
O calor por estes lados tem sido infernal. Os termómetros têm ultrapassado bastante os 40 graus, o que tem sido penoso para nós e para a mecânica. O óleo dos amortecedores aquece muito e estes ficam a funcionar pior, começamos a levar pancada, o camião torna-se mais instável e mais difícil de conduzir.
O camião não tem ar condicionado e o frigorífico do camião de assistência avariou pelo hoje não houve água fresca no camelbag. Mesmo assim o meu, que leva 3 litros de água, chegou outra vez vazio ao fim da etapa.
Hoje fizemos uma etapa de dunas particularmente difícil. Quando lá chegámos já passava do meio-dia. A forma mais fácil de conduzir nas dunas é seguir os rastos. Poupa-se tempo e anda-se mais depressa. Contudo são as motos as primeiras a passar e, claro, todos lhes seguem os rastos. Os camiões, normalmente, têm outra abordagem nas dunas. Mas, os que estão nesta corrida são tão potentes que seguiram os mesmos traços e, claro, eu tentei fazer o mesmo. Como o meu camião é pesado e pouco potente deparei-me com diversas dificuldades e tive de fazer várias manobras. Numa das vezes o mecânico teve de sair para me ajudar porque a visibilidade dentro do camião é muito pequena. Quando entrou na cabine vinha com ar de quem ia morrer e afirmou mesmo que lhe ia dando uma coisinha má. “Vocês não sabem o calor que estava na areia” afirmou abalado ” e também não fazem a mínima ideia da dimensão do buraco em que estavam metidos!” arrematou.