JO-KARLACAMPOS13.jpg

Jose Oliveira

JO-KARLACAMPOS17.jpg

Jose Oliveira

Karla Campos é o cérebro e o coração do Edp Cool Jazz. É ela quem sonha, projeta e concretiza o festival que anualmente nos dá a conhecer o melhor desta área, do mais consensual ao edgy, e que este ano assinala a sua 15ª edição. Não se deixe enganar sobre a origem desta energia que põe em tudo quanto faz. O sotaque fechado tipicamente português troca-nos as voltas, pois foi o Brasil que a viu nascer. Vive em Portugal desde 1993 mas é na terra de Caetano Veloso que se revê inteiramente. Nunca pára e tem sempre tempo e espaço para mais projetos. O ser feminino moldou-lhe a vida. Educada sobretudo pela mãe, cresceu numa família de matriarcas e acredita num mundo assim, de mulheres decididas, que ‘calçam os seus próprios sapatos’ e não os dos outros, como lhe ensinaram desde tenra idade. Karla Campos é gestora de formação e esteve a conversar com a equipa da ACTIVA a quem garantiu que “o cartaz deste ano é perfeito em termos de conceito de cartaz EDP Cool Jazz​​​​”. Com concertos no parque Marechal Carmona e no Hipódromo Manuel Possolo, em Cascais, a promessa de experiências renova-se ano após ano, a atenção pelo lado ecológico da vida sobressai a casa edição: copos 100% recicláveis, straw free (sem palhinhas) e zero desperdício.

Na escolha dos artistas, independentemente da sua nacionalidade ou estilo musical, quais são os critérios de qualidade que imperaram na sua seleção? Escolhem-nos por serem conceituados, por ninguém os conhecer ou por ambos os motivos?

Tem sempre a ver com o núcleo de música do jazz, da soul e do R&B. Pelos dois motivos porque pode ser um artista que está a começar e que prova ter a capacidade de ter uma boa projeção . Com o digital conseguimos aferir isso, através dos views no YouTube, dos listenings no Spotify, dos ‘Shazams’, várias ferramentas que nos confirmam esse potencial, apesar de terem um ano ou dois, ou irem lançar um álbum e iniciar uma tournée pela primeira vez. O mercado digital é muito maior para se poder aferir se faz sentido trazer o artista ou não. Dou o exemplo do Jordan Rakei que vai tocar antes da Jessie Ware, obviamente mais conhecida, mais abrangente. O Jordan ainda está a começar e vê-se que tem projeção. Quando comecei com o Jamie Cullum vendia 1000 bilhetes, hoje já vamos para os 10 mil. Isso faz parte de ser promotor: reconhecer que ele já está a ter um grande engagement com o público e o mercado, trazê-lo, apostar e promovê-lo.

Coexistindo de alguma forma a vontade de dar ao público aquilo que ele quer e propondo também aquilo que ele pode vir a querer?

Surpreender o público é para mim o ponto fundamental para que aquilo que eu faço seja diferente e tenha sucesso. Percebo que há um artista que, mesmo que as pessoas ainda não conheçam bem em Portugal, mas que já tenha audiência e reconhecimento lá fora e até já participa em alguns festivais. Ao analisar isso ‘catapulto’ para aqui e percebo que é uma novidade, uma surpresa que estamos a dar, e portanto transforma-se numa experiência. Como anunciamos os artistas com alguma antecedência vamos promovendo através de vídeo, de imagens e do Spotify e as pessoas vão criando uma cultura do artista e depois confirmam-no ao vivo quando o veem. E saem de lá a dizer que o que passa no EDP Cool Jazz é bom tanto o conhecido como aquilo que passaram a conhecer.

É esse o segredo para ter ‘casa cheia’?

Sem dúvida! Ao fim de 15 anos as pessoas já sabem que, mesmo que não conheçam aquele artista, se ele está no cartaz é porque é bom, seja ele português ou internacional. A noite de Badbadnotgood com Dead Combo é muito alternativa no sentido em que poucas pessoas conhecem. É uma banda de jazz mas que tem uma forte ligação ao hip pop, ao R&B e à eletrónica, com uma série de featurings com alguns artistas e que tem tido uma projeção gigante até na música hip hop. Eles já foram a banda de Frank Ocean em Coachella. Conhecendo eu um bocadinho de música como julgo que conheço, é extremamente importante. Badbadnotgood foi a banda presente no desfile da coleção masculina primavera-verão Louis Viton.

Precisamente ao encontro da oferta de uma experiência e não apenas um concerto, mas algo que perdura na memória de quem vai. Para o cartaz deste ano o que é que privilegiou em termos de novidades?

Badbadnotgood, a noite de Jessie Ware com Jordan Rackei e o prazer que me deu dar ao Salvador Sobral uma ‘carta branca’ dizendo-lhe ‘faz o que quiseres’. Há uma confiança muito grande no trabalho dele que é um artista novo.

Qual foi o artista que mais vezes regressou a este festival?

O Jamie Cullum.

E aquele que gostaria de trazer que ainda não chegou?

São tantos. A lista aumenta. Desde que comecei o festival que o Van Morrison e David Byrne estão todos os anos na minha wishing list. Isto tem a ver com negociações e agenda e finalmente conseguimos. Ter estes dois senhores no festival no ano em que assinalamos 15 edições é muito interessante. O Gregory Porter também é um artista que cresceu connosco. Esteve no festival há uns quatro anos e cresceu muito com novos trabalhos e colaborações, e por isso esse concerto vendeu muito bem. Temos quatro grandes concertos este ano: Van Morrison, David Byrne, Gregory Porter e Norah Jones que encerra o cartaz e que já vem pela terceira vez.

Considera que este cartaz é eclético dentro da continuidade ou muito disruptivo em relação aos anos anteriores?

Eu diria que este é o cartaz perfeito em termos de conceito de cartaz EDP Cool Jazz.


O público que visita o festival este ano é o mesmo de há 15 anos?

É o mesmo porque estamos a falar de artistas como Van Morrison, David Byrne e Norah Jones. O público do EDP Cool Jazz situa-se entre os 35 e os 70 anos. Mas depois há sempre aqueles concertos mais edgy, como é o caso de Badbadnotgood, Jessie Ware ou o próprio Salvador Sobral.

Que acaba por ‘abrir’ um pouco o leque do público mais novo?

Sim. É claro que há público mais velho que conheceu, viu e está a par do que tem sido feito.

Mas considera que o público está a ‘rejuvenescer’ com o passar dos anos? Estamos a chegar a camadas mais jovens com esta oferta musical?

O festival tem de estar sempre rejuvenescido. Temos de estar sempre a fazer um update ao que se passa no mercado da música, ao que se quer ouvir e ir ‘mexendo’ um bocadinho, portanto diria que o público é 25-70. Eu quis sempre chegar a camadas mais jovens. Sempre! No primeiro ano, em 2004, com Roy Ayers, que é um homem de mais de 80 anos atualmente, eu só tive camada mais jovem porque ele é um ícone. O Herbie Hancock é um outro exemplo disso. É um homem do jazz mas como teve no passado ligações utilizando computador, sendo muito disruptivo, via-se na plateia fundamentalistas do jazz e os mais jovens para ver aquele ‘pai’ de um beat qualquer.

O espelho dessa atualidade do festival vai muito ao encontro da noite das mulheres do jazz? É também um encontro com a atualidade, o feminismo?

É muito importante, sem dúvida. Sao três mulheres com percursos diferentes Em termos de jazz, a Marta Hugon é talvez aquela que tem mais trabalho. Porém, juntou-se a outras duas artistas que também têm o seu valor vocal, de composição e de arranjo. No fundo, estão a interpretar standards de jazz e é aqui que nasce o conjunto destes três elementos. Entenderam que era importante, além da música da Marta, ir um bocadinho além pela via do cover, fazer um remix e apresentar de outra maneira. E é extraordinário! Neste momento em que as mulheres estão no seu bom caminho… Mas isto não muda, são muitos séculos. É importante que isto continue, agora que temos as mentalidades mais abertas.

A título pessoal e profissional, tendo tido o ato disruptivo de trazer este festival para Portugal há 15 anos, considera que teve mais desafios sendo mulher do que seria de esperar de um homem?

Sem dúvida.

Mais portas abertas ou fechadas?

Desde quando é que sabe que isto é meu?

Não muitos anos…Isso é sinal de alguma coisa?

É sinal de que quem faz bem são os homens. A minha prioridade é dar a conhecer o projeto, não é dar-me a conhecer [risos]. Este não é um festival grande, é médio. Consagrou-se ao longo dos anos. Mantem-se o formato ao longo de 15 anos sem ser influenciado por conselhos para trazer aquela pop star ou para passar para um estádio.

Sei que é formada em gestão. Quando gere, uma mulher fá-lo no feminino ou no masculino? Isto é, transmite para a cultura do festival a sua essência feminina?

Obviamente que homens e mulheres têm o seu modo de estar. Identifico-me muito a trabalhar e trabalho muito com homens e mulheres porque há atributos de cada um que são importantes para fazer aquilo que eu quero. Há mulheres mais românticas como há homens mais românticos e identificar esses atributos é a minha função. Ver em cada um que trago para trabalhar comigo aquilo que me vai ajudar a fazer aquilo que eu quero de uma maneira cool. As pessoas têm de ter liberdade para dar os seus contributos segundo uma ordem, uma lógica, um conceito. A decisão final é minha mas é muito importante ouvir aquilo que as pessoas têm para dizer.

E essa forma de trabalhar tem mais de Brasil ou de Portugal?

Tem muito mais de Brasil. É uma bateria. É como a organização de um carnaval. Há mais espírito de solidariedade na organização de alguma coisa, é mais um get together. Eu voltei em 1993. Estamos a falar de 25 anos. As coisas mudaram muito. O espírito [aqui] de as pessoas de se associarem em prol de alguma coisa é difícil mas está melhor. Aqui é muito ‘a quinta, aqui ninguém entra’.

Dividir para reinar.

Exatamente. Se falarmos de São Paulo, que é o motor económico, industrial, cultural, criativo do país, é uma bolha que faz movimentar aquele país todo e as pessoas têm uma forma de estar de ‘fazer, fazer, fazer’. Sinto que hoje em dia em Portugal as coisas já estão melhores nesse sentido.

E o que é que permitiu que em termos de carácter feminino emprenhasse o seu espírito?

O detalhe, o ser chata.

Isso é português?

Não, isso é meu [risos].

Mas e na mulher portuguesa?

Há mulheres portuguesas muito determinadas e por isso muito fortes.

Mas a determinação tem mais a ver com carácter do que com nacionalidade…

Por outro lado também há uma mulher portuguesa muito subjugada. Muito ‘mãe, filhos, ele é que sabe’.

Não se revê nessa descrição?

Não. Fui educada mais pela minha mãe do que pelo meu pai e assentou numa liberdade sem medo. Autosuficiência, independência e ‘anda com os teus sapatos, não andes com os dos outros’. Recebi isto, tenho duas filhas e utilizo isto para o meu trabalho. Não espero por ninguém. Se não fazem dentro do tempo esperado, avanço. Como os comboios.

Uma cidade da sua predileção: Londres

Um provérbio: Água mole em pedra dura tanto bate até que fura

Uma música para os dias felizes: I feel good do James Brown

Um desejo para o futuro: Muita música. Ela provoca-nos descontração, esquecimento de problemas e convívio com os amigos.


Mais no portal

Mais Notícias

O futuro começou esta noite. Como foi preparado o 25 de Abril

O futuro começou esta noite. Como foi preparado o 25 de Abril

Investigadores conseguem novas

Investigadores conseguem novas "receitas" para reprogramar células que podem ajudar a combater o cancro

Festas, feiras e romarias de Portugal: 15 sugestões para celebrar a cultura popular

Festas, feiras e romarias de Portugal: 15 sugestões para celebrar a cultura popular

VÍDEO: Histórias reais de quem agora 're-emigra'

VÍDEO: Histórias reais de quem agora 're-emigra'

Um século de propaganda na VISÃO História

Um século de propaganda na VISÃO História

Sede da PIDE, o último bastião do Estado Novo

Sede da PIDE, o último bastião do Estado Novo

Novo implante do MIT evita hipoglicémias fatais nos diabéticos

Novo implante do MIT evita hipoglicémias fatais nos diabéticos

Moda:

Moda: "Look" festivaleiro

Celebrar a Páscoa com escapadinhas para todos

Celebrar a Páscoa com escapadinhas para todos

E se os refugiados do clima formos nós?

E se os refugiados do clima formos nós?

Técnico e Vinci Energies Portugal apresentam novo Formula Student para 2025/2026

Técnico e Vinci Energies Portugal apresentam novo Formula Student para 2025/2026

A longevidade não se improvisa

A longevidade não se improvisa

Pode a Inteligência Artificial curar o cancro?

Pode a Inteligência Artificial curar o cancro?

Da Varanda ao Jardim: Viva o Exterior com a Nova Coleção JYSK

Da Varanda ao Jardim: Viva o Exterior com a Nova Coleção JYSK

“Uma mãe-chimpanzé educa os filhos tal como uma mãe humana devia educar os seus”. Os ensinamentos de Jane Goodall numa entrevista a VISÃO

“Uma mãe-chimpanzé educa os filhos tal como uma mãe humana devia educar os seus”. Os ensinamentos de Jane Goodall numa entrevista a VISÃO

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Rainha Letizia celebra 53.º aniversário

Rainha Letizia celebra 53.º aniversário

Um novo estúdio em Lisboa para jantares, showcookings, apresentações de marcas, todo decorado em português

Um novo estúdio em Lisboa para jantares, showcookings, apresentações de marcas, todo decorado em português

Sara Matos como nunca a viu em cenas ousadas em “Sangue Oculto”

Sara Matos como nunca a viu em cenas ousadas em “Sangue Oculto”

Ideia para uma escapada: Do Alqueva à Ria Formosa, guiados pela água

Ideia para uma escapada: Do Alqueva à Ria Formosa, guiados pela água

Dia da Criança: 5 sugestões para te divertires

Dia da Criança: 5 sugestões para te divertires

Guia de essenciais de viagem para a sua pele

Guia de essenciais de viagem para a sua pele

Antecipar o futuro: a visão da WTW sobre os riscos emergentes

Antecipar o futuro: a visão da WTW sobre os riscos emergentes

Em “Flor Sem Tempo”: Vera dá à luz e Catarina assiste ao parto

Em “Flor Sem Tempo”: Vera dá à luz e Catarina assiste ao parto

35 lugares à sombra

35 lugares à sombra

Tesla entregou menos carros no segundo trimestre do ano

Tesla entregou menos carros no segundo trimestre do ano

Deus, intuição e Rock and Roll

Deus, intuição e Rock and Roll

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem "acordar" células cancerígenas adormecidas nos pulmões

Microsoft revela poupanças de 500 milhões com Inteligência Artificial, depois de despedir nove mil

Microsoft revela poupanças de 500 milhões com Inteligência Artificial, depois de despedir nove mil

Na CARAS desta semana - Edição especial viagens: Os melhores destinos para umas férias de sonho em hotéis e

Na CARAS desta semana - Edição especial viagens: Os melhores destinos para umas férias de sonho em hotéis e "resorts" de Portugal

Tudo isto é cinema

Tudo isto é cinema

Não perca na CARAS: tudo sobre o casamento de Catarina, filha de António Costa, com João Rodrigues

Não perca na CARAS: tudo sobre o casamento de Catarina, filha de António Costa, com João Rodrigues

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

4 de agosto de 1578. D. Sebastião, Ceuta: a vida complexa dos símbolos

4 de agosto de 1578. D. Sebastião, Ceuta: a vida complexa dos símbolos

CARAS Decoração: 10 ideias para transformar o velho em novo

CARAS Decoração: 10 ideias para transformar o velho em novo

CARAS Decoração: Cromática, uma coleção desenhada por Pedro Almodóvar

CARAS Decoração: Cromática, uma coleção desenhada por Pedro Almodóvar

Só ver uma pessoa doente já faz disparar o sistema imunitário

Só ver uma pessoa doente já faz disparar o sistema imunitário

Em “Senhora do Mar”: Beatriz e Pedro têm sexo escaldante

Em “Senhora do Mar”: Beatriz e Pedro têm sexo escaldante

Samsung vai lançar smartphone dobrável tríptico até final do ano

Samsung vai lançar smartphone dobrável tríptico até final do ano

Cocktail tóxico encontrado em plástico reciclado

Cocktail tóxico encontrado em plástico reciclado

Pigmentarium: perfumaria de nicho inspirada na herança cultural da República Checa

Pigmentarium: perfumaria de nicho inspirada na herança cultural da República Checa

Lady Kitty Spencer regressa a Roma para o desfile de alta-costura de Dolce & Gabbana

Lady Kitty Spencer regressa a Roma para o desfile de alta-costura de Dolce & Gabbana

Vídeo: A festa final de 'Miúdos a Votos'

Vídeo: A festa final de 'Miúdos a Votos'

Ralis de regularidade: das apps gratuitas às sondas, conheça a tecnologia que pode usar para ser competitivo

Ralis de regularidade: das apps gratuitas às sondas, conheça a tecnologia que pode usar para ser competitivo

Vasco Futscher - O mundo inteiro em cada forma

Vasco Futscher - O mundo inteiro em cada forma