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Se tem mais de 40 anos e está desempregada, ou receia poder vir a estar nessa situação, então este artigo é para si. A ideia é tentar perceber quais são os maiores erros que cometem as pessoas que se veem no desemprego (para evitar que os perpetuem) e também ficar a saber como podem aumentar a sua empregabilidade. Afinal, um país que não consegue renovar a sua população, que está a envelhecer, não pode dar-se ao luxo de ignorar esta franja da população ativa que além de qualificada tem experiência.

SENTIDO PROIBIDO
“Mandar currículos para todo o lado, responder a todo o tipo de anúncios, procurar opções sem parar para pensar. É o erro de muitas pessoas, isso não resulta. Houve uma alteração grande na sua vida, por isso tem de haver sempre um tempo em que a pessoa tem de parar para pensar. Em vez de caminharmos sem direção certa, há que ter uma visão clara daquilo que temos para oferecer e do que queremos para delinearmos estratégias“, aconselha Alexandra Vinagre, Coach e autora do livro ‘Até Onde Quer Chegar’. Mesmo que queira manter-se na mesma área de trabalho, deve perceber como pode potenciar as suas competências. Se quiser mudar de área, convém averiguar quais são as novas competências que tem de adquirir, assegura a coach.
Para Maria Emília Azevedo, Diretora Coordenadora da RHMais, o erro mais comum que as pessoas desempregadas cometem é ficarem paradas e ‘fechar-se’.
Laura Acciaioli, especialista em gestão de recursos humanos, consultora de marketing e e HR Manager na Amcor, também desaconselha as pessoas a precipitarem-se na procura um novo trabalho. A seguir a uma situação de desemprego, “o que acontece imediatamente é uma sensação de medo e insegurança, seguida de urgência em voltar a sentir segurança e tranquilidade. É uma situação que ativa todas as nossas defesas (de sobrevivência, defesa, ataque) e, se não acautelarmos determinadas atitudes, podemos perder o norte e tomar decisões precipitadas ou deixar-nos cair num estado de paralisia. Aconselho sempre uma coisa: tirar um tempo. Pode ser uns dias, um mês, vários. Este tempo é necessário, é o ‘luto’, precisamos de tempo para digerir a situação, aceitá-la, ver o que podemos ganhar com o novo cenário e planear uma solução”.

SENTIDO OBRIGATÓRIO
Será que eu valho alguma coisa? No que foi que eu errei? Porque de repente o meu trabalho já não tem valor? O que construí na minha vida? Estas são algumas das perguntas que assolam mesmo a pessoa mais confiante do mundo no momento em que é despedida. É sempre uma machadada na sua autoestima. Para não entrar nesta espiral, eis alguns passos que a coach Alexandra Vinagre sugere:

. Trabalhe a autoconfiança. “Se alguém está num emprego há 10/15 anos, é normal que tenha muitas competências e experiências desenvolvidas. Não fique presa ao momento de despedimento, analise aquilo que em gestão chamamos de SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats), ou seja, perceber quais são as nossas forças, fraquezas, e que oportunidades e ameaças é que temos pela frente.”
. Treine novos hábitos. “Quem está há muitos anos no mesmo emprego tem uma série de hábitos que tem de deixar ou treinar de outra forma. Não vai ser fácil, mas não é impossível. Temos de pensar no que queremos, definir estratégias e criar resiliência, acreditar mesmo face às adversidades, ‘eu quero chegar ali’.”
. Cultive o pensamento positivo. “Há atitudes que podem condicionar-nos e temos de as contrariar, como a tendência para generalizar, polarizar, para dizer ‘isto só acontece a mim’. Uma forma simples de o fazer é ter um diário de gratidão, parece estranho mas na verdade existe uma série de emoções como a alegria, a curiosidade e a inspiração que têm impacto até na nossa saúde e ajudam a dar uma nova perspetiva aos problemas e dar-lhes a volta.”

PARE, REORGANIZE-SE E INVISTA EM SI
“As empresas não querem pessoas desleixadas, desesperadas ou com a energia em baixo”, assegura Laura Acciaioli, “querem soluções e pessoas que tragam uma lufada de ar fresco, novas perspetivas, valor adicionado. Por isso olhe por si. Cuide-se. Do corpo, da cabeça, da alma”. Este é o primeiro passo para dar valor acrescentado à sua candidatura. Aproveite o tempo de pausa para pensar nos aspetos que acha que precisa melhorar, nos objetivos que deixou para trás porque não tinha tempo. “Digo muitas vezes que temos de nos pôr em primeiro lugar porque temos de estar bem para podermos oferecer algo que as empresas queiram. Que tal aproveitar estes primeiros tempos de pausa para melhorar o francês que esquecemos do liceu? Ou aprender uma língua nova, ter aulas de cerâmica, treinar apresentações em público, voltar ao ginásio, aprender a usar as redes sociais para nosso benefício? Nunca é tarde para recomeçar e aprender”, aconselha Laura, que sublinha a importância de socializar. Um voluntariado faz bem não só à cabeça como abre portas porque conhece pessoas novas.

NAS MALHAS DA REDE SOCIAL
É incontornável a importância das redes sociais como ferramentas de marketing pessoal, sobretudo o LinkedIn, porque se sabe que os recrutadores usam este meio para saber mais sobre os candidatos. Por isso, diz Laura Acciaioli, ‘deixemos as nossas fotos e posts falar por nós”. Mas importa seguir uma série de regras, como sugere Maria Emília Azevedo, “as fotos de momentos de lazer na praia, comentários com linguagem desadequada ou com erros ortográficos são alguns exemplos do que não deve fazer. Faça comentários positivos, sensatos e partilhe informação útil sobre si e o setor de atividade onde pretende trabalhar”. Adicione uma versão do seu CV e informação sobre si noutras línguas.

APOSTE NUM BOM CURRÍCULO

Como calcula, os empregadores recebem centenas de currículos todos os dias. Se o seu for igual a 200 outros, acha que vai chamar a atenção? Não, a não ser que esteja pejado de erros ortográficos, e isso não é o que se quer. Não deixe que um currículo datado faça de si uma pessoa do passado.
. O CV é no fundo a sua história, por isso, no início do documento apresente-se de forma a cativar quem o lê, mostre criatividade, realce as suas capacidades em trabalhar em equipa ou de liderança, não escreva de forma floreada com muitos adjetivos (distraem), sublinhe a sua vontade de aprender, a sua flexibilidade, autonomia.
. Faça um resumo das suas melhores qualidades, não apenas uma lista de experiências e habilitações.
. “Utilize verbos dinâmicos e de ação, como executar, organizar, produzir“, diz M.ª Emília Azevedo.
. “Para algumas áreas, poderá representar uma mais-valia a inclusão de informação complementar, como atividades extracurriculares, projetos de voluntariado, etc.”.
. Adeque o seu CV a cada empresa a que se candidata, há habilitações e experiências que são valorizadas de forma diferente.
. Crie uma versão mobile do seu CV, mais simplificada e que possa ser vista em dispositivos móveis. Antes de o enviar, teste-o. Inclua um link para o seu perfil profissional no LinkedIn, outro com o seu número de telefone e artigos ou trabalhos que tenham sido publicados (os mais relevantes).
. Lembre-se que nos dias que correm, saber línguas é muito importante, assim como trabalhar com as novas tecnologias. Saiba quais são as ferramentas básicas e aprenda, se for o caso.

ENTREVISTA: CUIDADO COM OS TABUS
Para ajudar a superar os tabus sobre idade, de quem é empregador e de quem procura emprego, Robin McKay Bell escreveu o livro ‘Finding Work over 40’ (encontrar trabalho depois dos 40).
Contrarie a ideia de que as pessoas mais velhas…
… não trabalham para uma equipa ou um chefe mais novo. Isto acontece porque às vezes os candidatos são da idade dos pais de quem está à procura de pessoal e é estranho para eles terem mais autoridade que os ‘pais’. A idade é importante para o cargo ou o que mais pesa é a experiência e as habilitações? Se for esta última não há razão para não ser um sério candidato.
… têm qualificações a mais para o cargo. Não se sinta mal se não for aceite por causa dessa condição. Podem pensar que não vai querer ficar muito tempo. Se quer mesmo o posto, omita algumas informações no CV que a possam excluir.
… não têm energia suficiente. É natural que à medida que envelhecemos vamos ficando sem a energia eletrizante dos 20, mas lembre-se da fábula da lebre e da tartaruga, quem foi mais eficiente? Será que aparenta mais idade do que tem? Pergunte a um amigo que seja honesto. E resolva a situação. Maquilhagem (sóbria), uma pele bem cuidada e uma boa postura fazem milagres.




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