Cristiano Ronaldo
Foto: Justin Setterfield/Getty Images

A imagem correu mundo: Cristiano Ronaldo tenta marcar um penalti, falha. Destroçado, soluça em direto para milhões de espetadores, enquanto os colegas o tentam consolar. As opiniões dividiram-se: para uns, é uma diva com um ego gigante que se serve de tudo para dar espetáculo. Para outros, um ser humano que dá o exemplo de ser apenas isso: um homem e não um deus, que não se envergonha de chorar quando a emoção o invade.

Pus esta questão aos meus amigos, entre os quais muitas mães e pais de família. E então, que acharam das lágrimas do nosso ídolo? A resposta foi unânime: um ídolo que não desiste é um bom exemplo, especialmente para os rapazes. Um golo que ele não marcou pode ser mais importante do que todos os golos que ele já marcou.

Ouço várias opiniões acertadas: que o mais importante é não ter medo de falhar. Que não podemos continuar a educar os jovens para uma sociedade perfeita, que não erra. “O verdadeiro exemplo do Ronaldo”, resume uma delas, “não é quando marca porque isso é habitual nele. O verdadeiro exemplo é quando falha, mas não desiste! O verdadeiro exemplo do Ronaldo para os jovens (e não só) é dizer que também podemos falhar mesmo que sejamos o melhor do mundo!”

Nada a dizer, isto está tudo muito certo. Mas continuo desconfortável, continuo a pensar com os meus botões (que por acaso não tenho): esta coisa de ‘falhar mas não desistir’ também é muito uma procura de perfeição, ou não é? Deixem-me perguntar-vos isto: estaríamos aqui a louvar Cristiano Ronaldo se ele tivesse falhado o segundo ‘tiro’ e se tivéssemos perdido? Aí sim, seria o verdadeiro teste a esta teoria da resiliência.

Portanto, concentro-me apenas nas lágrimas. Aquele momento em que o ‘deus’ chorou. Para mim, só aquelas lágrimas já foram preciosas. Ok, ele marcou outra vez, ele foi lá e mostrou-lhes, ele levantou a cabeça e ‘foi à luta’ e não teve medo de tentar de novo, e quantos de nós seríamos capazes de o fazer? Mas o mais importante para mim é que, naquele momento a seguir ao penalti falhado, ele não teve medo de chorar à frente do mundo. Para mim, aí é que ele foi verdadeiramente grande.

Os especialistas estão com Cristiano Ronaldo. Pelo menos teoricamente. Sim, os homens também choram, mesmo quando são idolatrados e seguidos por todos os jovens.

Segundo o professor de psiquiatria americano William Pollack, autor do livro ‘Real Boys’, ainda temos um problema na educação dos rapazes: ao normalizamos a ideia de que têm de ser fortes, estóicos e não demonstrar emoções, estamos a dizer-lhes que não podem ser humanos, que não precisam de carinho e ternura, e estamos a criar uma geração que normaliza a violência e com problemas como ansiedades e depressões.

Podemos achar que a expressão ‘um rapaz não chora’ é do século passado, mas a verdade é que muitas pessoas ainda criam os rapazes para serem ‘fortes’ e as raparigas para serem emotivas.

“É comum que os rapazes e os homens se isolem quando estão em sofrimento para processarem o desgosto, enquanto as mulheres procuram companhia para falar do que sentem. Mas ajuda que os rapazes saibam que não faz mal sofrer, que os sentimentos deles são reais e válidos, que é normal sentir dor, raiva e tristeza tudo ao mesmo tempo.”

“Dizer que os rapazes não choram é ignorar o facto óbvio de que os rapazes choram, sim” nota a psicóloga Christia Spears Brown, no site Psyhology Today. “Acredita-se que os rapazes e as raparigas reagem de maneira diferente a muitas situações. Mas os rapazes e as raparigas não diferem na timidez e no medo, na raiva, na tristeza ou nas emoções. O que é diferente é a forma como as pessoas reagem ao sofrimento deles. As mães falam muito mais com as raparigas sobre aquilo que as entristece. Os rapazes são muitas vezes repreendidos por mostrarem tristeza.”

O que se pode fazer no imediato de uma situação triste: ouvir o seu filho, se ele quiser falar ,ou simplesmente fazer-lhe companhia. Ver televisão ou fazer qualquer tarefa juntos pode mostrar-lhe que não está sozinho. Ter qualquer coisa para fazer ajuda a processar o sofrimento.

Ajuda que os pais homens sejam um bom modelo, porque os rapazes muitas vezes copiam o comportamento do pai quando não sabem como se comportar. Por isso não faça nada que não queira que o seu filho copie.

E, sugere a psicóloga, tente encontrar um equilíbrio: “Encorajar os rapazes e expressar a sua tristeza, quando a sentem, deixá-los chorar quando precisarem. E dizer às raparigas que também não é preciso dramatizar demasiado.”

Fique também a conhecer a mais recente edição da revista ACTIVA, com Sandra Faleiro na capa.

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