Filipa Muñoz de Oliveira (foto: DR)

Licenciada em Gestão pela Universidade Católica de Lisboa, Filipa Muñoz de Oliveira, sempre trabalhou na área do marketing, passou por Nova Iorque e Londres, até que um passeio londrino viria a mudar a sua vida para sempre. Quem diria que uma necessidade tão simples como depilar as sobrancelhas se transformaria num negócio já com 17 anos, 36 espaços nacionais e 17 internacionais, em Espanha, Angola e Brasil. Falámos com a fundadora e CEO da Wiñk, marca de beleza que trouxe para Portugal o método de depilar sobrancelhas com fio e que hoje oferece muito outros serviços e produtos relacionados com os olhos.

No meio de uma carreira preenchida, como é que foi parar ao threading?

Cruzei-me pela primeira vez com o threading em Londres, enquanto passeava nos armazéns comerciais históricos Harvey Nichols. Sempre tive dificuldade em encontrar um método que fizesse bem as minhas sobrancelhas. Quando vi umas senhoras que me explicaram que era assim que depilavam as sobrancelhas, com um fio, nunca mais as fiz de outra maneira.

Começar um negócio próprio estava nos seus planos ou simplesmente aconteceu?

Simplesmente aconteceu. Quando era mais nova queria ser pediatra, mas à medida que fui crescendo coloquei esse objetivo de parte. Tirei o curso de Gestão na Universidade Católica de Lisboa e foi no último ano da licenciatura que me comecei a apaixonar pelo marketing, ainda que sempre tenha gostado do processo de criação de uma marca. Em casa, o meu pai costumava dizer que eu sou a única que saiu ao meu bisavô, que produzia arroz e criou o seu próprio negócio. Já em criança adorava anúncios. Lembro-me bem de pegar na minha cassete e gravar os anúncios que passavam na televisão.

Desde sempre que gostei de ter a minha liberdade de pensar e decidir o que quero, ainda que às vezes seja um pouco solitário. Acho que de forma inconsciente, tudo isto me levou a criar a Wiñk.

Quando abri a primeira loja não fiz planos de negócio, nem implementei nenhuma estratégia. Isso veio numa fase posterior – só quando soube o que tinha em mãos comecei a pensar estrategicamente. Nesta altura, desenhámos um plano dos centros comerciais onde queríamos estar. Depois, vieram os planos de internacionalização para Espanha e para o Brasil.

Identifiquei uma oportunidade de colocar no mercado português um serviço que ainda não existia. Muitas vezes criar um negócio é isto: olhar para o mercado e ver onde as coisas estão a ser mal feitas e de que forma há uma oportunidade para fazermos melhor.

Passados 17 anos, que balanço faz desta aventura?

Tenho um enorme orgulho naquilo que criei ao longo destes 17 anos – uma marca que continua a inovar e manter o nível de consistência e de qualidade desde o dia em que abriu, o que não é fácil de atingir.

Desde a abertura da Wiñk que a nossa missão tem sido prestar um serviço acessível, mas que muda o olhar – não só das mulheres, mas também dos homens. Alargar a acessibilidade da beleza, quebrar tabus e democratizar o conceito de beleza, de forma conveniente, clara e prática. Hoje fazemos muito mais do que threading, cuidamos de tudo o que esteja relacionado com os olhos.

Tem sido um percurso de descoberta e desafios, mas acima de tudo de crescimento. Costumo dizer muitas vezes que não há sucesso sem felicidade. Acho que sucesso da Wiñk acontece porque não podemos ser bem-sucedidos se não formos felizes naquilo que fazemos.

Foi mais difícil do que estava à espera?

Conheço o meu percurso, os sucessos e marcos que atingi. Como em todos os negócios, há sempre altos e baixos. Quando criei a Wiñk não pensei muito; sou uma pessoa muito pouco stressada. Foi um negócio que se desenvolveu de forma muito natural.

Numa fase inicial, tive alguma dificuldade em arranjar pessoas que dominassem a técnica e falassem português. Foi graças a um anúncio no jornal que consegui arranjar uma senhora para dar formação a algumas jovens portuguesas que foi buscar a uma loja de estética.

A pandemia foi também um dos maiores, se não o maior desafio desde a abertura da Wiñk. Não sabíamos o que ia acontecer. Do dia para a noite decidi fechar as lojas, antes dos centros comerciais encerrarem, uma decisão que influenciou a vida de centenas de pessoas.

Lidar com a incerteza e a volatilidade das circunstâncias desse período foi um teste rigoroso à nossa capacidade de adaptação. Fomos obrigados a ser mais criativos, ter capacidade de reação e sair da nossa zona de conforto. Ainda assim, não despedimos ninguém no período da pandemia.

Criei a Wiñk sem expectativas, por isso não consigo dizer se foi mais fácil ou difícil do que esperava. Orgulho-me, sim, do que em equipa conseguimos superar e que contribui todos os dias para o sucesso da Wiñk.

O que faria diferente?

Olhando para a marca que temos hoje e tudo aquilo que conseguimos atingir, honestamente não sei se faria algo de muito diferente, talvez a única coisa que poderia ter feito melhor foi o timing de entrada em Espanha, que teria antecipado.

Que conselhos daria à jovem Filipa que se lançou no seu próprio negócio?

Arrisca e experimenta. Nunca esperes por ter tudo perfeito, ou então nunca consegues começar. Ser empreendedor é precisamente isto. Se queres desenvolver o teu próprio negócio, não podes ter medo de falhar.

Inteligência emocional é um elemento indispensável perante o mercado que nos encontramos: cada vez mais volátil e competitivo. Termos a capacidade de gerir conflitos e trabalhar numa equipa composta por diversos perfis e tipologias, permite fortalecer o ambiente de trabalho e rodear-nos de pessoas em quem confiamos e que complementam o negócio.

Partilhar as ideias, os medos e os receios. Sermos abertos permite desenvolver uma liderança sustentada na confiança. Enquanto líderes devemos dar espaço às equipas para que façam as coisas à sua maneira. A responsabilidade dos líderes é partilhar a visão estratégica e objetivos, direcionar os colaboradores, o seu desempenho e sucesso profissional, e não o contrário.

Ser mulher foi por vezes um obstáculo à sua progressão?

Nunca senti que ser mulher fosse um obstáculo. Por ser um negócio novo, houve algumas dúvidas relativamente ao tipo de negócio, mas com o sucesso que a marca trouxe, este preconceito ficou para trás. Acredito que ao longo dos anos tenho vindo a demonstrar o meu valor, que tem vindo a ser reconhecido.

É difícil conciliar vida e carreira?

Quando os meus filhos eram mais pequenos era mais difícil. A Wiñk sempre cresceu à medida que a minha família me permitiu. E não o contrário.

Ser mãe sempre foi um desejo, algo muito natural para mim. A maternidade não ‘atropelou’ a minha carreira, simplesmente fiz as coisas de forma mais gradual.

Que conselhos daria a quem está agora a lançar o seu negócio?

Não existe uma receita que dite o sucesso de um negócio. No entanto, há um conjunto de características indispensáveis a desenvolver. Por exemplo, ser-se resiliente. Ter a capacidade de resolução de problemas é determinante para lidar com os desafios do dia a dia e superar os obstáculos.

Os recursos humanos são uma parte fundamental do negócio. Gosto de dar liberdade à minha equipa para agir. Acredito que desenvolver relações profissionais na base da confiança permite garantir que temos um negócio apto por oferecer as melhores ofertas, mais diferenciadoras e com a maior qualidade. Acima de tudo, desenvolver competências de liderança.

A Wiñk foi pioneira neste método, houve muita resistência inicial?

A partir do momento em que a primeira cliente entrou na loja, nunca mais parámos. Até hoje.

Quando abriu a Wiñk, o Threading era um serviço era completamente inovador, uma vez que não havia outra marca que se dedicasse a esta atividade no mercado português, por isso não havia comparações. Além disso, como abrimos numa altura de crise, tivemos uma relativa facilidade na aquisição dos espaços nos shoppings que desejávamos. Toda esta conjuntura foi favorável à abertura do negócio.

De repente, o que era uma necessidade minha, tinha-se tornado um negócio, e muito pouco tempo depois de termos aberto a loja das Amoreiras, começámos a pensar na expansão da marca.

Hoje existe mais concorrência, como é que se conseguiu manter relevante?

O crescimento da Wiñk sempre foi muito orgânico e natural. Depois da abertura e do sucesso da loja nas Amoreiras, tivemos um convite para abrir no Atrium do Saldanha. Depois o Vasco da Gama, o CascaiShopping, o Oeiras Parque e o Colombo.

Nunca pensei que um negócio que partiu de uma necessidade minha alguma vez pudesse ter esta dimensão. Ainda hoje não posso dizer que exista uma marca em Portugal que seja nossa concorrente. Há sim, pessoas que fazem o serviço, mas uma marca como a Wiñk não existe.

Acho que nos conseguimos manter relevantes pela nossa capacidade de inovação e no aperfeiçoamento dos serviços prestados e dos produtos, de forma a criar valor para o cliente e ir ao encontro das suas necessidades e exigências. Para além disso, somos extremamente exigentes com a formação e técnica, mas também com o atendimento ao público – a forma de estar. Queremos que a ida às lojas da Wiñk seja sempre uma experiência.

Os nossos procedimentos, loja, materiais, desde a iluminação ao chão, contribuem para a formação dessa experiência diferenciadora relativamente aos outros espaços. Estes fatores são o segredo do nosso sucesso: os nossos clientes sentem-se cuidados.

Projetos para Wink a curto e a longo prazo?

A Wiñk quer continuar a ser a marca de referência nas sobrancelhas que contam histórias. Ser a escolha do consumidor. Acima de tudo, queremos ser uma marca inclusiva, que contribui para a desmistificação da beleza, cumprindo objetivos claros: abrir novos horizontes, expansão dos serviços, aumento e retenção da base de clientes. Queremos expandir a nossa marca ibérica, mas também transatlântico – no Brasil, por exemplo.

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