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REABASTEÇA-SE DE EXPERIÊNCIAS
Para além das vantagens óbvias do contacto com a natureza e com gente de carne e osso, existe outro fator: é às nossas aventuras no mundo real que vamos buscar material realmente interessante para partilhar com os amigos online. Aproveite as suas duas ou três semanas longe do Facebook para viajar bastante, fotografar muito, rever amigos, ir à praia onde nunca esteve, experimentar finalmente aquela receita ou o restaurante que lhe recomendaram, pensar na vida. Vai voltar, de certeza, cheia de material para partilhar nas semanas e meses que se seguem.

NINGUÉM PRECISA SABER ONDE ESTÁ, O QUE ESTÁ A FAZER E COM QUEM
É claro que todas nos sentimos tentadas a publicar as fotos da viagem de sonho ou da família na praia. Mas se calhar é melhor guardá-las para o regresso de férias. Sempre evita que um visitante inesperado lhe apareça à porta – “Olá! Vi no Facebook que estavas por aqui e resolvi aparecer”. E principalmente por questões de segurança. Infelizmente, não temos o controlo total de quem vê o nosso perfil, ou, pior, de quem comenta com terceiros que vai passar as duas semanas seguintes fora… Partilharia os detalhes das suas férias com uma sala cheia de desconhecidos? Então trate o Facebook da mesma maneira, aconselham os especialistas em segurança.

JÁ CHEGA DE TANTA COISA ‘VIRAL’!
Claro que é bom sinal que nos indignemos quando vimos um bando de bullies agredir um miúdo indefeso. Só significa que somos decentes. A denúncia desses casos ajuda a consciencializar a opinião pública e até pressiona a que sejam tomadas medidas.
Mas há meses em que os casos ‘virais’ se sucedem em catadupa. O rastilho é curto e a bomba estoira depressa, até porque a partilha nas redes sociais faz-se à velocidade da luz – às vezes sem nos dar tempo para refletirmos bem sobre elas e vermos mais do que um ponto de vista. Basta dar uma olhadela às caixas de comentários nos sites de notícias nestas alturas: insulta-se, julgam-se situações e pessoas sem se conhecer a totalidade dos factos, apontam-se culpados a dedo como numa caça às bruxas, chega-se ao extremo de desejar o mal aos protagonistas. E quando tudo isto nos consome energia e tempo vitais, ou até interfere com o nosso humor (andamos mais irritados, maldispostos, inseguros), pode ser sinal de que precisamos dar um descanso a tanto ódio e ‘indignação’ – sobretudo se ela for oca e não conseguimos fazer nada de útil com ela. Quem é que ainda se lembra da menina que indignou tanta gente quando disse que o sonho dela era ter uma mala Chanel? Talvez precisemos de nos indignar mais no mundo real do que na Internet.

PODE ESTAR A DEIXAR-NOS MAIS DEPRIMIDAS
Foi o que concluiu um estudo da Universidade de Houston, publicado em abril deste ano: as pessoas que usam mais o Facebook tendem a demonstrar mais sintomas depressivos. Um dos fatores que mais contribui para isso é a comparação constante que, sem darmos conta, fazemos entre as nossas vidas e as dos outros. E a verdade é que não é assim tão fácil evitar esse sentimento de estarmos abaixo da média, uma vez que não controlamos aquilo que os nossos amigos publicam, apontam os autores do estudo. Quem já tem tendência familiar ou historial médico de depressão está em maior risco.
Um outro estudo da Universidade do Michigan, de 2013, também concluía que os participantes que diziam sentir-se mais solitários ou experimentar alguma insatisfação com as suas vidas eram os que passavam mais tempo ligados aos Facebook. A esta necessidade de estar sempre ligado à rede, à procura de notícias e a saber o que dizem os amigos, os cientistas chamam ‘Fear of Missing Out’ (FOMO, ou o medo de estar a perder alguma coisa). Acaba quase sempre por gerar algum isolamento. A dúvida é se é a rede social que potencia esses sentimentos ou se as pessoas a usam mais porque já se sentem assim à partida. Em qualquer dos casos, pode ser um alarme de que é preciso fazer log off. Aproveite agora.

POR LÁ NEM TUDO É O QUE PARECE
E por falar em comparação social… As fotos da idílica lua-de-mel nas Seychelles da sua melhor amiga, as atualizações de estado da antiga colega de escola que já trabalhou em 20 empresas de topo e, pelos vistos, se prepara para ser assessora do Obama; todas as festas, exposições e festivais em que aquele seu colega de trabalho já tem lugar cativo, sempre rodeado de gente gira… não é que não sejam reais, mas são só um best of. O Facebook é a versão editada da vida e da alma de todos nós, levada a uma espécie de ‘Photoshop’ social. Ali não se veem os momentos de desespero, os sorrisos amarelos que a edição fotográfica apagou, as birras dos miúdos, os desaires no emprego, as relações fracassadas. E ficamos com a ideia errada de que, se calhar são só as nossas vidas que são desprovidas de festas, paixões em lugares paradisíacos e desafios profissionais interessantes.

O FACEBOOK PODE ESTAR A ESTREITAR-NOS O CAMPO DE VISÃO
A sequência de publicações que vemos no nosso feed de notícias é selecionada automaticamente por algoritmos, fórmulas matemáticas que filtram informação baseando-se em fatores como a quantidade de vezes que põe um ‘gosto’ ou comenta as publicações desse amigo ou página.
E, por causa disso, a forma como a informação que nos é apresentada no feed pode estar a criar uma espécie de câmara de eco que só amplia as opiniões mais parecidas com a nossa, aquelas em que mais facilmente clicámos ‘gosto’ antes. Foi isto que se propôs estudar uma equipa de investigadores do Facebook. A pesquisa, publicada em abril passado, analisou os dados de 10,1 milhões de utilizadores da rede social que incluíram a sua filiação política no perfil (conservadores ou liberais), durante seis meses. Uma das coisas que queriam saber era se os seus feeds apresentavam mais notícias de jornais com posturas políticas com que concordavam. E descobriram que:
• Quer a nossa rede de amigos, quer as notícias que vemos tendem a refletir mais as nossas convicções políticas.
• Quanto mais cá em cima a publicação estiver no feed, maiores as probabilidades de ganhar um ‘gosto’ seu ou de clicar no link (entre 10 e 15% a mais).
• O algoritmo exclui automaticamente 8% de notícias com opiniões contrárias às dos utilizadores liberais e 5% no caso dos conservadores.
O Facebook continuará a ser uma janela privilegiada para o mundo. Mas é bom procurarmos pontos de vista diferentes, em outras fontes. E feliz ou infelizmente, não consta que a realidade offline seja filtrada por algoritmos.

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