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*artigo publicao originalmente em agosto de 2016

Ensine… de outra maneira. “O período de férias é uma altura em que a criança deve fazer outras coisas que não faz na escola, o que não quer dizer que não possa ser um período formativo na sua vida”, explica Vítor Cruz, técnico de reabilitação e educação especial do SEI – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem. “Independentemente da idade da criança, há competências que devem ser sempre trabalhadas, como a escrita, a leitura e o raciocínio matemático. Mas a maneira como isto é feito é que pode ser diferente. Em vez de ‘vais fazer uma cópia, vais ali escrever um texto, tens aqui estas contas’, podemos ter uma coisa mais envolvente e lúdica, até porque em termos neurológicos tudo o que for mais motivante é muito mais depressa apreendido.” Em vez de ‘vai ler’, por exemplo, pode dizer ‘lê-me aqui esta receita’, ou ‘lê-me aqui esta notícia’.”

Façam pouco de cada vez. “Há duas maneiras de aprender: a repetição rotineira e a repetição elaborativa”, explica Vítor Cruz. “A primeira, vamos fazendo sem aparente esforço. A elaborativa, tem de ser feita sob pressão e muitas vezes não produz efeito, como estudar de véspera em vez de todos os dias um bocadinho.” Portanto, nas férias devem fazer pouco de cada vez, com frequência. Devem sim trabalhar a escrita, a leitura e a matemática, mas de forma vivida e ‘brincada’.”

Treine a responsabilidade e a autonomia. Por exemplo, ir a casa dos avós, visitar uma pessoa mais velha a um lar. “Este lado humano, do QE (inteligência emocional), da competência emocional e da ética, está a ser muito deixado para trás, tal como a questão corporal e as artes”, nota Vítor Cruz. “Porque não juntar as coisas? Se for a um lar de idosos, porque não ler-lhes uma história? As crianças partilham a vida connosco, e devemos habituá-las rotineiramente a essa experiência da diferença para que também tenham a perceção de que os outros podem ter dificuldades.”

Desenvolva as competências sociais. Mais uma vez, a escola não treina isto: “Devemos criar na criança responsabilidade, noção dos outros, o estar atenta, ensinar a dizer obrigado e desculpe, para que elas não vivam no vazio. Estas competências sociais são muito mais importantes do que este mundo de competição desenfreada onde eles têm de ser os melhores alunos.”

Dê preferência a atividades ao ar livre. “Os jogos de computador têm muitas vantagens, mas não podemos esquecer o corpo: saltar à corda, jogar às escondidas, também é uma aprendizagem, que os outros animais fazem mas que os humanos estão a esquecer.”

Deixe estudar… só se a criança quiser. “O estudo só é útil se ela estiver motivada para isso”, explica Vítor Cruz. Mas o foco deve ser dar-lhe outro tipo de experiências.

Ensine a pensar. “A criança deve ter uma mente disciplinada: com rigor, organização, cuidado. Uma mente que seja capaz de digerir o que tem à volta. Ora a nossa sociedade está cada vez mais entupida de estímulos e de informação que não conseguimos digerir. Devíamos ser capazes de refletir criticamente sobre essa informação, e ser capaz de sintetizar dali o que é importante. E isto também passa por dar liberdade à criança para escolher, ter ideias, ter iniciativas próprias.”

‘Abra’ a inteligência. “A inteligência é como um paraquedas: só funciona se estiver aberto. E ‘abrir’ a inteligência da criança é alimentar a curiosidade, mostrar-lhe o mundo, dar-lhe novas experiências, criar incertezas e inseguranças que ela tem de se esforçar por ultrapassar, claro que adequadas à sua idade e capacidades.”

Contorne as dificuldades. Ele teve negativas? Mesmo assim, não adianta nada pô-lo num curso de inglês durante as férias ou obrigá-lo a estudar, diz Vítor Dias: “Até porque, se a criança tem dificuldades, estarão a trabalhar sobre a própria dificuldade, em vez de lhe darem uma maneira de a minorar. Quanto mais fazem mal, mais querem evitar, quanto mais evitam, mais fazem mal, e torna-se um círculo vicioso. A criança com necessidades especiais deve, mais do que os outros, praticar. Mas, mais uma vez, vamos trabalhar de maneira lúdica e agradável em vez de lhe dar mais do mesmo. Se tiver dislexia, pode, por exemplo, ler as instruções de um jogo.”

Divirtam-se. “Não é preciso estar sentado à mesa para aprender qualquer coisa”, nota Vítor Cruz. “Há crianças hiperativas, por exemplo, que só estando a mexer-se é que conseguem estar atentas, porque se exigirmos que estejam quietas, elas concentram esforços em inibir a ação motora e não se concentram na aprendizagem.
Fora da escola não temos de apelar à memória, mas ao raciocínio, à compreensão, à criatividade, à atenção, às formas de comparar, analisar, fazer resumos. Estas são as bases da aprendizagem, mas muitas vezes a escola não as ensina, daí que depois, durante o tempo escolar, eles não sejam capazes de aprender. Porque não aproveitar as férias e ensinar as crianças a trabalhar isto, de maneira divertida?”, sugere Vítor Cruz.

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