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Álvaro Covões

Everything is New

Já lá vão nove anos de Alive e nem demos por eles passarem. O festival que hoje é reconhecido como um dos melhores da Europa (e que até já ganhou distinções internacionais) vai, este ano, celebrar a sua 10ª edição.

O festival merece destaque em publicações como o New Musical Express (NME), The Times ou a edição francesa da revista Rolling Stone. Diário de Notícias e TSF não hesitam em dizer que é “o melhor cartaz do ano”. Em julho, vamos poder ver, no Passeio Marítimo de Algés, nomes de peso da música nacional e internacional: Radiohead, Arcade Fire, The Chemical Brothers, Pixies, Robert Plant & The Sensational Space Shifters, Tame Impala, Foals, Two Door Cinema Club, M83, The 1975, Years & Years, Grimes, Hot Chip, Father John Misty, John Grant, Carlão, Paus, Courtney Barnett, José González e muitos outros.

747 atuações, mais de 1,7 milhão de espetadores
A preparação da 10º edição foi o mote para fazer o balanço de quase uma década de festival, numa conferência de imprensa que decorreu ontem, dia 2, no Palácio Anjos, em Algés, e que juntou Álvaro Covões, o diretor da promotora de espetáculos ‘Everything is New’, o presidente da Câmara de Oeiras, Paulo Vistas, e Rita Torres Baptista, diretora de marketing e comunicação da NOS.

Os números das 9 edições anteriores, revelados por Álvaro Covões, impressionam: 747 atuações, distribuídas por mais de 430 horas de espetáculo para um total de 1.760.000 espetadores. Este foi também o primeiro festival a ter um palco logo no pórtico de entrada, uma zona para grávidas, e a inovar com detalhes como a criação de conta-poupança ou bilhete integrado para o festival e comboio urbano.

“Trouxemos também os grandes nomes da comédia portuguesa para um festival de música. Temos uma parceria inédita, desde o início, com o Instituto Gulbenkian de Ciência, ao financiarmos bolsas de investigação científica, e fomos também o primeiro festival emitido em multiplataformas, com 3 ‘janelas’ através da RTP Online”, disse Covões, que aproveitou para lembrar como o festival não descurou o lado da economia social e de responsabilidade ambiental: em 2015 atribuíram bolsas Oeiras Investe a 3 projetos de âmbito social, financiaram a criação de 25 postos de emprego jovem no projeto Es Jovem; participaram na campanha Zero Desperdício, de reaproveitamento da alimentação não vendida no recinto, e reciclaram 20 toneladas de materiais.

Boas parcerias
“Pela 4ª vez continuamos a ser Escolha do Consumidor (na categoria Festivais Urbanos)”, disse ainda o diretor do festival. “Tudo isto foi possível porque o concelho de Oeiras nos recebeu com carinho. Temos a consciência que só conseguimos passar dos dois palcos iniciais para os seis que tivemos o ano passado, graças às parcerias com a NOS e outras marcas, que nos ajudam a manter um preço de bilhete baixo – e todas as referências internacionais falam disso. Conseguimos introduzir uma lógica completamente diferente nos festivais em Portugal, em que o festivaleiro tem que fazer um itinerário e gerir onde vai estar, de minuto a minuto, ou arrisca-se a perder grandes números.”

Rita Torres Baptista, diretora de marketing e comunicação da NOS sublinhou a “grande alegria e orgulho” da parceria. “É um projeto a que reconhecemos ambição, grandiosidade, capacidade de entrega.” A diretora de marketing prometeu ainda novidades da marca na próxima edição do festival, a revelar mais à frente. “A música é estratégica para nós. Muitas marcas chamam este tema a si. Nós fazermo-lo por acreditarmos que música é cultura, comunicação, é sentir, paixão, comunicação, partilha e experiência. Música é alma e marcas sem alma têm as pernas curtas.”

Paulo Vistas, presidente da Câmara de Oeiras, recordou como as muitas dificuldades inicialmente apontadas à realização do Alive foram sendo superadas. “O desafio é este festival manter-se nos primeiros lugares de entre os festivais da Europa.” A repercussão internacional positiva para o concelho também foi mencionada: ”Consequência disso é o número de estrangeiros que nos visitam pela altura do festival e que, em 2015, chegou aos 15 mil. Tem um grande impacto positivo ao nível da economia local.”

O autarca lembrou a importância da segurança, agradecendo à Proteção Civil e PSP. “Um evento que junta, em média 40, 45 mil pessoas por dia, sem um acontecimento negativo de relevo, não é sorte: é muito trabalho, preocupação e diálogo constante. A segurança e o conforto deste evento são reflexo da sua qualidade.”

Festivaleiros estrangeiros trazem fôlego à economia local
A organização do NOS Alive tem apostado também em estudos para perceber a origem dos visitantes estrangeiros. “Sessenta e quatro por cento vêm pela primeira vez a Lisboa, 67% ficam mais de cinco dias. A nossa transportadora nacional continua a ser a preferida entre companhias aéreas. Há também um upgrade nos visitantes, que preferem a estadia em hotelaria, o que é bom para a nossa economia: 25% ficam em hotéis, 21% em apartamentos, 14% em hostels e 14% em parque de campismo. Outros ainda referem que alugam casa”, revelou Álvaro Covões, acrescentando que 62% dos visitantes aproveitam a vinda ao festival para conhecer a região turística de Lisboa, criando um impacto positivo para a economia local.

Palco Clubbing com programação nacional, a 8 de julho
Uma das novidades anunciadas para a 10ª edição do NOS Alive é a programação do palco Clubbing para dia 8 de julho, que será 100% nacional, e cuja curadoria ficou ao cargo do DJ Kamala. O alinhamento que escolheu dá destaque ao hip hop, eletrónica e outras sonoridades de raiz urbana, e junta artistas em parcerias. Foi, aliás, em tom de festa e com uma pequena amostra do que poderemos ver nessa altura, que acabou a conferência de imprensa de ontem, no Palácio Anjos, num mini-concerto que contou com alguns dos artistas já anunciados.

Assim, os artistas de hip hop NBC, Sir Scratch e Bob da Range Sense vão juntar-se para uma atuação conjunta com alguns dos seus maiores sucessos. Sam the Kid atua com Mundo Segundo. Os HMB juntam-se a Filipe Gonçalves e a DJ Kamala, num concerto onde irão rever a história do hip hop português em 50 minutos.

Espaço ainda para a atuação de Meu Kamba Sound, que junta Rocky Marsiano e Rui Miguel Abreu, a explorarem a mistura de ritmos africanos, como funanás e coladeras, com batidas de hip hop, disco ou afro-beat.

O palco contará ainda com atuações individuais de Da Chick – o projeto de Teresa de Sousa que mescla soul, funk, hip hop e disco, com um balanço contagiante – e MGDRV, que cruzam hip hop e música eletrónica de forma inovadora. A noite fecha com DJ Kamala a reunir alguns dos nomes que passaram, ao longo do dia, pelo palco Clubbing.

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