iStock_78212251_MEDIUM.jpg

JOSH_HODGE

*artigo publicado originalmente em julho de 2016

Margarida Vieitez
Especialista em mediação familiar e de conflito, criou o projeto Espaço Família, entre outros, e é autora de livros como ‘Guerra Entre Quatro Paredes’ e ‘As pessoas que nos fazem felizes’

Valorize o passado comum | A lembrança e partilha de momentos de felicidade vividos a dois, num passado recente ou longínquo, possibilita a aproximação do casal e permite-lhes reviver emoções muito gratificantes. Nos tempos maus, lembrem-se de tudo aquilo que vos juntou no início. Se foram capazes de o viver uma vez, porque não reinventar essa paixão?

Desenvolva a proximidade | Aprenda ou reaprenda a olhar olhos nos olhos da pessoa que ama. Neste mundo andamos todos demasiado depressa e de olhos fechados, e não é assim que se ama. Andamos todos atrás do ter em detrimento do sentir. Um dos exercícios que recomendo aos casais que estão em terapia comigo é ‘olhem olhos nos olhos pelo menos cinco minutos por dia. Deem as mãos. E sintam-se, sintam quem é a outra pessoa’. Nós tocamo-nos pouco, olhamo-nos pouco, e com o tempo acabamos por nos tornar estranhos um para o outro. Não deixe que isto aconteça consigo.

Faça uma lista | Escreva os 10 desejos que gostava que ele cumprisse (claro que ele tem direito a fazer a mesma coisa).Assim, ele já não pode dizer aquilo que me dizem tantos homens em terapia: ‘Ai, mas nunca me disseste que querias que eu fizesse isto ou aquilo!’

Maria de Lurdes Leal
Psicóloga e terapeuta, é membro da Poiesis (Associação Portuguesa de Psicoterapia Psicanalítica de Casal e Família)

Evite o ‘sempre’ e o ‘nunca’ | Porque se disser isso, a outra pessoa não tem nenhuma motivação para fazer diferente. Ora se as coisas são imutáveis… O criticismo sistemático provoca mágoa, ressentimento e frustração profunda. Em lugar disto, sinta curiosidade. Também não é pôr-se no lugar do outro: isso é um lugar-comum que não funciona. Porque nós somos tão diferentes que o que estamos a fazer é a projetar no outro as nossas vivências, a atribuir-lhe coisas que são nossas. O que podemos fazer é desenvolver essa curiosidade genuína em relação ao outro. Se tentar uma atitude de compreensão, o outro não se vai pôr à defesa, não vai haver uma luta pelo poder, e mais facilmente vai tê-lo disposto a colaborar.

Pense no casal que eram os seus pais | Nós aprendemos a falar com os pais, e também aprendemos um modelo de casal que internalizamos e que lá fica inconscientemente. Até podemos criticá-lo, mas a tendência é repetir o que está mal. Ou seja, o que não se reflete, repete-se. O que não puxamos para a luz da consciência, tendemos a repetir. E como somos duas pessoas, cada um trouxe um casal de pais. Muitas vezes, eu tenho uma ideia do que é o casal real, e o outro tem outra ideia. Cada um traz a sua ‘tribo’ apensa. E eu aconselharia também: crie autonomia em relação à sua família de origem. Porque enquanto não for autónomo, o casal não se torna sólido, uno, emancipado. Não tem de cortar com a mãe e a sogra, mas não lhes pode dar o direito de criticar a pessoa que está consigo. Tem de estar em primeiro lugar ao lado daquela pessoa, e não da ‘matriarca’ da família.

Estude o outro género | Se são um casal heterossexual, informem-se sobre a forma de reagir do outro. Tomem isso como uma matéria de conhecimento. Porque é verdade que homens e mulheres são diferentes, e isto gera muitos ressentimentos perfeitamente evitáveis. Aceitem o ‘mistério’, e estudem-no. Se um homem está a ver um desafio de futebol e nós tentamos conversar com ele, ele não vai ouvir. Não vale a pena. Isto é básico, mas é um exemplo.

Gustavo Pedrosa
Psicólogo clínico e terapeuta familiar na Oficina de Psicologia

Surpreenda o outro, mesmo em datas não festivas | A relação não deve ser um depósito de coisas negativas. Use e abuse do tempo de casal, de pequenas surpresas e daqueles momentos que equilibram a ‘balança da relação’ e que dão tanto prazer ao outro. É importante definir momentos da semana e do mês para que o casal se dedique a si, e assim fugir à rotina. Momentos de namoro, de cumplicidade e de envolvimento servem para manter os pilares de romance fortalecidos. Andem de mãos dadas, na rua e na vida.

Cultive interesses comuns | Depois de ultrapassada a fase inicial da paixão, é importante que o casal desenvolva interesses partilhados. A par das atividades individuais, será uma boa prática que exista espaço para atividades que proporcionem prazer a ambos com regularidade. Caso não encontrem pontos em comum muito identificáveis, procurem-nos, inventem-nos. Estas atividades, que poderão passar por passear, praticar algum desporto ou algum outro hobby, permitem ao casal ter tempo de qualidade, que poderá revelar-se construtivo em fases de maior distanciamento ou crise.

Partilhem, muito e bem! | A partilha é fundamental. Os casais felizes tendem a expressar verbalmente mais vezes o que sentem em relação ao outro, quer se trate de um elogio, de uma declaração de amor ou de tristeza. Colocar em palavras as emoções e partilhá-las com o companheiro em tempo real potencia a cumplicidade do casal e aumenta a qualidade da comunicação, diminuindo a possibilidade de conflitos ou situações mal definidas. Começar as conversas por “Sinto que…” faz com que o outro não se sinta atacado e esteja mais disponível para ouvir verdadeiramente a partilha.

Cláudia Morais
Psicóloga e terapeuta familiar, é ainda autora dos livros ‘O Amor e o Facebook’ e ‘Sobreviver à Crise Conjugal’

Não exija a perfeição | Idealizamos as relações, e corremos o risco de exigir a perfeição. Sabemos que a perfeição não existe, mas na prática temos muita dificuldade em aceitá-lo, tal como temos dificuldade em aceitar que aquela pessoa seja diferente de nós. Mas isto implica a possibilidade de termos alguém que também nos aceita, que gosta de nós apesar dos nossos defeitos, e é isso que nos dá segurança, saber que é possível levar uma relação até ao fim dos nossos dias.

Esforce-se por fazer o outro feliz | É essa a base de uma relação feliz. A pessoa que está comigo tem sonhos e projetos que dependem do seu esforço, mas há muito em que eu posso ajudar. Fazer o outro feliz pode passar por coisas tão simples como saber que a pessoa gosta de estar com a sua família de origem e potenciar isso. Isto tem a ver com o conhecimento do outro, e tem a ver também com não estar a medir com régua e esquadro quem fez o quê. Se eu decido ajudar o meu marido a cumprir um sonho, não vou estar a dizer-lhe ‘olha, mas vê lá que eu fiz isto por ti, e agora, o que vais fazer por mim?’

Crie uma identidade de casal | Um casal tem de ter um rumo partilhado, um projeto de família. Ter sonhos em comum é muito importante para que se crie uma sólida identidade a dois. Uma coisa é ser o João e a Maria, outra ser o casal formado por essas pessoas. Não estou a falar de relações fusionais, porque cada pessoa deve ter vida fora do casal, mas esta identidade a dois também é protetora da relação e tem de ser sólida. Sonhar a dois é essencial, divertirem-se juntos é essencial. Há que acarinhar a relação, tal como não nos esquecemos do filho mais velho quando vêm os outros. A relação é o nosso primeiro filho: e é dela que devemos cuidar em primeiro lugar.

Fernando Mesquita
Psicólogo e sexólogo da clínica Psicronos, faz parte do projeto ‘Lovedoctors’

Aceite-se para aceitar o outro | Só conseguimos aceitar o outro quando fazemos a mesma coisa em relação a nós. Vivemos muito distraídos de tudo, até evitamos o silêncio e a solidão para não pensar. Até quando nos sentimos tristes evitamos essa tristeza, que faz parte de nós.

Reforce os comportamentos positivos | Estamos sempre muito prontos a criticar, falar nas coisas negativas, quando o importante é trabalhar no sentido oposto. Um dos exercícios que faço com os casais é pedir-lhes que, ao fim do dia, cada um diga três coisas de que gostou no outro. Muitas vezes nós até nos lembramos do outro e fazemos algo por ele, mas se a pessoa não valorizou esse esforço deixamos de o fazer. E nós também não estamos habituados ao reforço positivo, porque a própria escola desde pequenos só nos aponta defeitos.

Não baixe os braços | Esqueça a ‘contabilidade afetiva’. Muitas vezes o que dizemos é ‘eu já fiz tudo o que estava na minha mão, agora ele é que tem de se mexer’. Ora os dois têm de fazer a sua parte para ‘regar’ a relação e todos os dias procurarem fazer coisas positivas um pelo outro, mas atenção: sem exigir. Uma coisa é fazer porque acho que faz sentido, porque amo aquela pessoa, e porque me dá prazer a mim, outra é fazer porque sou obrigado. O ideal é um esforço continuado, não um esforço que se faz para reconquistar o outro e depois pronto. Não se pode agradar ao outro só para depois lhe cobrar isso. Deve-se fazer aquilo que se acha que está correto.

Relacionados

Mais no portal

Mais Notícias

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem "acordar" células cancerígenas adormecidas nos pulmões

O futuro da energia é agora

O futuro da energia é agora

25 peças para receber a primavera em casa

25 peças para receber a primavera em casa

As longas asas da família Mirpuri

As longas asas da família Mirpuri

Moda:

Moda: "Look" festivaleiro

Margherita Missoni: “A moda tem de  acompanhar o ritmo das mulheres”

Margherita Missoni: “A moda tem de  acompanhar o ritmo das mulheres”

Ericeira: Escapada com sabor a ouriço

Ericeira: Escapada com sabor a ouriço

Indeed e Glassdoor vão despedir 1300 trabalhadores

Indeed e Glassdoor vão despedir 1300 trabalhadores

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Carregamentos na rede Mobi.E passam pela primeira vez os 700 mil num mês

Carregamentos na rede Mobi.E passam pela primeira vez os 700 mil num mês

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Do Liberation Day ao Acordo de Genebra – O que se segue?

Do Liberation Day ao Acordo de Genebra – O que se segue?

A fruta comum que têm mais de 1600 elementos e que os cientistas querem ver reconhecida como

A fruta comum que têm mais de 1600 elementos e que os cientistas querem ver reconhecida como "superalimento"

Maria João Ruela reúne família na apresentação do seu primeiro livro

Maria João Ruela reúne família na apresentação do seu primeiro livro

Ovos

Ovos "ilibados" no caso do colesterol

CARAS Decoração: 10 espreguiçadeiras para aproveitar o bom tempo

CARAS Decoração: 10 espreguiçadeiras para aproveitar o bom tempo

Cosentino inaugura o Cosentino City Porto e reforça a sua presença em Portugal

Cosentino inaugura o Cosentino City Porto e reforça a sua presença em Portugal

Ralis de regularidade: das apps gratuitas às sondas, conheça a tecnologia que pode usar para ser competitivo

Ralis de regularidade: das apps gratuitas às sondas, conheça a tecnologia que pode usar para ser competitivo

Samsung vai lançar smartphone dobrável tríptico até final do ano

Samsung vai lançar smartphone dobrável tríptico até final do ano

Um viva aos curiosos! David Fonseca na capa da PRIMA

Um viva aos curiosos! David Fonseca na capa da PRIMA

Um século de propaganda na VISÃO História

Um século de propaganda na VISÃO História

Sede da PIDE, o último bastião do Estado Novo

Sede da PIDE, o último bastião do Estado Novo

Não perca na CARAS: tudo sobre o casamento de Catarina, filha de António Costa, com João Rodrigues

Não perca na CARAS: tudo sobre o casamento de Catarina, filha de António Costa, com João Rodrigues

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1728

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1728

Bernardina faz cirurgia plástica (veja as imagens!)

Bernardina faz cirurgia plástica (veja as imagens!)

Pavilhão Julião Sarmento - Quando a arte se confunde com a vida

Pavilhão Julião Sarmento - Quando a arte se confunde com a vida

Dia da Criança: 5 sugestões para te divertires

Dia da Criança: 5 sugestões para te divertires

A poesia que sai à rua em Salvador

A poesia que sai à rua em Salvador

Guia de essenciais de viagem para a sua pele

Guia de essenciais de viagem para a sua pele

Cérebro: As novas e surpreendentes descobertas da Ciência

Cérebro: As novas e surpreendentes descobertas da Ciência

A Terra já passou dos limites. Nós é que ainda não percebemos

A Terra já passou dos limites. Nós é que ainda não percebemos

E se os refugiados do clima formos nós?

E se os refugiados do clima formos nós?

Portugália Belém reabre renovada em ano de centenário

Portugália Belém reabre renovada em ano de centenário

As fotografias do reencontro de Rita Pereira e Isaac Carvalho

As fotografias do reencontro de Rita Pereira e Isaac Carvalho

Vendas da Tesla na Europa estão em queda

Vendas da Tesla na Europa estão em queda

Familiares e amigos despedem-se de João Lobo Antunes

Familiares e amigos despedem-se de João Lobo Antunes

António Casalinho: ninguém o pára

António Casalinho: ninguém o pára

Stella McCartney: designer distinguida na Nat Gala

Stella McCartney: designer distinguida na Nat Gala

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1730

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1730

Deus, intuição e Rock and Roll

Deus, intuição e Rock and Roll

“Uma mãe-chimpanzé educa os filhos tal como uma mãe humana devia educar os seus”. Os ensinamentos de Jane Goodall numa entrevista a VISÃO

“Uma mãe-chimpanzé educa os filhos tal como uma mãe humana devia educar os seus”. Os ensinamentos de Jane Goodall numa entrevista a VISÃO

De Zeca Afonso a Adriano Correia de Oliveira. O papel da música de intervenção na revolução de 1974

De Zeca Afonso a Adriano Correia de Oliveira. O papel da música de intervenção na revolução de 1974

Todos os visuais que deslumbraram nos Emmy Awards

Todos os visuais que deslumbraram nos Emmy Awards

Parque Marinho Luiz Saldanha: Um mar abençoado, nas palavras e imagens do multipremiado fotógrafo Luís Quinta

Parque Marinho Luiz Saldanha: Um mar abençoado, nas palavras e imagens do multipremiado fotógrafo Luís Quinta

Novo implante do MIT evita hipoglicémias fatais nos diabéticos

Novo implante do MIT evita hipoglicémias fatais nos diabéticos