
Jorge Cunha
Já estamos em Zagora onde vai ter inicio a prova. As verificações já estão concluídas e, ao contrário do dia de ontem, em que andámos sempre super ocupados e acelerados, hoje temos o dia livre. Promete, assim, ser um dia tranquilo. O mecânico está a dar um último retoque na imensa cablagem que acrescentámos ontem na cabine com a instalação de todos os aparelhos de navegação. Eu entretenho-me a escrever mas, logo à tarde, teremos de atestar gasóleo, pôr água nos camelbags e executar meia dúzia de detalhes para facilitar a nossa vida na etapa.
Dir-se-ia que estamos prontos para partir. Trabalhámos muito ao longo de meses para este dia. Era suposto estar em forma e super confiante… Talvez até esteja… Mas, a verdade é que este é o momento em que ponho tudo em causa. Pergunto-me se me preparei fisicamente o suficiente para suportar todas as sacudidelas do camião com a lucidez necessária para tomar boas opções de condução. Se fizemos as opções certas no que se refere à preparação do camião… Se trouxemos todo o material que nos vai fazer falta ao longo destas cinco etapas…
Sinto-me um pouco ansiosa, uma preocupação de fundo atormenta o meu espirito, uma ligeira e constante falta de ar mantém-me perturbada o que origina alguns momentos de impaciência para com os outros. É natural, dir-me-ão vocês. Estou de acordo, é o stress habitual das corridas mas não deixa de ser aflitivo! É que ontem estivemos a ver os camiões das equipas adversárias e são quase todos camiões potentes e leves, construídos para correr. Vão-me dar que fazer!…mas é para isso que aqui estamos.
Vamos lá… Respirar fundo… Sorrir… Todos os truques são válidos!