o amor, mas de outra maneira… A profundidade do tema não está tanto na idade, mas na visão que temos dele, sendo que nunca é suficiente, há sempre coisas a dizer sobre o amor.

A palavra normalidade ainda cabe nos teus dias de adolescente ou torna-se difícil enquadrá-la, com tudo o que tens vivido através da música?

Depende do que se considera normalidade. Consigo fazer tudo que fazia antigamente, mas aprendi a organizar melhor a minha vida.

É inacreditável ver que tanta gente se relaciona com as minhas canções.

Como imaginas os próximos anos?

Não gosto muito de pensar no futuro, gosto de desfrutar o presente que está a ser tão bom. Mas, se o futuro se equiparar com este presente, sei que vou ser uma privilegiada porque vou estar a fazer aquilo que realmente gosto.

Sentes que encontraste o teu destino?

Acho que sempre soube que queria fazer da música grande parte da minha vida e sei que, se o conseguir, é muito devido a todas as pessoas que caminharam ao meu lado e uma grande agência que acreditou em mim quando eu própria não acreditava.

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