@flavio_furtado_oficial

É o assunto mediático do dia e muita discussão está a gerar nas redes sociais. Contudo, faz-nos desviar de um tema de grande importância e que acaba, mais uma vez, por ser relegado para um plano secundário. Falo da troca de comentários da apresentadora Cristina Ferreira e da comentadora Ana Garcia Martins, conhecida como Pipoca Mais Doce, na gala deste domingo, 13, de “Big Brother Famosos”, da TVI.

As duas mostraram as suas posições relativamente a uma situação que tem chamado a atenção ao longo das últimas semanas entre dois concorrentes que assumiram uma relação. Uma situação que abriu a discussão sobre violência doméstica e que até deu origem a uma queixa no Ministério Público pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género . Dois concorrentes que afirmam ter-se apaixonado, mas cujos comportamentos e atitudes da dinâmica de casal levaram muitos espectadores a questionarem se entre eles havia ou não sinais de violência psicológica e emocional.

Não quero falar sobre a minha opinião sobre o caso em si, mas sim sobre a oportunidade que surgiu para trazer para a ordem do dia algo tão importante e que afeta tantas pessoas. Muito se fala sobre violência doméstica, mas ainda estamos programados para apenas a vermos na forma física. Parece que é preciso uma marca no corpo para que todos aceitem que realmente existiu uma agressão no contexto de uma relação (e mesmo aí, quantas vezes a vítima é vista com dúvida…) A violência no contexto físico e emocional é mais difícil de distinguir e aceitar. Difícil de entender para quem está de fora da dinâmica de casal, e ainda mais para quem está dentro. Estava lançado o mote para refletirmos sobre o assunto e sensibilizar-nos para o que é, como acontece e como escapar.

Na Activa.pt, decidimos debater o assunto. Ao longo dos últimos dias, foram publicados artigos sobre como avaliar os sinais de uma relação tóxica, formas de perceber se se está ou não num relacionamento saudável, métodos para distinguir uma pessoa narcisista com capacidade para manipular as outras pessoas, ou dicas para estabelecer limites pessoais fortes. Estes eram alguns dos temas que queríamos ver debatidos, comentados e que se tornassem de conhecimento comum. Para desmistificar algo que ainda é visto com descrença e que traz fortes sequelas para as vítimas. Para ajudar quem está nestas situações a identificá-las. Para dar ferramentas a quem está de fora para dar um melhor apoio. Para prevenir e resgatar. 

Mas o foco mudou.

Depois da gala de domingo, um dos concorrentes que fazia parte do casal foco desta discussão saiu do programa, por vontade do público. As atenções podiam ter-se voltado para o que realmente aconteceu naquela casa, para os sinais, para as justificações, para os comportamentos, mas acabou dividida. O público passou a preferir discutir a troca de opiniões entre apresentadora e comentadora. Colocou, mais uma vez, uma mulher contra outra mulher e desviou a atenção do que era importante. Voltamos a cair neste erro tão comum e ainda tão fácil. 

Nas redes sociais, quase que se assiste à criação de duas claques, cada uma a dar força e a apoiar uma das intervenientes. Palavras como “arrasou” ou “destronou” ou “calou” são as mais escolhidas para analisar o facto de duas pessoas terem formas diferentes de abordar um assunto. Mais uma vez digo que não vou dizer com que lado do discurso mais me identifico, pois não é isso que importa. O que importa é que não conseguimos aceitar que duas mulheres são capazes de terem opiniões diferentes ou formas distintas de lidar com algo, que as colocamos logo como rivais. 

Não damos espaço para entender que a discussão, que a troca de ideias e argumentos pode ser benéfica. Que o facto de haver espaço para cada uma dizer o que pensa é enriquecedor. Que é no diálogo que percebemos a forma de pensar do outro e, muitas vezes, até analisamos as nossas perspectivas e até as mudado. Como são mulheres, são logo colocadas em lados opostos de ringues, com o público a querer ver quem sai derrotada. Pois tenho algo para vos dizer: duas mulheres podem discutir, com ambas a saírem a ganhar. Tudo depende da vontade de se ouvirem mutuamente. 

Agora, vamos esquecer a troca de palavras que aconteceu entre apresentadora e comentadora, e voltar a focar no que realmente importa. 

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