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Em 1940, um estudo separou dois grupos de crianças. Ambos foram privados de necessidades básicas, como comida ou abrigo, refere a hipnoterapeuta Jessica Morales, para a Psychology Today. Num deles, foi ainda negado o toque. Nesse grupo, quase metade morreu. Haverá forma mais dura de evidenciar o quanto o toque é essencial à existência humana?

Está provado que este é capaz de reduzir os níveis de cortisol, em resposta ao stress, bem como de libertar hormonas que nos fazem sentir bem. Podemos sentir uma maior conexão e compaixão pelos outros, tornar-nos mais resilientes, menos deprimidos e ansiosos, entre tantos outros benefícios. E tudo isto parece justificar o facto de ouvirmos dizer que os níveis de ansiedade aumentaram muito desde o início da pandemia.

Afinal de contas, estamos há um ano a enfrentar uma ameaça invisível cujo impacto tem sido devastador. E, para não morrermos da doença, é-nos pedido que nos abstenhamos de algo que, precisamente, também nos permite sobreviver. Há um ano que não abraçamos – pelo menos, não sem medo. Há um ano que o virtual se assumiu como substituto do presencial – mas que nunca o será. Há um ano que sobrevivemos sem uma peça essencial.

Morales cita um outro estudo, realizado pelo The Touch Research Institute, que veio provar que pessoas que tinham tendência a comportamentos agressivos os diminuíam quando submetidos a terapia com massagem. Foi observado um aumento da empatia, associado a elevados níveis de serotonina. Afinal de contas, o toque é uma linguagem universal, capaz de nos conectar a um nível mais profundo.

Tendo isto em mente, e na impossibilidade de abraçarmos todos aqueles que queremos abraçar, sem os receios atuais, podemos mudar o discurso para algo mais positivo: estamos cada vez mais perto de o poder fazer. Já passou um ano – cheio de sacrifícios por um bem maior e que, com certeza, nos fará apreciar ainda mais cada oportunidade para beijar, abraçar, partilhar uma carícia, para estar perto.

Até lá, há algumas coisas que a hipnoterapeuta sugere que façamos:

  • dar abraços mais demorados – se vive com alguém, aproveite para se focar em abraçar a pessoa de forma mais intencional. Um abraço de cerca de 20 segundos pode ter um impacto muito positivo no nosso bem-estar.
  • abrace o seu animal de estimação – ter uma companhia destas em altura de pandemia pode ser ainda mais importante. Aproveite para mimar o(a) seu(sua) companheiro(a) ainda mais.
  • dê as mãos – se tem filhos ou namorado(a), deem as mãos sempre que possível, seja quando estão sentados no sofá, ou durante um passeio pelo parque.

Para finalizar, lembremo-nos que tudo é temporário. Como humanos que somos, temos maior tendência a aceitar isto em situações positivas – afinal, tudo que é bom demais chega ao fim, não é? Mas a verdade é que o contrário também acontece – nada de mau dura para sempre. Vamos tentar ver o copo meio cheio? É que vê-lo meio vazio nunca nos fez lá muito bem.

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