
Com a crescente popularidade de regimes alimentares de bases vegetais, cada vez mais pessoas estão a procurar alternativas ao leite para os vários momentos de consumo do seu dia-a-dia, seja nos cereais de pequeno-almoço, nos lattes, nos smoothies ou até mesmo nos cozinhados.
No entanto, nem sempre é fácil encontrar bebidas vegetais saborosas e suficientemente versáteis para múltiplas utilizações. O sabor específico, as funcionalidades ou os elementos nutricionais das várias bebidas vegetais são características que fazem com que seja necessário ter duas ou três opções para diferentes utilizações… pelo menos, era assim até agora.
E digo até agora porque a ervilha amarela começa a assumir-se como uma nova alternativa aos alimentos de origem animal. Pelo seu teor e qualidade proteica e por ter um sabor e textura suaves, a ervilha amarela começa a ser usada como base para bebidas vegetais porque não tem cor verde, nem transfere “sabor a ervilha”. Depois da soja, da amêndoa, do coco, da aveia e do arroz, por exemplo, será a ervilha amarela a nova geração de proteína vegetal?
Uma coisa é certa, os benefícios da ervilha amarela são mais do que muitos. A saber:
Do ponto de vista nutricional
A ervilha amarela é uma excelente fonte de proteínas, com um teor equivalente à carne (20 a 25 g/100g) e de boa qualidade biológica uma vez que tem os 9 aminoácidos essenciais. É ainda uma boa fonte de fibra e fornece ainda quantidades relevantes de alguns minerais como cálcio, ferro, magnésio, selénio e vitaminas como o ácido fólico. Contém hidratos de carbono de absorção lenta, tem baixo teor de gordura e é fonte de substâncias bioativas, como compostos fenólicos, flavonóides, isoflavonas e outros antioxidantes.
Do ponto de vista ambiental
As leguminosas (ervilhas) têm uma capacidade natural e única de ajustar o nitrogénio (utilizado na síntese da proteína) presente no ar, devido a uma relação simbiótica com os microrganismos presentes nas raízes das suas plantas. Requerem poucos fertilizantes químicos, fornecendo um benefício ambiental direto. Além disso, a colheita das ervilhas provoca a redução da necessidade de fertilização química das próximas cultivações durante a rotação do cultivo. Em suma, a utilização da ervilha é uma das maneiras mais sustentáveis e eficazes de produzir proteína, sobretudo, devido aos poucos recursos hídricos necessários para alimentar estas plantas e à reduzida ocupação do espaço de cultivo. A plantação de ervilhas emite gases de efeito de estufa reduzidos em comparação com outras plantas que são utilizadas como fontes de proteína, e são muito melhores do que proteínas de origem animal.
Já não há dúvidas que está em curso uma revolução alimentar silenciosa que está a mudar a forma como as pessoas se alimentam. Na Europa, pelo menos quatro em cada 10 consumidores estão já a escolher algumas alternativas aos laticínios e pedem melhores opções, nutricionalmente ricas e com sabores mais neutros.
A ervilha amarela surge, assim, como um ingrediente de enorme potencial, para produtos alternativos à proteína animal, respondendo às necessidades nutricionais com um menor impacto ambiental.