Foto Pexels/RDNE Stock Projct

1 Resumir a história dos Três Porquinhos.
“Era uma vez três porquinhos e depois. eh. um deles fez uma casa de pedra e depois veio o lobo e teve de entrar pela chaminé. Fim.”

2 Adoçar o fim.
“O lobo entrou pela chaminé mas depois. eh.” não caiu nada num caldeirão de água a ferver, coitadinhos dos miúdos, depois ainda têm pesadelos e eu preciso de dormir, então, “o lobo entrou pela chaminé e depois ficaram todos amigos e sentaram-se a lanchar”. Pronto. Pela concórdia entre os povos.

3 Comer porcarias depois de as crianças estarem na cama.
AHHHHHHH, uma batatinha frita! Temos de dar bons exemplos enquanto estão acordados, mas ninguém diz que temos de continuar a dá-los depois de estarem a dormir. Certo?

4 Estar no Facebook/Instagram/jogo online enquanto se finge que se brinca.
“Sim, a mãe já vai esconder-se. espera aí um bocadinho. Olha, vai recortando este desenho para depois colarmos. Agora desenha aí, eh, um burro. Nunca viste um burro? Ó pá, desenha um carro. Depois recorta o carro.” Isto tudo enquanto se espetam variados coraçõezinhos e se percorrem vários ‘quintais’.
A criança, que não é burra, começa a perceber que a mãe só ali está fisicamente e há uma altura em que se tem mesmo de largar os amigos virtuais e voltar à criança real, mas enfim, uma pessoa não é de pedra.

5 ‘Perder’ a chucha.
Há quem seja democrata e faça acordos do tipo ‘Se deixares a chucha, eu levo-te à Eurodisney’ (pronto, eu levo-te à praia ao fim de semana). Mas a esmagadora maioria opta pelo ‘não sei da tua chucha, a sério que não sei, acho que vais ter de dormir sem ela’.

6 ‘Perder’ o brinquedo que apita.
Os tios ou o seu melhor amigo resolveram dar-lhe o que ele sempre quis: uma bateria. Ou um daqueles telemóveis a fingir da loja do chinês que basta olhar para eles e vomitam uma música chinesa em agudos que rebentam o serviço de copos da cristaleira. Claro que a criança ama. Óbvio. Sorriso amarelo da mãe. Ai que lindo, o que ele sempre quis isso! Pois sempre quis, mas havia uma razão para nunca ter tido: ainda só passaram dois minutos e já ninguém aguenta o chinfrim.
Teme que os vizinhos a obriguem a mudar de prédio. E de país. Daqui a nada de certeza que alguém chama a polícia. E todos os pais merecem sossego.
Amanhã, quando ele acordar, a bateria e o telemóvel de plástico desapareceram misteriosamente. Fugiram de casa. Pluft. Devem ter voltado para sua China natal, de que estavam mortos de saudades, coitadinhos. Nunca mais ninguém os viu (nem verá, se Deus quiser).(Pelo menos ninguém desta família).

7 Dar-lhe o telemóvel para que ele coma sossegado.
Pois toda a gente sabe que não se deve fazer, que eles depois vão ficar zombies tecnológicos sem coração, mas no momento presente a gente quer é que ele coma o raio das ervilhas. Pronto, os douradinhos. Qualquer coisa. Nem que para isso seja preciso ‘capitular’ e deixá-lo ver desenhos animados no smartphone.

8 Usar a criança como desculpa.
“Ai ó Sofia, não vamos poder ir ao vosso churrasco anual de verão, o Manelzinho tem uma festa e já confirmou há semanas. Sabes como é, ser mãe é não ter um momento de descanso, festinhas a toda a hora.” E também é ter uma fantástica desculpa para não sair de casa quando não lhe está mesmo nada a apetecer.

9 Dizer ‘quando viermos para baixo’.
É uma ‘peta’ clássica, já utilizada pelas nossas mães. “Sim, filho, esse carrinho é lindo, mas agora não temos tempo, olha, quando viermos para baixo a mãe compra-te, ok’.” Está bem abelha. Quando vierem para baixo vêm estrategicamente por outro caminho, outra rua, ou de táxi, ou de metro, ou ele já não se lembra, ou vem a dormir.
Coitadinhos dos miúdos, passam a vida a ser enganados, e sabem-no. Todos os miúdos à segunda vez sabem que isto é tanga, mas enfim, por um lado não há nada a fazer, e por outro a esperança é a última a morrer.

10 Pedir a mais no restaurante só para acabar o esparguete à bolonhesa.
“Não comes um prato todo, pois não? Então a mãe pede o esparguete e depois acaba o que tu não queres, está bem?” Os sacrifícios que uma mãe faz por um filho.

11 Dizer-lhe que o carro do Nodi está estragado.
Ou a Abelha Maia. Ou o cavalinho. Ou a mota. Ou o mini-carrossel. Nenhuma criança resiste às máquinas de diversão dos centros comerciais, mas quase nenhum pai lá vai pôr a moedinha para aquilo andar. E no entanto é uma felicidade tão grande por uma quantia tão pequena.

12 Dar-lhe aquele livro que adorámos em criança… e que ele nunca vai ler.

Se lesse ia adorar, mas o problema é que por um estranho mecanismo de autodefesa, zero crianças fazem de boa vontade aquilo que os pais gostariam que elas fizessem. Por isso, bem pode dizer-lhe ‘Ai ó Tiaguinho o que eu gostei deste livro quando tinha a tua idade” (geralmente tinha aí mais uns 5 anos, se fizer bem as contas), que ele nunca lhe vai pegar.

13 Bisbilhotar os segredos deles.
Dantes lia-se os diários dos miúdos, agora vasculha-se o Instagram deles ou o TikTok (e os coitados têm de passar pela humilhação de amigarem a mãezinha, senão ficam sem casa e sem herança) à procura de alguma coisa com que stressar. Dica n.º1: Não vai encontrar nada com que se preocupar, porque a partir do momento em que eles pressentirem a mãezinha, bazam. Dica n.º 2: Caso encontre (alguma coisa preocupante), não vai saber o que fazer com aquilo. Boa sorte.

14 Fazer ‘contratos’ deseducativos.
“Se não comeres o peixe todo, não há sobremesa.” Os psicólogos fartam-se de nos dizer que não se deve usar a sobremesa como recompensa, mas lá está, é outra das frases que herdámos das nossas mães e que se encasquetou no nosso DNA e não há nada a fazer.

15 Dizer-lhe que o que eles querem é ilegal.
“Sabes que é proibido uma criança com menos de 15 anos deitar-se depois das 10h? Pois é. Está na Constituição.”

16 Jurar que a loja está fechada.
“Não podemos lá ir agora, a loja não abre durante o fim de semana, os vendedores estão todos a dormir.”

17 Deixá-los ganhar.
Pronto, de vez em quando também somos queridos e simpáticos. Quem é o pai ou a mãe de coração tão empedernido que se empenhe a sério a defender golos ou a chegar primeiro ao ponto de partida? Ok, há alguns que não gostam de perder nem com alguém de 2 anos, mas a maioria faz essa caridadezinha. Pronto, menos no Jogo da Glória, que não conhece pais ou filhos e onde não há nada a fazer: se se cai no inferno, cai-se no inferno e não há volta a dar. Quer se seja pai ou filho. É um jogo bastante educativo para as agruras que os esperam e que devia ser mais jogado.

18 Bazar porta fora do quarto assim que eles adormecem
E pensar ‘é uma pena que não sejam sempre assim, anjinhos’.

19. Deixá-los dormir na cama dos pais

A meio da noite, não se lembra nem se interessa pelo que aconselham os manuais. Ele sobe para a cama dos pais e fica lá, porque francamente quem é que se vai levantar para o levar outra vez para a cama (e para quê).

20. Vestir-lhe casacos a mais

Pois, sabe perfeitamente que não estamos na Sibéria, o dia até nem está frio, mas esta é daquelas coisas que, lá está, encarnamos as nossas mães e avós. Não há uma só criança portuguesa que, em estando ao alcance da mãe, não tenha pelo menos cinco camadas de roupa em cima no inverno (os bebés mesmo no verão). E ainda dizemos ‘não percebo porque é que ele está todo suado’.

21 Acabar os TPCs

‘Ai isso é tão fácil. Deixa cá ver. Põe aí 4, 25 e 6,7 e vamos jantar. Depois amanhã pedes à professora para explicar melhor.”

22 Ralhar quando não deve

Já está, pronto, saiu-lhe da boca, mas ele também faz perder a cabeça a um santo… E uma mãe não é de ferro. Pronto, vamos lá pedir desculpa.

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