Normalmente, quem visita Nikko vai e volta no mesmo dia a partir de Tóquio porque a viagem demora duas horas de shinkansen (comboio bala). Eu optei por ficar duas noites naquela zona. Achei que antes de enfrentar a loucura de Tóquio valia a pena relaxar por dois dias num sítio calmo e que me oferecesse uma experiência japonesa. O que eu queria mesmo era experimentar os famosos onsens, banhos quentes de águas termais, e dormir num ryokan tal e qual os japoneses fazem ao fim-de-semana.
O local escolhido foi Kinugawa Oken, a localidade ainda fica afastada de Nikko, mas tinha lido que era a zona certa para o que eu procurava.
Assim que saio da estação fiquei logo apreensiva, a localidade parecia um sítio fantasma. Tinha em volta uns cinco ou seis hotéis abandonados e com um ar medonho, ninguém na rua, devo ter visto uns dois carros e chovia a potes. Tudo isto era de estranhar tendo em conta a beleza do local. Tinha vegetação a perder de vista, os hotéis eram nas encostas do rio e com uma vista de cortar a respiração.
Assim que chego ao hotel que escolhi havia um letreiro na porta que dizia “hotel sobrevivente do desastre”. Achei estranho e no momento do checkin tento perguntar o que aconteceu, mas claro que foi impossível comunicar, os senhores não falavam nada de nada de inglês. Lá me deram a chave do quarto e lá fui, mas sempre com aquilo na cabeça.
O quarto era grande, um verdadeiro ryokan! Tinha área tatâmi como eles dizem, futons, Kimonos preparados e até duas camas individuais.
Para já, sentia-me satisfeita com a minha escolha, mas como continuava cheia de curiosidade a primeira coisa que fiz depois de me instalar foi pesquisar na Internet o que se tinha passado afinal naquele sítio.
E a história é mesmo triste… Em Setembro de 2015 aquela zona foi atingida por um tufão que por consequência provocou cheias no Rio Kinugawa. O desastre foi de tal forma que foram evacuadas milhares de pessoas da região e pelo menos 6,5 mil casas ficaram submersas.
Depois disto não há muito a dizer, a região ao fim de 2 anos ainda se está a tentar recompor e houve muita gente que foi embora. A devastação foi tão grande que deixou a maior parte dos hotéis e casas inutilizados.
No fim de digerir esta informação toda pensei “ainda bem que aqui vim e que estou a ajudar este hotel, que insiste em sobreviver neste sítio tão bonito”.
Vamos então falar de Nikko! Aconselho uma visita aos templos, são todos lindos e fazem parte do património mundial da UNESCO. Os principais ficam praticamente lado a lado como se fosse uma “mini aldeia” de templos e santuários. Durante a visita, tenham atenção para não perderem a figura dos três macacos sábios (sim, aqueles emojis muito usados!), a sua origem vem de um provérbio japonês: não veja o mal, não fale o mal e não ouça o mal.
De seguida, podem caminhar até ao centro de Nikko, mas com paragem obrigatória na ponte de Shinkyo, a famosa ponte vermelha do Japão que aparece em mil fotos e em mil coisas. A ponte é realmente linda. Imperdível.
Nikko é uma cidade calma, com alguns hotéis caso queiram dormir por lá e com umas galerias de arte antigas, que têm peças muito giras e em conta.
E da próxima vez que escrever já vou estar em Tóquio.
Sewa o shimasu, fiquem bem! ?
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