
(Foto: RoyalFamily)
De amante, a duquesa, a rainha, a história improvável de Camilla demonstra como aquilo que seria completamente impensável há largos anos, vai mesmo acontecer. Sinal de uma monarquia que se está a modernizar e de uma sociedade que evoluiu na forma fechada como via o casamento e as tradições. Camilla, que já foi considerada a mulher mais odiada do Reino Unido, prepara-se para se tornar rainha de um povo que tem aprendido a amá-la.
Este não tem sido um caminho particularmente fácil, já que Camilla sempre foi a terceira pessoa no casamento de Carlos e Diana. Era com ela que, na altura, o príncipe Carlos desejava casar e foi com ela que, mesmo depois de ter jurado o seu amor e fidelidade a Diana, continuou a manter um relacionamento muito pouco discreto. Vista como a responsável pelo fim deste casamento e, em parte, pela infelicidade da princesa Diana, Camilla foi odiada pelos britânicos – e pelo mundo em geral – de uma maneira muito visceral. Mas tem conseguido afastar-se da imagem de outrora e contra todas as expetativas – e tradições – vai mesmo sentar-se ao lado do rei no dia da coroação, perdendo o título de consorte e passando a reinar como rainha efetiva. Esta mudança, que se revela profundamente importante, é muito sintomática de como o rei Carlos III pretende que Camilla seja vista, opondo-se diametralmente à forma como a instituição de facto a vê.

(Foto: RoyalFamily)
De facto, a rainha Isabel II foi clara ao manifestar que queria que Camilla fosse tratada como rainha consorte, quando Carlos fosse tornado rei. Indo claramente contra a vontade manifesta da mãe, Carlos não só deixou cair o consorte, como fez questão que Camilla também fosse coroada amanhã, depois da sua cerimónia de coroação. Ora, Carlos querer que a mulher com quem se casou em 2005 seja tratada por rainha acaba por ser muito simbólico, já que é uma forma de a legitimar neste seu papel, não permitindo que se volte a poder questionar o lugar que tem na família real.
Na cerimónia de amanhã, Camilla vai chegar ao lado do marido à Abadia de Westminster e participará em rituais semelhantes durante a coroação. Será envolta em robes cerimoniais e ungida com óleo sagrado. Receberá um anel simbólico, um bastão e um ceptro das joias da Coroa. E será tornada rainha com a coroa usada pela Rainha Mary, na coroação de 1911.

(Foto: RoyalFamily)
A história que vê, amanhã, um capítulo inédito ser escrito, começou em 1971, quando Carlos e Camilla se conheceram tendo ambos pouco mais de 20 anos. Foi uma amiga em comum que os apresentou e que já na altura fez questão de lhes relembrar de como os laços entre as suas famílias já se cruzavam. Isto porque a bisavó de Camilla, Alice Keppel, foi amante do rei Eduardo VII. Embora esse também tenha sido um lugar ocupado durante muitos anos por Camilla, a futura rainha de Inglaterra prepara-se agora para começar a ser vista com a importância com que Carlos sempre quis que a vissem.