‘Uma Questão de Morte e de Vida’, de Irvin D. Yalom e Marilyn Yalom
Cíntia Sakellarides, editora coordenadora

Não sei se foi o que mais me marcou mas certamente o que mais impacto teve recentemente. Afinal, um livro marca de maneira diferente consoante a fase da vida em que o lemos. Na nossa cultura, tendemos a falar pouco da morte, mas à medida que vamos avançando na idade temos necessidade de nos irmos apaziguando com ela. Este é um livro avassalador escrito a quatro mãos, por Irvin Yalom, aclamado autor e psicoterapeuta especializado no luto, e a sua mulher, também autora, Marilyn Yalom, que é diagnosticado com cancro terminal. Em capítulos alternados, contam o dia a dia dos últimos meses da vida de Marilyn (que opta pela morte assistida) e dos primeiros meses de Irvin sem a companheira de uma vida. Um livro em que angústia e o amor se confrontam em cada frase, mas que, no fim, nos deixa uma sensação de paz reconfortante.

‘A Amiga Genial’, de Elena Ferranti
Gisela Henriques, subeditora

Neste dia em que se celebra os livros e a leitura, escolho um que me marcou muito e que li há relativamente pouco tempo: ‘A Amiga Genial’ da Elena Ferranti. Confesso que vi primeiro a série na HBO MAX, que adorei, e depois mergulhei nos livros – são ao todo quatro – porque queria saber como a história acaba (estavam a gravar a quarta e última temporada). Pensei que fosse achar uma seca até porque já sabia a história mas não, foi como se estivesse a rever as diferentes cenas, com mais minúcia, mais detalhe, mais descrição, um enredo mais rico que dá sentido a alguns pormenores que na série foram deixados para trás. Gosto do estilo de Ferranti, intimista, com a narradora a confidenciar-nos esta história de amizade entre duas meninas que cresceram nos subúrbios pobres e violentos de Nápoles no pós-guerra – pobreza essa que faz lembrar a miséria de Portugal do Estado Novo -, de como elas se tornaram mulheres numa Itália em turbulência política e social, de como os seus amores e desamores as marcaram profundamente, das diferentes oportunidades que tiveram na vida, que as separou física mas não emocionalmente, ainda que a sua relação tenha muitos altos e baixos. Duas personagens femininas muito ricas e complexas que superam as expectativas que a sociedade tem delas e não se deixam domar por estereótipos.

‘Misericórdia’, de Lídia Jorge
Cristina Sanches, editora de arte

É o último livro que li, acabei-o no sábado. Escolhi-o pelo entusiasmo com que a Catarina Fonseca falou dele. Nunca tinha lido nada desta autora e fiquei agradavelmente surpreendida. É duro de ler, até pela proximidade às histórias dos mais velhos das nossas famílias, mas Dona Alberti cativa-nos desde o início e acompanhamos o seu dia a dia,  as suas lutas com muito carinho e esperança.
Também quero mencionar ‘A Breve Vida das Flores’, de Valérie Perrin.
Li-o no verão passado, viciante, lindo, é daqueles livros que acabamos de ler e sentimos saudades das suas personagens. Foi sem dúvida o livro que mais gostei em 2023.

 

‘Misericórdia’, de Lídia Jorge
Catarina Fonseca, jornalista

Por esta altura as minhas colegas de redação estão todas a dizer ‘de certeza que a Fonseca escolheu o da Lídia Jorge’ e como não gosto de desapontar ninguém, sim, aqui vai o da Lídia Jorge, ‘Misericórdia’ de seu nome. Quando pensamos no livro da nossa vida é sempre algum que lemos aos 18 anos, tipo ‘Guerra e Paz’ ou ‘Os irmãos Karamazov’ mas felizmente que também há livros da nossa vida que nos chegam aos 50, ou 60, ou 95. É a alegria dos livros, a gente nunca sabe o que nos espera.

Bem, então, ‘Misericórdia’. Devo dizer que eu não era grande fã da Lídia Jorge e quando toda a gente me começou a falar nisto, tardei em chegar lá. Só vos digo: que grande chapadão na vida. Sim, é um dos livros mais brilhantes que li, mas cuidado: não é para toda a gente. Então, história: é basicamente o último ano de uma velhinha inteligente e lúcida num lar. Não é uma leitura fácil porque nos confronta com tudo aquilo que todos nós tememos, especialmente nós portugueses que não temos um fim de vida fácil: a morte, a dependência, os últimos dias. Quem cuidará de nós, quando já não tivermos força para levantar um braço? E é tão bem escrito que consegue fazer isto sem ser lamechas, sem puxar ao choradinho, e num livro que nos mantém agarrados da primeira à última página. Enfim, é preciso dizer que chorei do princípio do fim e houve alturas em que se tornou tão doloroso que desejei nunca ter começado. Mas sim, é um dos livros da minha vida. Experimentem.

‘A Estrela de Gonçalo Enes’, de Rosa Lobato Faria
Evelise Moutinho, jornalista

Tenho 50 anos, sou da geração que brincava na rua e que imaginava o mundo através ds livros. Hoje, na era digital, em que facilmente vemos o mundo pela Internet, continuo a gostar da ideia de fechar os olhos e imaginar-me nos cenários que os livros me descrevem. Gosto de imaginar o que vestem as personagens, as suas feições, os gestos…
Nos últimos anos, já depois dos 40, descobri uma autora que esteve sempre aqui, à distância de uma mão mas, que, por tolice, desvalorizei. Até que me caiu nas mãos, desafiada por uma amiga, numa espécie de ultimato, “A Estrela de Gonçalo Enes”. Devorei-o numa tarde.

De seguida descobri e apaixonei-me por toda a obra de Rosa Lobato Faria, nas viagens diárias de metro no percurso casa-trabalho. Mais tarde descobri também os seus livro infantis e li-os ao meu filho.
Não sou ninguém para classificar a sua escrita, mas apenas posso dizer que me cativa a forma como a autora, que nos deixou em fevereiro de 2010, nos apresentava a trama, as personagens, as mulheres das suas histórias, a fantasia, o romance. Perguntei-me muitas vezes como é que aquelea senhora com um ar tão certinho e conservador, podia transportar-nos para um universo tão libertador e fantasista. Já diz o ditado: “Não julgues um livro pela capa”. Uma máxima que se pode encaixar em muitas situações da nossa vida.

‘O Principezinho’, de Antoine De Saint-Exupéry
Carmo Lico, jornalista

Quando a querida Cláudia me pediu que sugerisse um livro para incluir neste artigo, fui inundada de dúvidas. Os olhos percorreram a estante que tenho atrás de mim. Pararam no ‘Skincare’, de Caroline Hirons – uma especialista em cuidados da pele britânica -, que considero uma bíblia, para quem se quer aventurar nestas temáticas. Passaram por todos os chamados ‘livros de autoajuda’, que devoro, por adorar ver o mundo pelos olhos dos outros. E acabaram nas cores do ‘I Feel That’ da Christina Scotch, que tantas vezes abro ao acaso, à procura de uma frase que me diga o que preciso de ouvir.
Nenhum destes me convenceu. As dúvidas ainda cá estavam, teimavam em ficar. E, por isso, lembrei-me de um livro que tantas vezes leio, à procura de respostas. Reli-o há pouco tempo, de rajada, numa viagem de avião, em trabalho. Sorri muito. Lembrei-me de todas as outras vezes que o li. E de todas as outras respostas que este livro dá. É um clássico que me diz sempre coisas diferentes.
Gostava de o ter lido mais cedo. Gostava de o ter relido mais vezes. Vou continuar a relê-lo, a cada volta, com ou sem dúvidas, sempre entre sorrisos, à procura de mais um detalhe que me tenha escapado, de outra resposta que o livro ainda não me tenha dado. Porque “as pessoas crescidas nunca percebem nada sozinhas, e é cansativo para as crianças terem de andar constantemente a explicar-lhes tudo”. O Principezinho, de Antoine De Saint-Exupéry. Para ler sempre com o coração, porque “o essencial é invisível aos olhos”.

‘Frankenstein’, de Mary Shelley
Cláudia Sérgio, jornalista

Digo com orgulho que sou fã de fantasia e ficção científica, por isso claro que tinha de escolher algo dentro de um destes géneros que continuam a ser tão desprezados (sem que haja qualquer motivo plausível para isso acontecer). Depois de ponderar sobre os ‘senhores dos anéis’ e os ‘admiráveis mundos novos’ desta vida, optei por destacar “Frankenstein”, que tem a inspiradora Mary Shelley como autora. 

Muitas vezes as análises feitas à ficção científica parecem esquecer que Mary Shelley deu à luz este livro em 1818 – uma década antes de Jules Verne nascer -, o que faz dela a mãe do género. Tinha apenas 19 anos quando criou os arquétipos do cientista obcecado e da criatura feita de retalhos humanos que ainda hoje inspiram criações artísticas. 

O tempo trouxe algumas liberdades no que toca a adaptações, com criador e criatura quase a partilharem identidades numa troca de nomes provavelmente acidental, mas que nos deixa refletir sobre quem era na verdade o monstro da história. Ainda assim, a obra original que já conta com dois séculos continua a fascinar mais do que qualquer adaptação que possa ser feita, surpreendendo pela forma como aborda temas como direitos humanos, preconceito, limites da ética, evolução da ciência ou os perigos de manipular a natureza.

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