Há livros que funcionam como uma máquina do tempo e nos fazem perceber porque é que um livro é um objeto mágico: uma pessoa abre as páginas e mergulha imediatamente noutro mundo, onde tudo é diferente.

Claro que isto é um lugar comum e de ceretza que já o ouviram muitas vezes, mas vão lembrar-se disto quando abrirem este ‘Leonor de Aquitânia’ (Alison Weir, Ed. Desassossego, E21,10). Como dizia L.P. Hartley, (autor do maravilhoso ‘O Mensageiro’, se não leram vão ler) ‘O passado é uma país estrangeiro: tudo é diferente, ali’. Claro que o passado de Hartley era apesar de tudo bastante mais recente do que o passado desta Leonor que agora vos apresentamos, que é o passado da Idade Média, das Cruzadas, das teias políticas ferozes em que os jogadores arriscavam frequentemente a própria vida (e ainda mais frequentemente a de milhares de outros) – e um mundo masculino.

Se calhar vocês nunca ouviram falar dela, mas estamos perante uma das grandes senhoras do século XII europeu. Nascida em 1122, Leonor de Aquitânia foi rainha de França entre 1137 e 1152, de Inglaterra de 1154 a 1189, e Duquesa de Aquitânia até à sua morte em 1204. Era uma mulher riquíssima, poderosíssima, e muito ativa na política do seu tempo quando a política era um jogo de homens, o que a torna ainda mais interessante para qualquer historiador (e leitor) moderno.

Atenção que isto é uma biografia, não um romance histórico. Se está à espera de passagens como ‘Ai estou tão triste porque os meus ricos filhos morreram’ ou ‘Será que ele vai ser um bom marido?’ não vai encontrá-las. Mas é uma biografia que se lê como um romance histórico.

A autora, Alison Weir, é uma historiadora britânica bestseller que se tornou conhecida pelas suas biografias de famílias reais inglesas, principalmente de mulheres.

O que é um trabalho ingrato: a História até há muito pouco tempo foi a história dos feitos masculinos, e mesmo quando se tratava de mulheres poderosas, há muito mais clareiras de informação e pontos brancos no que diz respeito à história feminina do que aos seus pares masculinos. Ela própria afirma que escrever a história de mulheres que viveram há centenas de anos é como compor uma manta de retalhos, muitas vezes minúsculos. E Alison Weir consegue fazê-lo tornando as suas histórias de vida consistentes e apelativas.

O que podemos aprender com Leonor? Que a História não foi apenas feita de homens, sim, mas também aproveitar o prazer de nos perdermos num mundo de aventuras verdadeiras. Boa viagem na Máquina do Tempo!

‘Leonor de Aquitânia’ – Alison Weir, Ed. Desassossego, E21,10

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