@pernilleteisbaek

Todos nós queremos ser os melhores pais que podemos para os nossos filhos, mas, muitas vezes, os conselhos que recebemos são contraditórios. Além disso, com toda a informação na internet à nossa disposição, é difícil saber em quem (ou no que) confiar.

Não existe uma maneira certa de criar um filho, mas a forma como criamos as nossas crianças ao longo dos tempos, com base no autoritarismo e sem conhecimentos acerca do que está por detrás dos comportamentos mais “desobedientes” das crianças, recorrendo ao castigo, ao grito, à humilhação e até à palmada precisa de ser urgentemente mudada. Primeiro, porque hoje sabemos mais e melhor acerca do desenvolvimento das crianças para conseguirmos adequar os nossos comportamentos parentais. Depois, porque a ciência demonstrou há já muito tempo e em diversos estudos a ineficácia e os efeitos negativos destas práticas parentais para o futuro das crianças.

Apesar de pequeninas, as crianças são pessoas e merecem todo o respeito do mundo, bem como ser tratadas tal qual gostaríamos que nos tratassem. Sermos gentis com os nossos filhos não nos impede de disciplinar, guiar e corrigir, mas garante-nos que essa orientação não os magoa. A investigação tem demonstrado que quando se disciplina as crianças com base no respeito, elas são muito mais colaborantes connosco e conseguimos ter muito mais impacto na formação da sua personalidade.

Muitas vezes, confunde-se tratar as crianças com respeito, sendo gentil, com ser permissivo na sua educação. Nada poderia estar mais errado. Porque mostrar respeito aos nossos filhos não significa não colocar limites ao seu comportamento, até porque as crianças precisam e desenvolvem-se sentindo os limites à sua volta. Mas estes limites não têm de ser transmitidos aos gritos ou com necessidade de nos transformarmos num rottweiler assustador, de outra forma estaremos também a ensinar os nossos filhos a gritar, a humilhar e a bater.

O nosso mindset acerca das crianças e da parentalidade TEM que mudar. Aqui ficam 10 verdades sobre este assunto:

1. Um bebé não pode ser “treinado” para dormir!

A ideia de que os bebés conseguem e devem “dormir a noite toda” sozinhos tornou-se tão vulgar nos últimos anos na nossa sociedade (dita moderna) que aqueles pais e mães que se atrevem a ir contra a maré acabam por sofrer críticas duras de quem os rodeia.

O problema do esgotamento dos pais não está no sono dos bebés (porque esse na maior parte das vezes é normal e expectável para o seu desenvolvimento), mas sim nas condições que a nossa sociedade dá àqueles que querem ter filhos. Enquanto não percebermos que esse é o problema e que temos de arranjar soluções para ele, vamos a cair na falácia de argumentar que o problema é o sono dos bebés, tentando resolvê-lo sem sucesso.

Pior do que isso, se fazemos os pais acreditarem que o seu bebé ou criança pequena tem um problema e que a solução passa em “treiná-lo” para que seja “normal”, vamos impelir os pais a desligarem-se dos seus bebés e daquilo que instintivamente lhes parece certo… vamos criar mais adultos desconectados e vazios, que irão ceder a tudo na tentativa de preencher esse vazio.

2. O bebé adormecer na mama é uma norma biológica, não um vício!

Muitos pais questionam-me sobre se deixar o bebé adormecer na mama ou dar mama durante a noite para o bebé voltar a dormir será bom ou prejudicial para o seu sono, como tantas vezes ouvimos dizer que se trata de uma “associação do sono” negativa. Na verdade, é normal, saudável e biologicamente apropriado ao desenvolvimento. As razões são óbvias e os factos evidentes: a amamentação é uma ferramenta inestimável para os pais durante a noite, muito mais adequada e biológica do que treinos do sono e isolamento dos bebés nos seus quartos. Para além da sua função nutritiva, a amamentação é biologicamente projetada para confortar e ajudar um bebé a adormecer e a dormir melhor. Acalma o bebé e pode até ajudá-lo a lidar melhor com o stress.

3. O colo nunca é demais nem estraga os bebés!

Os humanos são mamíferos de colo. Os nossos bebés são programados para precisarem de contacto próximo contínuo nos primeiros meses, mudando gradualmente para mais independência à medida que crescem.

Os bebés que passam mais tempo com as mães e têm mais carinho, colo e mimos durante períodos de stress, têm cérebros mais desenvolvidos, maiores e mais saudáveis do que os bebés que não se relacionam tão frequentemente com as mães ou com os cuidadores mais próximos. Mais ainda, o colo afeta o DNA do bebé: a investigação mostra que algo tão simples quanto dar colo ao bebé pode causar mudanças nos seus genes, o que pode alterar a sua saúde e desenvolvimento para a vida.

4. O choro do bebé deve ser sempre atendido!

Os bebés não conseguem acalmar-se sozinhos. O choro é a única forma deles nos dizerem que precisam de conforto, de atenção e de colo. Quando nascemos, o nervo vago, que é responsável por nos ajudar a acalmar, não se encontra ainda mielinizado (e por isso não está totalmente funcional até o fim da adolescência). Os bebés aprendem a regular-se através da corregulação numa relação segura com o seu cuidador principal (normalmente os pais). O toque, ou seja, o colo é a ferramenta mais poderosa que um pai ou mãe usa para ajudar a acalmar um bebé ou criança pequena.

5. Bater nunca, mesmo que seja “apenas uma palmadinha”

A chamada “palmada educativa” ensina muitas coisas, nenhuma das quais positiva: ensina a bater nas pessoas mais fracas para se conseguir o que quer e ensina que o nosso amor enquanto pais está condicionado ao seu bom comportamento. Ensina também que atos de agressão são aceitáveis, desde que sejam para “ensinar”. E isto apenas no que diz respeito aos efeitos a curto prazo, porque quando pensamos em efeitos a longo prazo, inúmeras investigações já demonstraram que o castigo físico tem repercussões negativas na autoestima da criança e está relacionado com problemas de saúde mental no futuro.

6. Não devemos abandonar a criança no momento da birra

As birras são um dos aspetos mais desafiadores da parentalidade. No entanto, fazem parte do desenvolvimento normal da criança e devem ser vividas como tal. Por isso, nestes momentos, é importante tentar compreender a criança, tendo presente que a forma como o fazemos terá um grande impacto na pessoa em que se tornará. No momento da birra tenha paciência, respire e recomponha-se. Fique do lado da sua criança e tente ver as coisas pela perspetiva do seu filho.

7. Não devemos tirar as fraldas à criança, ela é que larga as fraldas

Parece haver uma pressão enorme para as crianças deixarem as fraldas rápido e cedo, com ideias curiosas como: “o verão parece ser uma boa altura para as crianças deixarem as fraldas” ou “as fraldas estão a ficar muito caras e precisamos que deixem de as usar rapidamente”, entre outras. Mas, na verdade, o desfralde é um marco muito sensível do desenvolvimento dos bebés e não pode ser propriamente ensinado.

O desfralde é um processo delicado e que depende de três áreas do desenvolvimento do bebé, que vão evoluindo de forma mais ou menos previsível: a criança tem de ter um desenvolvimento motor e neurofisiológico, tem de ter competências emocionais e competências cognitivas para fazer o desfralde. Resumindo, as crianças devem largar as fraldas quando não estão preparadas e não quando nós achamos que é a altura certa.

8. Não faz sentido obrigar a partilhar

Forçar o seu filho a partilhar não lhe vai ensinar as competências sociais que pretende que ele desenvolva; pelo contrário, pode aumentar os momentos de birra! Os mais pequeninos ainda não têm ideia do que significa partilhar. Eles ainda não sabem com certeza se são pessoas separadas e individuais e estão a testar esta hipótese (ao construir um sentido de identidade), em grande parte alcançado através do sentido de propriedade: “Eu tenho, logo existo”.

Quando eles agarram tudo e precisam de tudo para si mesmos, eles não estão a ser egoístas – eles estão a fazer o seu papel de cientistas, ao testar a hipótese de que, afinal, são indivíduos únicos e independentes. O mundo é o seu laboratório.

Mas não deveríamos promover a partilha? Claro… e é exatamente isso que vai fazer, ao esperar até que o seu filho esteja mentalmente e emocionalmente pronto para ver a partilha como um gesto de carinho e não como “O quê? Como te atreves a tirar-me isso?”.

9. Castigo ou cadeirinha do pensamento, nunca!

O cérebro das crianças pequenas ainda está em desenvolvimento e por isso elas são incapazes incapacidade de refletir acerca do seu comportamento. Quando as crianças se “portam mal”, leia-se não obedecem às nossas instruções, elas estão a transmitir-nos da forma que sabem e podem (muitas vezes desafiadora e rude) que têm uma necessidade não atendida. Necessidade esta que pode ser estar com fome, com raiva, a sentir-se só, cansada etc. Isolar a criança quando ela está a ter esta experiência interior, independentemente da sua idade, raramente irá contribuir para ajudar a controlar seu comportamento.

O facto de privar a criança do amor incondicional por ela no momento em que mais precisa só irá contribuir para que ela se sinta confusa, com raiva e com um sentimento de abandono pelo que ela é.

10. Não devemos obrigar a dizer “obrigada”

As boas maneiras e a educação não podem ser forçadas. Claro que, como pais, sentimos a pressão em público. Ninguém quer parecer mal-educado. Ninguém quer que os outros pensem que os filhos são indelicados ou que os pais não souberam dar educação. Contudo, também sabemos que quando perguntamos “o que é que se diz?” ao ouvido do nosso filho, forçando assim as boas maneiras, fazemo-lo puramente para o nosso conforto.

A melhor forma de ensinar boas maneiras é mostrando-lhes o mesmo respeito e a mesma gratidão. Incentivamos a gratidão sendo gratos, incentivamos a ajuda ajudando-os, sem condições, incentivamos a empatia sendo empáticos com eles, encorajamos as boas maneiras tendo boas maneiras.

Como disse a Madre Teresa: “O que você pode fazer para promover a paz mundial? Vá para casa e ame a sua família”.

Está nas nossas mãos fazer a mudança e investir no futuro de uma sociedade mais saudável e feliz!

Os textos nesta secção refletem a opinião pessoal dos autores. Não representam a ACTIVA nem espelham o seu posicionamento editorial.

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