
Da maior propensão para o isolamento e depressão, à crescente tendência para o egocentrismo, já muito se escreveu e estudou sobre o lado negro do uso das novas plataformas sociais e formas de comunicação online.
Mas será que o seu uso frequente e quase compulsivo está a transformar a maneira como o nosso cérebro trabalha – e até as nossas personalidades, por arrasto?
O autor Nicholas G. Carr, escreveu ‘The Shallows’, livro que esteve na lista de nomeados ao prémio Pulitzer, onde punha a hipótese de a Internet ter mudado a maneira como pensamos, lemos e lembramos. Carr acredita que a forma rápida, e muitas vezes superficial, como comunicamos através de comentários no Facebook, tweets, aplicativos de mensagens, e o facto de estamos agora constantemente online em dispositivos portáteis e sempre contactáveis, está a provocar “um declínio da reflexão no quotidiano:”
Um estudo recente, publicado na revista ‘Personality and Individual Differences’ por dois cientistas da Universidade de Windsor, no Canadá, vem dar-lhe razão. A pesquisa contou com 149 participantes que responderam a um questionário online onde se analisava o uso que faziam das redes sociais e os seus hábitos de troca de mensagens de texto, a utilização de pensamento reflexivo nessas comunicações, os seus objetivos de vida, dimensões de personalidade e características demográficas.
Concluiram que “enviar frequentemente mensagens de texto estava negativamente associado com os objetivos de vida no domínio moral”, e “positivamente associado aos conceitos de imagem e de hedonismo.” Ou seja, quanto mais mensagens trocavam, menos importância davam a objetivos de vida, enquanto privilegiavam a auto-imagem e os prazes da vida.
O mesmo estudo concluiu ainda que o uso mais frequente de redes sociais estava mesmo associado a uma diminuição do pensamento reflexivo, tal como Carr propunha na sua obra.