Nathalie Hellemons, holandesa

Uma das fundadoras do restaurante asiático Boa-Bao, que já se tornou um ex-líbris de Lisboa, é fã de Portugal e dos portugueses, que retrata como um povo acolhedor e curioso. 

“Portugal evoluiu nos últimos dez anos para o país mais cool da Europa. Vim cá pela primeira vez há uns 30 anos, ao Algarve, quando pouca gente conhecia aquele paraíso. O meu marido é americano mas cresceu na Bélgica e viajámos muito por todo o mundo. Não queríamos viver na Europa, mas com os miúdos era complicado ir para África ou para a América do Sul. E sempre que vínhamos a Portugal, eu dizia ‘aqui sinto-me em casa’. Ainda por cima faço anos a 10 de junho (risos). Depois de a nossa filha mais nova sair de casa, decidimos mesmo ficar aqui e abrir o nosso restaurante.

Não, não falo português (risos) porque os portugueses são tão delicados que falam inglês comigo! Mas já decidi começar a ter lições a sério. Os portugueses são muito simpáticos. Os holandeses também são simpáticos, mas são muito barulhentos, defendem aquilo em que acreditam contra tudo e contra todos. Por exemplo, quando a pandemia começou, a minha família holandesa declarava que ninguém podia obrigá-los a usar máscara. Os portugueses começaram logo a usá-las, foi extraordinário.

Claro que depois há os ‘contras’: os holandeses são muito despachados e práticos. Os portugueses… (risos) bem, digamos que aqui tudo leva muito tempo. E as pessoas, em vez de protestarem, esperam. Tenho uma amiga holandesa que vive no Algarve e me disse: ‘Se sobreviveres aos primeiros dois anos, ficas bem. Tens de te lembrar que aqui tudo leva tempo. Tens de pedir permissão, tens de pedir licenças, tens de esperar. Mas se te habituares a isso, vais adorar viver aqui.’ E é verdade. Por exemplo, antes de vir para aqui vivíamos na Bélgica, onde o sistema de saúde é muito bom. Mas o vosso sistema de saúde é absolutamente fenomenal! E é estranho que os portugueses não reconheçam isso.

Os portugueses são verdadeiramente acolhedores. Quando fui viver para a Bélgica, por exemplo, não me senti acolhida. Quando abri um negócio em Barcelona, não me senti acolhida. Em Portugal, sinto-me sempre em casa. E espero que isso continue, porque o turismo pode ser destrutivo. Lisboa já mudou imenso em 5 anos. Claro que é bom para a economia, mas arruína a vida dos locais. Não sei se ainda será possível evitar isto…

Outra coisa que eu admiro: a vossa paixão pela tecnologia. Na Holanda, quando apareceram os telemóveis, passámos paulatinamente pelos vários modelos. Aqui, as pessoas saltaram diretamente para o mais recente! (risos)

Quanto à comida: têm peixe grelhado maravilhoso. E há duas coisas cómicas. Por exemplo: quando vocês comem qualquer peça de carne, acompanham sempre com batatas fritas e arroz! Porquê as duas coisas? Nunca vi isso em mais lado nenhum. (risos) Outra coisa que adoro: o ‘prego’. Claro que nos últimos anos toda a gente se tornou mais consciente do que come, mesmo em Portugal estamos a comer menos carne. Portanto, nós abrimos o Boa-Bao mesmo na altura certa. Chama-se Boa-Bao porque decidimos juntar uma palavra portuguesa, Boa, com a asiática Bao, que é um bolinho asiático, portanto é um nome que é também uma homenagem a Portugal. Depois ainda abrimos o Lao-Bao, no Norte Shopping. Nunca quisemos ser um restaurante para turistas e 70% dos nossos clientes são portugueses. Outra qualidade vossa é a curiosidade, estão sempre prontos para experimentar coisas novas, incluindo a comida. Por tudo isto, amo Portugal e quero envelhecer aqui.”

Lucy Pepper, inglesa

Artista plástica e cartoonista, veio para Portugal em 1999 e diz que já não se vai embora, ‘depois da trabalheira que tive a aprender português, nem pensar’.

“O que mais me espanta e me dói é a falta de autoestima dos portugueses. Já passaram quase 50 anos da revolução mas toda a gente passa a vida a invocar Salazar como desculpa para tudo. Sei que as memórias e a forma de funcionar vão levar muito tempo a passar, mas temos de descolar disso. Por exemplo: quando os estrangeiros vêm cá e dizem ‘o vosso país é lindo!’, vocês respondem ‘obrigada!’ quando deviam responder ‘pois claro que é!’ Há uma grande subserviência para com os estrangeiros (os estrangeiros do norte, não os outros). Todas as semanas há uma praia portuguesa num top 10 qualquer e as redes em Portugal explodem. ‘Olhem, falaram de nós!’ Se fosse uma praia inglesa, o que é pouco provável (risos) nenhum inglês ligava nenhuma.

O que mais me irrita em Portugal: por acaso, irrita-me pouca coisa. Vivi muitos anos numa aldeia e agora vivo numa cidade, e é incrível como um país tão pequeno muda tanto de uns sítios para os outros. Anda-se 30km e a comida já é diferente, a mentalidade é diferente, as ideias são diferentes, os nomes para as coisas são diferentes. As asneiras de Lisboa são vírgulas no Porto. (risos) Se digo palavrões em português? Claro que digo. Aliás, o momento em que descobri que estava mais integrada do que pensava foi quando me apanhei a dizer asneiras portuguesas ao volante…

Por acaso, neste momento estou bastante irritada porque Lisboa se vendeu aos turistas. E está a piorar de dia para dia. Há uns anos escrevi um livro para os turistas perceberem o que era a comida portuguesa, ‘Como não morrer de fome em Portugal’, e desde essa altura sinto que estamos a matar aquilo que temos para oferecer. Os estrangeiros querem restaurantes típicos, não querem aquilo que há em todas as outras capitais, e esses restaurantes já desapareceram quase todos da Baixa.

Na Inglaterra, a cultura culinária está muito ligada ao aspeto da comida. Em Portugal, a comida é tão boa que ninguém liga nenhuma ao lado visual. Por exemplo, um inglês que chegue cá e olhe para uma travessa de cozido vai fugir. Eu mesma levei uns bons meses a pensar ‘eu não vou comer isto’. E quando experimentei, fiquei fã. Hoje não posso viver sem farinheira (risos), se tiver desculpa para pôr farinheira num prato qualquer, vou pôr, mas algum estrangeiro vai experimentar aquilo? Mas ninguém lhes explica! E já agora, quem é que decidiu que o pastel de nata era o prato nacional? Isso foi apenas uma manobra de marketing que não faz sentido nenhum! Conheço ingleses que saem do avião, põem o pé no aeroporto de Lisboa e vão diretos a Belém comer pastéis! E a mania das conservas… Quem é que em Lisboa come sardinhas em conserva? Espera-se pelo verão e come-se sardinha fresca. Mas irrita-me ver os portugueses a aceitar tudo isto em vez de educar os estrangeiros. Eu gosto da verdade. E o meu medo é que Lisboa e Porto percam essa genuinidade. Por exemplo, há americanos que vêm viver para Portugal porque é baratíssimo para eles, e estão a criar novas bolhas. Têm casas que nenhum português pode comprar e vivem uma vida fantástica. Portanto, o centro da cidade foi recuperado, mas perdido. Ontem vi um T0 em Alfama a custar 800.000! Isto é criminoso! Se eu vejo os portugueses preocupados com isto? Não vejo.

Ah, lembrei-me de uma coisa que não gosto: doces com gemas de ovos. É uma violência.”

Thomas Fischer, alemão

Correspondente estrangeiro, vive em Portugal há quase 40 anos e sente-se meio português, mas há características lusas que ainda acha bastante estranhas.

“A minha mãe sobreviveu à Segunda Guerra, mas quando veio cá ver-me em 1982 disse que teve mais medo nas estradas portuguesas que durante os bombardeamentos a Dresden em 1945. (risos) Agora as estradas portuguesas são bastante mais seguras, mas outras coisas continuam péssimas. A pergunta que mais faço é: mas de que é que vocês vivem? O nível de vida e as desigualdades sociais são uma desilusão para quem, como eu, visitou Portugal pela primeira vez em 1975, a pensar que os nossos sonhos estavam a tornar-se realidade aqui. Há portugueses lá fora em muitos países e nunca ouvi falar numa preguiça genética tuga. Os portugueses lá fora são bem vistos, basta pagar-lhes razoavelmente e motivá-los para serem tão bons ou melhores que os outros. Aqui, temos uma economia drogada em baixos salários. Ainda se acha que os trabalhadores não precisam de incentivos, que uma pessoa mal paga mesmo assim tem obrigação de trabalhar bem, e os portugueses fazem todos os dias o milagre da sobrevivência com salários de miséria.

Depois, falta o sentimento do ‘yes we can’. Ainda se procuram pessoas que ‘saibam’, que ‘façam’, que ‘resolvam’. No futebol, Portugal venceu um jogo sem Ronaldo, que estava com covid. Título de jornal: “Jota fez de Ronaldo”. Só Ronaldo marca golos?

Os estrangeiros chegam aqui, deslumbram-se com o sol, as praias, a vida descontraída, e ficam. Depois vêm as primeiras desilusões com pessoas que achamos que são amigos mas que nunca telefonam, com a burocracia, e muitas vezes o fascínio cede à desilusão. Eu vivo aqui há 39 anos, sei o que Portugal me dá e sei o que aqui não encontro. Gosto imenso da facilidade de criar confiança com honestidade e com pequenos gestos. Gosto imenso do meu bairro, onde vou comprar fruta por 2,20 euros, quero pagar com 5 euros e a dona da loja diz-me que não pode trocar, leve a fruta e pague quando passar por aqui. Não toma nota, nada. Gosto. Mas não se fazem amizades facilmente. Em Portugal pode ser mais fácil organizar uma volta ao mundo com voos, vacinas e vistos do que combinar um café com alguém que vive a 5 estações de metro.

O que me enerva: a mania dos doutores e engenheiros, alguma distância social e a insistência de muitas pessoas em falar-me em inglês só porque tenho cara de não-tuga. Temos uma elite cultural em guerra civil por causa da mudança de letras, acentos ou hífenes com o AO mas à hora de brilhar (ou de ganhar dinheiro), vale o inglês. Mas pronto, é um país com enormes capacidades, capaz do melhor quando está em causa a organização de uma presidência UE, de um Euro 2004, de uma Expo 98, mas que, quando o prestígio não está em causa, cai na mediocridade.

Relações homem-mulher são um tema à parte. Quando a minha filha nasceu, há 35 anos, tive dificuldade em justificar o meu desejo de assistir ao parto. Um dia, falei nisso na mercearia onde fazia compras. Lá vieram as beatas: ‘Um homem a assistir a um parto’, disse uma, ‘pode vomitar’. E eu perguntei-me quantos marinheiros de Vasco da Gama terão vomitado ao circum-navegar o Cabo da Boa Esperança. Hoje, nem sempre é fácil ser amigo de uma mulher. Ou há desconfiança ou há um namorado ou marido a bloquear.

Não queria que este testemunho transmitisse uma ideia muito negativa, porque tenho uma posição muito crítica para com a Alemanha. E quando um alemão critica alguma coisa aqui, penso sempre ‘quem são eles para dizerem o que quer que seja?’”

Paola D’Agostino, italiana

Há 23 anos, a paixão pela cultura portuguesa levou-a a trocar Nápoles por Lisboa e ainda não se arrependeu. Escritora e tradutora, continua desassossegada pelos portugueses.

“A minha paixão pela cultura portuguesa assenta na relação de amor que fui tendo com a língua e a literatura. Dois livros me levaram a trocar Nápoles por Lisboa: o ‘Livro do Desassossego’, de Bernardo Soares/Fernando Pessoa, e a ‘Obra Quase Incompleta’, de Alberto Pimenta, editado pela Fenda, que viria mais tarde a ser a minha editora. A leitura transformou-se em viagens determinantes: em 1998 fiz um Erasmus na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa para escrever uma tese de licenciatura sobre o ‘Desassossego’. Num corredor da Faculdade de Letras, descobri a poesia de Pimenta, pela qual voltei a Portugal em 1999. E aqui estou, passados 23 anos… entretanto exerci diversas profissões, ligadas à prática da palavra como instrumento de trabalho.

Se os portugueses e os italianos são parecidos? Isso é verdade e é mentira, assim como é sempre frágil, no fundo, dizer ‘os portugueses’ ou ‘os italianos’. Lembro-me sempre dos versos de Alexandre O’Neill: “Daqui, desta Lisboa compassiva / Nápoles por Suíços habitada”. Mas Lisboa não é Portugal inteiro, nem Nápoles é a Itália toda. Tenho conhecido pessoas muito diferentes, tanto em Portugal como na Itália. E também devo dizer que a minha ideia dos portugueses tem mudado muito ao longo destes quase 25 anos, tal como os próprios portugueses têm mudado.

Aquilo que mais admiro nas pessoas de que gosto, e que encontrei em Portugal, é a faísca da inteligência, a ironia, a generosidade, uma sensibilidade capaz de olhar em profundidade para a essência das coisas, e ao mesmo tempo ter uma visão de longo alcance, sem ideias preconcebidas. Os portugueses são francos e discretos, conseguem ser ao mesmo tempo árvores enraizadas e moderno movimento.

Quando penso na Itália, tenho saudades das paisagens, do frenesim das cidades, da minha aldeia à beira-mar, do cheiro da noite ali, da empatia imediata com as pessoas… mas sobretudo tenho saudades da rapariga que eu era quando lá vivia. Quando estou em Itália, falta-me a poesia que encontro em Portugal, tenho saudades do ritmo dos dias, de todas as coisas que acontecem na minha ausência, do meu trabalho e dos meus afetos, e da leveza de viver à distância, isto é, do desprendimento que a condição de expatriada inevitavelmente implica.

Mas claro que é muito diferente visitar um país e morar lá. Já que estamos no verão, direi que visitar um país é dar um mergulho rápido, pensar ‘a água aqui está mesmo gelada’, tirar uma fotografia e seguir viagem, mesmo que depois guardemos essa imagem durante muitos anos. Mas morar num país é um diálogo intenso, é ficar dias seguidos na praia a observar o vaivém dos banhistas, a roupa e os adereços que levam, ser observado por eles, ouvir-lhes as conversas e entendê-las, ou então ficar com um troço de frase incompreensível que vai ressoando até conseguirmos interpretá-lo, ou não. E ao mesmo tempo acompanhar as alterações do céu e das marés, conhecer a história das estradas que levam à costa, das construções em volta, e já agora comer uma bola-de-berlim, conversar com o vendedor sobre a seca, a inflação, ‘e os malvados incêndios, minha senhora!’

Continuo apaixonada pela língua portuguesa. A minha palavra preferida são imensas! Adoro ‘songamonga’, um termo que me faz sempre rir. Gosto de ‘macambúzio’ e ‘escanifobético’. De ‘jacarandá’. E de verbos como vagamundear, luziluzir e esgravatar.”

Oksana Sokolova Maia, ucraniana

Solicitadora e criminóloga, veio para Portugal com apenas 12 anos e acabou por criar cá uma família. Mas diz que ainda tem saudades… da sopa ucraniana.

“Vim para Portugal há 21 anos, quando tinha 12. Era um período de crise na Ucrânia e a minha mãe arranjou cá trabalho, e pouco tempo depois vim ter com ela a Trás-os-Montes. Ao princípio foi complicado, porque nessa altura não havia praticamente crianças ucranianas em Portugal, fui da primeira leva de emigração desse país. Na escola, as crianças apalpavam-me para ver se eu tinha pele igual à deles, porque nunca tinham visto uma criança estrangeira. E perguntavam-me coisas do tipo, se eu sabia o que era um frigorífico. (risos) Não deixava de ter graça, mas tempos depois fui para a Póvoa de Varzim, onde ainda moro agora, e aí as coisas já eram diferentes, porque já toda a gente estava mais habituada a turistas.

Aprender português foi uma tarefa complicada, mas muitas pessoas  fantásticas me ajudaram. Em Trás-os-Montes tive uma professora de geografia que todos os dias, depois das aulas, ficava comigo a ensinar-me português e a ajudar-me nos trabalhos, absolutamente de graça. Portanto, já antes desta onda de solidariedade os portugueses eram solidários.

Portugal e a Ucrânia são os dois extremos da Europa. Mas a principal diferença para mim é a mentalidade. Claro que isto é uma generalização, mas acho que em Portugal as famílias não valorizam muito a escola nem o conhecimento. Acham que uma criança deve ter a escolaridade obrigatória e depois vai trabalhar para ajudar a família. Na Ucrânia, o amor pelo estudo é generalizado, o mais importante que uma família pode dar a uma criança é a educação e os pais dão tudo por tudo para um filho ir para a universidade. A maior diferença é mesmo nas pessoas mais velhas. Cá, em Portugal, os avós têm no máximo o 4.º ou 5.º ano. Isto choca-me muito porque na minha família desde os meus tetravós que é tudo formado.

Mas noutras coisas somos bastante parecidos, tanto que os Ucranianos se adaptam muito bem a Portugal. Aqui é muito fácil fazer amigos. As pessoas são simpáticas e abertas. E com a guerra na Ucrânia, conheci seres humanos maravilhosos. Fiz algumas recolhas de bens para mandar para lá, e houve pessoas de idade que tinham muito pouco e que partilhavam o pouco que tinham porque diziam que as pessoas lá precisavam mais. Isso comoveu-me muito.

A minha família ainda está toda lá. Consegui trazer uma prima com o filho pequenino, mas até eles preferiram voltar, dizem que querem estar na casa deles mesmo que aqui estejam mais seguros. Temos isso em comum com os portugueses: somos muito apegados à nossa família, à nossa religião, à nossa terra. O resto da minha família ficou lá toda. É fácil explicar de onde é que eles são: são da mesma cidade dos rapazes que ganharam o Festival da Canção! (risos) Eu já não penso voltar. O meu marido é português, o meu filho é muitíssimo português. Por isso até eu já me sinto portuguesa.

A única diferença é em relação à comida. (risos) Hoje ainda não consigo comer tripas ou arroz de sarrabulho, mas tudo o resto adoro, principalmente bacalhau e tudo o que seja peixe. Nós lá na minha cidade estamos longe do mar e portanto não temos peixe. A vossa comida é mesmo fenomenal. Ah, menos a sopa. (risos) A sopa lá na Ucrânia tem bocados. Aqui, em Portugal, não sei porquê, a sopa é toda moída. Para nós, uma sopa tem de ter pedaços, nenhuma criança ucraniana come uma sopa moída! (risos)”

Artigo publicado na edição 381 da revista Activa. 

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