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1- Pessoas com quem andámos ao colo... já têm bebés ao colo. A última vez que vimos a Ritinha ela tinha 6 anos e estava numa birra monumental porque queria um coelhinho cor-de-rosa no hipermercado. Agora tem 24 e já nem sequer está na universidade, já acabou o MBA em Direito Fiscal (foi do trauma do coelho) e trabalha para a Troika (achamos nós, embora ela não assuma).

2 – Pensamos três vezes antes de dizer que sim a qualquer coisa que acabe depois da meia noite. Claro que às 10 da noite já estamos a cair de sono e com olheiras e a pensar que era muito mais divertido estar no sofá a ver a 56.ª reposição do ‘Titanic’, e depois das 11 já aceitávamos tudo, até podíamos estar a ver ‘Do Cabaret para o Convento’, qualquer coisa que viesse acoplada a sofá e casa. Dantes a vida não era tão cansativa e tínhamos mais paciência para coisas que não mereciam a nossa paciência.

3 – Toda a gente nos trata por “minha senhora”. Até os taxistas. Isto é o fundo do poço. Quando até já os taxistas olham para nós e nos chamam automaticamente “minha senhora” em vez de “ó menina” a vida deixou de valer a pena.

4 – Os nossos pais com a nossa idade já tinham filhos adultos. Ou enfim, para lá caminhavam… É verdade que os tempos eram outros, mas ‘antigamente’ era-se adulto muito mais cedo… Pensar que a sua mãe com 20 anos já era mãe é uma coisa que a põe doente. Com 20 anos, andávamos a pensar se o Vasco gostava mesmo de nós, se nos deixariam ir acampar ao Algarve e que nota teríamos a, sei lá, artes gráficas.

5 – Gente que nasceu nos anos 90 já é milionária. Tipo o Justin Bieber ou a Selena Gomez. É ainda mais deprimente do que a alínea dos que já estão na universidade, porque a essa ainda conseguíamos habituar-nos, ou aos que já têm filhos e ainda há tão pouco tempo tinham deixado o coelho cor-de-rosa.

6 – Nem os trolhas nos atiram piropos. É sempre possível que os trolhas tenham ficado imensamente sensibilizados com a campanha do Bloco de Esquerda, mas às vezes, e isto é uma coisa que nunca admitiremos, temos saudades de um ‘és boa como milho’.

7 – Só aceitamos no Facebook gente que conhecemos bem. “Olá, Maria Cristina, Zé Manel quer ser teu amigo”. Olha que bom para ele. Pois também eu queria muita coisa que não tenho. E quem és tu, Zé Manel Pinto? Desculpa, Marques? Temos 308 amigos em comum? Não chega. Apresente-se, conte uma anedota, dê-me uma receita de cocktail e diga-me o seu livro preferido e depois talvez possamos conversar. Talvez.

8 – Achamos que já temos amigos suficientes. Não é que eles sejam muito bons amigos ou muito presentes, mas é que fazer amigos novos dá imenso trabalho. Temos que ir a sítios, depois temos que dizer o nosso nome, depois são pessoas que não nos conhecem de lado nenhum, é preciso dizer-lhes tudo, que gostamos de alheiras, que a maionese nos cai mal, que um dia quando tínhamos 5 anos íamos morrendo mas não queremos explicar, que gostávamos de ter sido cabeleireiras, e que assim a meio da noite nos dá uma dor nas cruzes que agora também não interessa. Aos amigos velhos não temos de explicar nada.

9 – Os festivais têm muito pó, muito calor e música chunga. Como é que alguém acha graça a uma coisa em que é preciso estar de pé durante 3 horas, com os decibéis a destruir-nos os tímpanos? Festivais só na Gulbenkian ou no CCB, onde pelo menos há lugar sentado, respeitam a anatomia interna do ouvido e não é preciso um dia para recuperar. 

10 – Sentimo-nos secretamente orgulhosas de saber trabalhar com o iPhone. E quando não sabemos, quem nos ensina tem 11 anos. Temos um iPhone porque nos dá a ilusão de sermos iguais aos outros, mas 95% das capacidades de um iPhone são um desperdício em cotas como nós, que não estão para perder o seu precioso tempo a matar a cabeça com ‘apps’ que daqui a seis meses estão desatualizadas.

11 – Já não temos paciência para certas conversas. Gente a contar as suas histórias de amor, a relatar a última gracinha da criança ou a dizer que antigamente é que havia valores e agora já ninguém sabe o que isso é. Já não há pachorra.

12 – Rimo-nos de piadolas que só os maiores de 40 percebem. Tipo aquela do “Há três polos: o polo norte, o polo sul e o polilon”. Se não sabe o que é, ok, ainda é nova.

13 – Gastamos o que for preciso a aquecer a casa. E em Portugal não é dizer pouco, porque a maioria das casas são difíceis e caras de aquecer (também gostamos de protestar que em Portugal as casas são caras de aquecer e de comparar métodos de aquecimento).

14 – O realmente importante nos sapatos é que sejam confortáveis. Sim. E nos homens também.

15 – A nossa colega mais nova tem idade para ser nossa filha. Tratamo-la como às outras, achamos que é vagamente mais nova que nós, mas de repente fazemos as contas e percebemos que ela podia ser nossa filha. E nem sequer tínhamos sido mães adolescentes.

16 – Pode-se viver sem sexo mas não sem óculos. Podemos viver sem sexo mas não sem uma data de outras coisas que de repente se tornaram mais importantes: óculos, séries de jeito, chocolate biológico, horas de sono, paz de espírito, vizinhos sossegados.

18 – Continuamos a achar que o Richard Gere é um sex symbol. Igualmente mau é acharmos que o Robert Pattinson é um sex symbol e depois percebemos que temos idade para sermos mãe dele (e também já não éramos mães adolescentes.) Mas pelo menos estaríamos milionárias.

19 – Sentimos que temos o direito de dizer o que quisermos a qualquer pessoa. Claro que isto pode simplesmente querer dizer que somos malcriadas e não que somos velhas. Às vezes, é mais o direito de ficar calada e não se chatear com coisas que não merecem que se perca tempo a discutir.

20 – Lembramo-nos do casamento da Princesa Diana. E é melhor nem pensarmos que já podia ser avó…

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