Brandy Norwood, Drew Barrymore e Camila Cabello já interpretaram esta personagem

Uma rapariga órfã. Uma madrasta malvada. Um príncipe. Uma fada madrinha. Um baile. Um sapato de cristal. Estes são os ingredientes principais de uma história que provavelmente todos conhecem. “Cinderela” ou “A Gata Borralheira”. E se o conhecido conto de fadas tem versões de diferentes autores, desde os irmãos Grimm a Charles Perrault, o mesmo podemos dizer do que a indústria cinematográfica fez a esta história.

Admitam. Tal como eu já assistiram a imensos filmes sobre Cinderela. Aposto que o primeiro foi ainda na infância, com o clássico da Disney que remonta a 1950 (quantas meninas não sonharam com aquele vestido de baile azul…). Mas além desse, existem muitas outras versões. 

“Cinderela”, de 1950

Vamos a exemplos? Em 1997, Brandy Norwood foi a protagonista, com Whitney Houston a vestir a pele da fada madrinha e Whoopie Goldberg a de rainha. Um ano depois surge aquele que considero um dos meus preferidos desta lista: Para Sempre – Cinderela, com Drew Barrymore. Em 2004 Anne Hathaway protagonizou o divertido e musical Ella Encantada. Curiosamente, esse mesmo ano, surge A História da Cinderela, uma adaptação mais moderna com Hilary Duff. Em 2008 foi Selena Gomez quem ficou à frente numa película semelhante. 

A Disney voltou a esta história em 2015 com a adaptação em live action do original lançado em 1950, com Lily James a interpretar a personagem princial. O mais recente, de 2021, foi lançado na plataforma de streaming Prime Video e tem nomes Camila Cabello, Idina Menzel e Billy Porter no elenco.

Podíamos falar da forma como a mulher é representada nesta história, do pouco sentido que faz depender a sua felicidade num homem que acabou de conhecer, entre outros tópicos relevantes, mas o que vamos aqui abordar é outro tema. Por que motivo continuamos a ver filmes da Cinderela?

Lily James em “Cinderela”, de 2015

Já conhecemos as principais características de cada personagem, sabemos os elementos chaves da ação e o final não traz qualquer surpresa. Ainda assim, filmes sobre a Cinderela (e até livros, mas vamos focar-nos apenas nos filmes) continuam a ser produzidos e a terem um grande público. 

Fui pesquisar o que nos leva a continuar a ver filmes com esta história e encontrei um artigo escrito pela cientista Alayna Kennedy, que procura dar uma resposta tendo como base os estudos do psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung (1875-1961). Kennedy enaltece o conceito de inconsciente coletivo, que abrange toda a humanidade e que é povoado por instintos, arquétipos e símbolos universais, com evidências em diferentes culturas em todo o mundo.  Para esta cientista, a história da Cinderela pode estar ligada a esta teoria, sendo ela própria um símbolo do nosso inconsciente, sendo nós a dar-lhe significado por meio das nossas próprias experiências. 

Quer isto dizer que, talvez, nos revejamos na luta desta protagonista por um futuro mais risonho, no desejo por alcançar um vida mais abastada e com amor após um período de provações. Ali está um exemplo de que a bondade compensa e de que devemos ter esperança pois algo de melhor está a chegar. Mas será esta a resposta a final à dúvida inicial?

Hilary Duff e Chad Michael Murray em “A História da Cinderela”, de 2008.

A verdade é que não sei se ficou descoberto o que provoca o sucesso destes filmes que repetem sempre a mesma fórmula. Pode ser por o público se encontrar numa forma profunda nesta história, pode ser por se tratar de um filme decontraído e agradável de ver em família, pode ser que os estúdios de cinema continuam a apostar nesta história por ser algo “simples” e nós a consumirmos porque está ali, acessível.  

O que sei é que Cinderela tem encantado gerações ao longo de mais de três séculos e que dificilmente cairá no esquecimento. Até porque aposto que vai continuar a inspirar filmes, livros, peças de teatro, séries de animação entre muitos outros conteúdos, adaptando-se cada vez mais aos valores de cada época e, assim, sofrendo ligeiras alterações. É que por vezes a menina órfã não se conforma com a vida que tem e luta por algo melhor para si e para quem a rodeia, outras vezes quer mais do que um casamento, noutras ainda é ela a salvar o príncipe. O que não falta são sempre os ingredientes principais um ligeiro toque de magia.  Bibbidi-Bobbidi-Boo!

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