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Os bebés sabem matemática, não há diferenças estrondosas entre rapazes e raparigas, e as hormonas não são assim tão decisivas… Descobrimos no livro ‘Bem vindo ao cérebro do seu filho’ imensos factos interessantes. Pronta para uma visita?

– Em primeiro lugar, relaxe: não é o responsável único pelo êxito e felicidade dos seus filhos. De facto, a família nuclear é uma invenção recente: durante grande parte da evolução, as crianças eram criadas pela comunidade.

– Já nascemos com uma espécie de ‘chip’ para aprender a falar. Mesmo que nunca ensine os seus filhos a falar, é altamente improvável que comecem a imitar o gato ou o ar condicionado.

– Quais são as primeiras coisas que aprendemos? Não é qualquer coisa, nem ao acaso. Os bebés aprendem a detetar a regularidade ou raridade de determinado acontecimento, sabem relações de causa-efeito, percebem que os objetos continuam a existir mesmo que não se vejam, e organizam informação em categorias (por exemplo, se estiver habituado a ver só mulheres, olhará mais tempo para um rosto masculino). Sabem distinguir vozes e rostos.  Sabem o que é um animal e o que é uma peça de mobília. E são estas as principais ferramentas com que vão crescer.

– A amamentação em si não torna as crianças mais inteligentes. O que acontece é que as mães que optam por amamentar regra geral têm um QI mais elevado…

– Um bebé não é um recipiente passivo da informação que lhe é dada: ele busca ativamente as informações que lhe sejam mais úteis em dada fase do seu desenvolvimento.

– É importante  falar ‘à bebé’ com um bebé: ninguém chega ao pé de um berço e atira em voz ressonante, “Então diga lá, Tiago Afonso, como é que lhe está a correr o dia?”

Chilrear no tom mais agudo que consegue, a arrastar a fala, a marcar as vogais, e a falar.. bem, à bebé, não é uma mania inútil. Muito antes de um bebé conseguir perceber uma palavra, consegue perceber um tom. Pode não entender o significado da palavra ‘amorzinho’, mas se o disser com a entoação certa, ele vai perceber…Além disso, os bebés são mais sensíveis aos sons agudos. E falamos mais devagar para que eles aprendam as palavras…

– Nem todos os bebés aprendem tudo da mesma maneira. Por exemplo, nem todos os bebés passam pela fase do gatinhar (alguns porque a roupa não ajuda…) e, como todas as mães, já notaram, aprendem a andar mais rapidamente se forem estimulados. Mas tal não é necessário: se o seu bebé começar a andar tarde não se preocupe: os que andam cedo não ficam com mais aptidões motoras que os outros…

– Os bebés imitam-nos, mas inteligentemente: por exemplo, Se um bebé de 14 meses vir uma pessoa bater com cabeça num candeeiro e este se acender, vai bater com a cabeça no candeeiro para ele acender. Mas se a pessoa bater com a cabeça no candeeiro com as mãos amarradas, a criança vai usar as mãos para acender o candeeiro, porque parte do princípio que a pessoa não as usou porque não podia… Faça esta experiência com o seu bebé…

– Farta de brincar ao ‘Cucu! ‘? Saiba que é uma aptidão importantíssima: assim uma criança aprendem a prever acontecimentos futuros, divertidos quando é uma mãe, potencialmente perigosos quando era um leão…

– Há diferenças entre um cérebro masculino e um feminino? Há, mas insignificantes. A maior diferença é precisamente a preferência por brinquedos ‘de género’, que têm quase de certeza uma base inata, embora também sejam influenciadas pela cultura. Curiosamente, as meninas vão-se flexibilizando. Aos cinco anos, quase metade escolhe um brinquedo típico de rapaz, se puderem escolher. Os rapazes, por outro lado, continuam a recusar brinquedos típicos de rapariga, provavelmente porque o castigo de agir como uma menina é pesado.

– As diferenças de género têm menos influência do que, por exemplo, a diferença entre estudar numa boa escola e viver num bairro de classe média do que viver e estudar num bairro de baixos rendimentos…

– A adolescência é um tempo de risco porque o impulso de procurar sensações ganha força sem que a autorregulação tenha amadurecido. O amadurecimento tardio do córtex frontal leva a alterações na área do autodomínio, do planeamento, da resistência às tentações. Por isso, a adolescência é uma fase em que o equilíbrio entre impulso e moderação é… complicado.

– E a culpa não é das hormonas: embora estas aumentem na adolescência, poucas provas há de que influenciem o comportamento adolescente de forma significativa. Uma dupla explosiva: quando às hormonas se junta uma fraca relação entre pais e filhos…

– É quase impossível obrigar um bebé a ter medo de uma flor, mas se lhe rosnar ele assusta-se… Algumas ‘memórias’ pré-históricas já nascem connosco…

– Brincar é importante não só porque é divertido, mas porque é um treino. “Estamos programados para gostar de atividades que sejam úteis à nossa sobrevivência. Se estes comportamentos essenciais não fossem divertidos, poderíamos esquecer-nos de os ter, e depois a nossa vida não seria tão boa. A brincadeira tem um propósito de adaptação e dá vantagem em termos de sobrevivência.” E preste atenção à forma como o seu filho brinca: a brincadeira também é um ensaio de relações sociais, e uma criança que brinca mal e se dá mal com as outras poderá vir a ter disfunções em adulta. 

– O cérebro das crianças exercita-se enquanto lê, mas também durante um jogo de futebol. O controlo do movimento e do equilíbrio aperfeiçoa-se ao longo da adolescência.

– 82% das crianças com 12 anos têm vida on-line. “O cérebro da criança está programado para procurar e prestar atenção a novas informações porque a sobrevivência dos nossos antepassados dependia muito da deteção de mudanças no ambiente. Mas o que acontece quando essa informação é obtida com demasiada facilidade? Ainda não se sabe…”

– Ver televisão antes dos 2 anos não só não serve para nada como pode ser nocivo. Os bebés aprendem com as pessoas, não com as máquinas: por exemplo, aprendem línguas com uma pessoa , mas não com uma televisão. Os bebés que passam mais tempo em frente de um écran sabem menos palavras. Portanto, não há nenhuma investigação que prove que ver televisão tenha algum efeito benéfico nos bebés. O cérebro das crianças é fortemente influenciado por interações com adultos interessados, e estas não podem ser substituídas por nada que apareça num écran de vídeo. Depois dos 3 anos, já pode pô-lo a ver qualquer coisa, mas mesmo assim a relação com os outros continua o mais importante.

– A internet pode reduzir a capacidade para a empatia nos adolescentes.  Os adolescentes voltam-se para telemóveis e écrans, e perdem o contacto com as pessoas à sua volta. “As crianças que aprendem online o que são as interações sociais ficam privadas de uma variedade de dicas emocionais. “ Ou seja, não sabem descodificar uma expressão, não sabem dizer quando a outra pessoa não está  a falar em sentido literal, por exemplo. 

– A nossa personalidade é altamente genética: em carater, as crianças parecem-se muito com os pais biológicos, mesmo as adotadas, e estas tendências tornam-se mais óbvias em adultos.

Embora os pais não gostem de o admitir, as crianças são criadas diferentemente na mesma família, consoante o seu temperamento, e além disso o mesmo ambiente tem efeitos diferentes em pessoas diferentes. Mas o ambiente familiar influencia as crianças. Pais frustrados tendem a reagir mal aos filhos, aumentando o comportamento agressivo da criança.

– Maratonas de estudo não funcionam: o cérebro retém informação com mais facilidade se houver tempo para a processar entre sessões de treino. Duas sessões de estudo com tempo de intervalo podem resultar no dobro da aprendizagem do que uma única sessão com a mesma duração. Afinal, as memórias são consolidadas quando recordadas…

– Temos poucas recordações da infância porque a memória infantil é muito instável e os bebés esquecem-se muito depressa. As informações são armazenadas, mas perdem-se no caminho para a idade adulta. Aos dois meses de idade, os bebés só recordam o dia que passou. Aos 21 meses, as crianças conseguem guardar memórias com 3 meses.

– Se o seu filho pensa que a inteligência é uma característica física, portar-se-á de maneira menos inteligente. Se acreditar que com trabalho pode melhorar, terá êxito com mais facilidade.

– O QI só é responsável por menos de metade dos resultados nos testes de inteligência. O resto depende de disposição, motivação, forças e fraquezas cognitivas específicas, experiência e autodomínio.

– Estamos mais inteligentes: um rapaz médio em 1982 tinha 20 pontos a mais do que um homólogo da mesma idade na geração dos seus pais, em1952. Mas, curiosamente, não estamos mais criativos, porque as crianças de hoje têm menos tempo para desenvolver a imaginação, e vivem muitas vezes em horários tão estruturados como s adultos, que não lhes deixam muito tempo para brincar. que consequências é que isto terá? Ainda ninguém sabe…

– Desenvolver o QI leva muitos anos e não é uma razão para ter aulas extra de inglês ou música. Aprender música não vai tornar a criança extremamente inteligente, mas vai melhorar-lhe a disposição, a memória e a coordenação entre cérebro e mãos… e dar-lhe o prazer de saber tocar um instrumento. Por isso, escolha uma atividade pelo prazer que esta vai dar ao seu filho, e não porque vai aumentar-lhe 3 pontos no QI.

Fonte:

Livro: ‘Bem-vindo ao cérebro do seu filho’,Sandra Aamot e Sam Wang, E. Pergaminho

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