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A decisão está tomada: o que fazer?

1. A resolução do divórcio não deve ser escondida da criança: “independentemente da idade, sabemos que as crianças, mesmo muito novas, percebem perfeitamente o que se passa à sua volta. Se os pais optarem por lhes contar quando o divórcio já está consumado, é natural que fiquem ainda mais sentidas e comecem a ter dificuldade em confiar neles.”

2. Tenham uma conversa aberta com o vosso filho (os dois!): quando isso não sucede, não é de espantar que lhe passem pela cabeça inúmeros pensamentos que, só por si, lhe vão provocar um enorme sofrimento (“será que os meus pais já não gostam de mim?”). “Para ele, será certamente mais fácil entender que os pais deixaram de gostar um do outro e que se vão separar, mas deve ser deixado claro que serão seus pais para sempre, mesmo depois de deixarem de ser marido e mulher.”

3. Sejam suficientemente claros para evitar equívocos, nomeadamente a esperança de que se tratou apenas de uma simples discussão e que o divórcio é uma situação temporária. “O ambiente deve ser tranquilo, sem discussões. Os pais nunca se devem culpar um ao outro.”

Idade a idade: qual a diferença?

4. Por volta dos dois anos, é fundamental manter as rotinas, assim como assegurar o contacto com ambos os progenitores. “Lembre-se que criança ainda não tem capacidade para entender o que é o casamento, portanto, a questão do divórcio surge de forma diferente. A falta abrupta de um dos progenitores pode ser bastante traumática e não é assim tão rara, pois muitas vezes o pai deixa de fazer visitas, desaparecendo da vida da criança.”

5. Entre os 3 e os 6 anos, atenção aos erros que comprometam o desenvolvimento emocional da criança. “É por volta dos três anos que a criança cria uma aliança com o progenitor do sexo oposto e, mais tarde, por volta dos seis, começa a identificar-se com o progenitor do mesmo sexo. Por exemplo, é comum um menino aos três anos querer dormir com a mãe. Quando os pais estão juntos este desejo é automaticamente proibido. Mas, quando surge um divórcio, algumas mães cedem sem suspeitarem que a decisão pode ter reflexos negativos no futuro.”

6. Quando estão em idade escolar, é essencial que não ceder a birras ou ser-se demasiado benevolente.”A criança já tem maior capacidade para pensar sobre o divórcio, falar sobre ele e compreendê-lo. Mas também já sabe que a separação dos pais pode ser uma forma de os manipular, ou seja, de utilizar os pontos fracos de cada um em seu benefício (“se me castigas, vou viver com o pai”).”

Que reacções esperar?

7.Não se assuste, pois são comuns alguns comportamentos regressivos (falar “à bebé”, voltar a fazer xixi na cama, mau comportamento na escola, isolamento). “As reacções variam de criança para criança e são em parte determinadas pela relação prévia que estabeleceram com os pais. É completamente diferente um divórcio que ocorre após vários anos de agressões físicas, de uma separação que tem lugar sem agressões.”

8.Prepare-se para reacções de hostilidade, com frequência mais dirigidas ao progenitor com quem a criança vive, que pode culpar de ser responsável pela separação. Dê-lhe tempo para aceitar a mudança. Não custa nada dedicar alguns minutos por dia a conversar com o seu filho sobre o que se está a passar, sobre os seus sentimentos e medos.

Custódia partilhada: sim ou não?

9. A decisão em relação à custódia dividida deve ser bem ponderada. “Quando os pais, mesmo divorciados, têm uma boa relação, quando a criança já é crescida, quando não tem problemas ao nível da instabilidade emocional, pode ser uma hipótese a considerar.”

10. É fundamental que os pais pensem se este regime beneficia a criança. Será benéfico para a criança mudar de casa todas as semanas? Será benéfico, para eles próprios, encontrarem-se semanalmente? Como fazer em relação aos livros e aos estudos? Será possível criar dois ambientes (casa da mãe e casa do pai) totalmente iguais em termos de regras e rotinas? “A custódia conjunta não é uma solução impossível, mas acredito que a permanência numa casa fixa, associada a visitas quinzenais ao outro progenitor, poderá criar mais estabilidade emocional à criança.”

11. Acima de tudo, dêem-lhe atenção e tenham presente que os momentos que passam juntos, seja o pai ou a mãe, devem ser de qualidade. “A quantidade de tempo partilhado com a criança não é um factor essencial, mas sim a qualidade.”

Como prevenir problemas na escola?

12. Avise os professores. É importante a sua ajuda neste processo, principalmente no que diz respeito à capacidade de empatia e de saber ouvir. “Os professores devem ter em conta que o divórcio pode prejudicar o rendimento escolar da criança, além de poder estar associado à agressividade e a problemas relacionados com a atenção.”

13. Peça-lhes para falarem consigo caso a criança mude drasticamente o seu comportamento após o divórcio e se não melhorar com o passar do tempo, para que seja possível avaliar qual a melhor forma de ajudá-la.

O que nunca deve fazer!

14. Discutir em frente aos filhos. Seja antes, durante ou após o processo de separação, trocar argumentos e acusações com as crianças presentes apenas gera confusão, sentimentos de culpa e de revolta nos mais novos.

15. Manter um processo de divórcio demasiado prolongado. “Uma decisão difícil pode causar muito sofrimento a uma criança, mas ela certamente saberá ultrapassá-la depois de um processo normal de luto. O mesmo não acontece quando a decisão do divórcio paira no ar, entre silêncios, segredos, gritos e ameaças que podem durar anos.”

16. Culpar a criança: “Por vezes os pais têm dificuldade em compreender que, quando discutem após o filho ter feito um disparate, ele sente que foi o culpado da separação.” É fundamental que a criança compreenda que os pais se divorciam porque já não amam e não porque ela fez algo de errado.

17. Esquecer a palavra “não”. Muitos pais tentam “minimizar” o sofrimento causado pelo divórcio eliminando regras, aceitando todas as exigências da criança e mostrando clara dificuldade em dizer “não”. “Esta solução pode resultar a curto prazo, mas terá consequências extremamente negativas, como as dificuldades escolares ou problemas comportamentais.”

18. Ter o filho como melhor amigo. “Após uma vida de relacionamento conjugal dedicada ao companheiro(a) e aos filhos, muitos pais deparam-se com o facto de não terem amigos. Nestas situações, a criança passa muitas vezes a ser confidente e melhor amiga, enquanto que o pai (ou a mãe) se transforma numa espécie de “pai-colega-amigo”. A curto prazo esta situação pode não trazer consequências negativas, mas o perigo reside essencialmente na dificuldade em conseguir exercer autoridade e estabelecer regras no futuro.”

19. Dizer “nunca” voltarei a casar. Logo a seguir à separação, é comum surgir também na cabeça de um dos progenitores a opção clara de não voltar a casar, de não querer refazer a vida ao lado de outra pessoa “porque o filho não quer”. “Esta expressão de sacrifício não beneficiará a criança, sobre quem cairá um peso difícil de suportar a mãe ou o pai que optou por não lutar pela sua felicidade.”

20. Transformar o pai numa figura ausente. Na infância, sentir que o pai é uma figura presente (ainda que não esteja em casa com a criança todos os dias), que protege, que é uma figura de referência e um bom modelo a seguir, que estabelece regras claras e exerce a autoridade quando é preciso são requisitos básicos para que a criança cresça com estabilidade emocional e equilíbrio psicológico. “Os pais não podem delegar nas mães todas as funções associadas à educação da criança. Por outro lado, as mães também não podem utilizar em seu benefício o facto de lhes ser concedida a guarda da criança, optando muitas vezes por afastar o pai da criança, manipulando informações em seu benefício e transformando-o num monstro assustador e ausente aos olhos da criança.”

Colaboração: Psicóloga Sónia Pereira

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