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Ricardo Ferreira é o mentor da ‘Escola Financeira’, projeto de educação criado em 2008 e que pretende ensinar, ao longo da vida, questões como a correta gestão das finanças pessoais, como dar educação financeira a crianças e adolescentes, preparar a reforma ou escolher os melhores investimentos. Ricardo é ainda o autor de ‘Educação Financeira das Crianças e Adolescentes’ (Escolar Editora). Pedimos-lhe que nos falasse das linhas que devem orientar a poupança, assim que o bebé nasce. 

– Antes de comprar qualquer produto para o seu bebé, é essencial que se informe daquilo que realmente precisa. Fale com outros pais, com pessoas mais experientes que lhe digam o que vai precisar e aquilo que nunca irá utilizar. Nas farmácias, o esforço é para vender o máximo. Os cursos de preparação para o parto, por exemplo, são ótimas possibilidades para informação. Dizem-nos o que devemos comprar e aquilo que não é necessário.

– Compra de Produtos Usados. Existem lojas (Kid-to-Kid por exemplo) que têm produtos usados que outros pais vendem, quando já não necessitam. Conseguimos encontrar produtos muito bons, em bom estado, e com preços mais baixos.

– Partilha de roupas com outros pais. Em famílias maiores, torna-se mais fácil a partilha de roupas, carrinhos e outros produtos para o bebé e para a mãe. Noutras famílias pode não ser tão fácil, mas convém procurar amigos que já têm crianças para podermos partilhar produtos. A roupa dos bebés dura 1-2 meses…

– Para as creches, porque não juntar 2-3 bebés de pessoas amigas e contratar uma empregada para tomar conta de todos? Não só tem maior qualidade e conforto, como a confiança e segurança será maior.

– A compra de produtos de marca branca poderá ser uma alternativa muito importante em termos de custo. As fraldas dos hipermercados são boas e muito mais baratas. As roupas, apesar de não serem o último grito da moda, são de boa qualidade e a preços muito interessantes. O material escolar também é bom e mais acessível. Claro que os pais podem ter algum receio quando compram alguns produtos para os recém-nascidos. Neste caso, poderão optar por produtos de marca digamos, até aos 4-5 meses e depois trocar (alguns produtos como soro fisiológico ou compressas esterilizadas, por exemplo, são idênticos). Atenção, que alguns bebés fazem alergia a determinadas marcas de fraldas (isso é válido para as de marca ou para as marcas brancas). A partir daí, é utilizar produtos de marca branca (toalhetes, fraldas, soro fisiológico).

– Alimentar o seu bebé com leite materno sai muito mais barato. Garante, também, que o leite está sempre quente e que tem qualidade. Se tiver escolha, opte pelo leite materno o máximo de tempo possível. Ajuda na carteira e na saúde do seu filho (melhora as defesas).

– Quanto aos esterilizadores de biberão, não compre aqueles que são muito caros e complexos. Em alguns supermercados existem esterilizadores de microondas. Custam E10-E15 e com um pouco de água e cinco minutos no microondas esterilizam tudo. A poupança é expressiva.

– A partir de 1 ano, não é necessário comprar carrinhos de passeio muito elaborados e muito caros (aqueles que custam mais de E200-E300). Há as chamadas ‘bengalas’, que são carros que custam E15-E20 e dão perfeitamente para a pouca utilização que têm – se repararmos, não os utilizamos muito, apenas ao fim de semana ou por minutos durante o dia.

– Devemos procurar sempre o en-tretenimento gratuito e os pas-seios nos jardins. É mais saudável e as crianças interessam-se mais. Em crianças até aos 2 anos, por norma, o entretenimento é gratuito mas os pais já pagam. Nunca nos devemos esquecer que as crianças gostam muito mais do tempo que passam connosco (pais) do que com os brinquedos e passatempos que desaparecem ao fim de pouco tempo.

– Critério na compra de presentes. Os nossos filhos não devem receber presentes a todo o momento. Temos de utilizar os presentes com um caráter educativo; mostrar-lhes que são algo destinado a ocasiões especiais. E nunca utilizar presentes para ‘comprar’ a criança ou para que consigamos que ela faça algo que é sua obrigação (arrumar o quarto, por exemplo). Se repararmos, quando nascem as crianças, recebemos inúmeros presentes, desde roupas a bonecas e brinquedos a que o bebé não liga e para os quais não tem tempo. Nestes casos, que tal guardar alguns brinquedos para lhe dar mais tarde? Para o Natal ou para a Páscoa? Para o próximo aniversário? E porque não doar parte destes brinquedos? Ou ainda porque não solicitar a alguns familiares mais próximos que em vez de darem presentes constituam uma poupança num banco?

Saúde: vacinas e acompanhamento no sistema nacional de saúde
Se há área na qual os pais não se poupam a despesas é na saúde dos filhos. Mas os orçamentos domésticos são cada vez mais limitados. “Quando nasceu a minha segunda filha, tive de abdicar do pediatra particular”, conta Filomena Leiras. “São as duas consultadas no centro de saúde pela médica, mas confesso que a mudança também de deveu ao facto de ser uma médica excelente.” Para consultas de especialidade vale-lhe o seu seguro de saúde.  
Muitos pais receiam que o acompanhamento da saúde infantil não seja tão rigoroso no sistema nacional de saúde. A enfermeira Paula Pereira, da Maternidade Alfredo da Costa, assegura que não é o caso. “Os médicos de família estão muito bem preparados para fazer o acompanhamento de uma criança saudável, desde que nasce, e têm formação específica para isso. As recomendações são no sentido de que os bebés vão às consultas de seis em seis meses.” Existem ainda equipas multidisciplinares nos centros de saúde, com enfermeiras e nutricionistas.
Quanto às vacinas não contempladas pelo Plano Nacional de Vacinação, há algumas que são caras, mas nas quais faz sentido investir. “Algumas são fundamentais para a saúde pública. No caso das crianças, acho essencial a vacina da pneumonia – no entanto, há pediatras que não concordam – e a do rotavírus, que se faz até aos seis meses. Muitos pais, mesmo sem dinheiro, fazem um sacrifício enorme para comprar estas vacinas. A da pneumonia custa mais de 100 euros.”

Dicas das especialistas: as mães!
Acessórios:
– “Geralmente, sabemos que estamos grávidas oito meses antes de ter a criança. Por isso vale a pena comprar todos os meses alguma coisa, para controlar despesas, sobretudo quando não se tem ninguém para emprestar carrinho, cama e outros acessórios, como me aconteceu. Escolhi o que queria na Internet e fui ao site kuantokusta.pt ver onde encontrava esses modelos mais baratos. Poupei cerca de 200 euros no trio da Chicco (carrinho de passeio, alcofa, cadeirinha para automóvel)! Na Odisseias.com comprei o kit de biberões, de produtos de limpeza, a cadeira auto e por aí fora. Nas fraldas e toalhetes, passei a comprar marca branca a partir dos três meses, depois do OK do pediatra. São muito mais baratos.” Sofia, mãe de um bebé de 8 meses

Roupa: 
– Os miúdos precisam de muito menos roupa do que pensamos. Mais vale lavar mais vezes (e como são peças pequenas lavam-se bem à mão) e ter sete bodies e sete babygrows para ir trocando; o mesmo vale para os conjuntos que usam de dia. Compro sempre roupa com três meses de avanço porque deixa de servir num instante. Aproveitei  saldos para comprar antecipadamente e promoções de hipermercados que dão desconto em cartão. E nada de roupa de marcas! É desnecessário para uma peça que, no máximo, lhe serve três meses – Madalena, mãe de uma bebé de 10 meses

– A roupa para eles não é barata, por isso, lá em casa existe reciclagem de roupa entre primos; vai passando dos maiores para os mais pequenos. Outra solução que adotei foi comprar a roupa nos saldos com um ou dois tamanhos acima, para dar para a próxima época. Outra “solução” para a roupa (e brinquedos) é a loja Kid to Kid, de peças em segunda mão – Filomena Leiras, mãe da Alice (3 anos) e da Beatriz (8)

Cultura e lazer: 
– Tento fazer com elas atividades que sejam de acesso livre, como, por exemplo, assistir à ‘hora do conto’, promovida por uma série de livrarias. Como a Beatriz é uma leitora ávida, aproveito as promoções da Bertrand das segundas-feiras para comprar com desconto os livros que ela devora durante o mês. Como também gosta muito da Visão Júnior, fiz a assinatura, porque é mais acessível. Para os brinquedos, geralmente faço stock e escondo para lhes dar quando é a ocasião e aproveito as promoções que decorrem durante o ano – Filomena Leiras

As fraldas e toalhetes de marca branca são mais baratas. Mas são seguras?
Paula Pereira, enfermeira especialista em saúde materna e obstétrica, da Maternidade Alfredo da Costa, dá a resposta: 
“Estamos numa fase em que cada vez mais crianças têm alergias. Um bebé gasta entre 8 e 10 fraldas por dia; é uma fortuna, por mês. Mas os bebés podem fazer alergia a qualquer tipo de fralda, de marca ou não. As mães devem experimentar e se não fizer alergia optar pela marca mais económica. Há uns tempos a DECO avaliou as fraldas de marca branca de várias superfícies comerciais e as do Pingo Doce registaram uma boa qualidade. O único problema foi a absorção, menor do que nas fraldas de marca própria. São praticamente iguais às outras. Hoje, a maior parte dos pais optam por marcas brancas para o dia e por uma fralda mais absorvente para a noite.” Quem continua a preferir as marcas mais caras e conceituadas pode poupar bastante aproveitando as Feiras do Bebé e promoções que a maior parte dos híper e supermercados fazem periodicamente.

Coisas em que é melhor não poupar:
– “Na Saúde e nas cadeirinhas de automóvel. E num bom casaco de inverno, grande para dar pelo menos para 2 anos. De resto, compro roupa barata, desde que seja 100% algodão.” Marta Santos, mãe da Luísa, 7 anos 

– “Nos sapatos não se pode poupar, sobretudo quando eles aprendem a andar, porque os de má qualidade podem deformar o pé do bebé e é essencial que tenham uma boa base de sustentação. Filomena Leiras

– “Vale a pena investir em marcas de produtos de higiene vendidos em farmácia, sobretudo no primeiro ano de vida, até porque não se gasta muita quantidade de produto. É preferível usar uma boa marca do que correr o risco de o bebé 
ter uma alergia.” Paula Pereira, enfermeira na Maternidade Alfredo da Costa

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