Se os lubrificantes, em particular os à base de água, têm um importante papel na actividade sexual como forma de facilitar a penetração, há outro tipo de lubrificantes que também são utilizados em contextos sexuais como modo de ultrapassar outras dificuldades. Refiro-me às drogas em geral e ao álcool em particular.
Há que dizer, a bem da verdade, que nem toda a utilização do álcool é negativa ou prejudicial. Apesar de não ser uma ideia consensual na comunidade científica, muitos médicos há que defendem que um copo de vinho às refeições é bom para a saúde. Em situações sociais, beber álcool pode ser um bom desinibidor, permitindo que se crie um certo clima de descontracção e à-vontade, por vezes difícil de obter de outro modo. Esta utilização moderada do álcool, desde que ocasional, pode ser uma forma de vencer certas inibições ao nível social e sexual. Pessoas que tenham dificuldade em estabelecer novos conhecimentos ou em exprimir e experimentar o prazer sexual podem beneficiar do uso do álcool porque, ao diluir tensões e inibições, o álcool permite enxotar certos macaquinhos do sótão. E por esse motivo pode ser considerado como um bom lubrificante social.
O problema é que, frequentemente, se utiliza esta substância de um modo pouco adequado. Num país de tradição vinícola, em que faz parte da cultura um consumo alcoólico excessivo e em que continua a fazer-se muito pouco para prevenir o abuso do álcool, é habitual fazerem-se muitos disparates devido a um ou a vários copos a mais. Quem começou por utilizar a bebida para se sentir mais à vontade na discoteca para falar com o rapaz ou com a rapariga que se considerava atraente pode acabar a noite na cama com alguém com quem, se estivesse lúcido, nunca quereria sequer falar. É que o álcool tem o efeito de baixar os nossos níveis de exigência para limites inimagináveis enquanto sóbrios… Além de que, sob o efeito da bebida, se passa a estar mais vulnerável a todo o tipo de abusos, nomeadamente a violação, uma vez que se está menos atento e com menor capacidade de defesa perante situações deste tipo. Há ainda que ter em consideração que o excesso de álcool torna menos provável a utilização do preservativo. Muitas gravidezes indesejadas e muitas infecções sexualmente transmissíveis surgiram devido ao copo a mais que se bebeu numa certa noite de diversão.
Por último, há que não esquecer que o abuso do álcool pode ser uma forma de acabar por completo com a actividade sexual. Isto tanto é verdade numa situação pontual como a longo prazo. Numa situação pontual, sabe-se que o álcool a mais pode levar à falta da erecção do homem e à ausência da lubrificação da mulher, tornando difícil ou impossível o coito. A longo prazo, em particular em indivíduos alcoólicos, a tendência é para que estes problemas se tornem permanentes.
Por todos estes motivos, torna-se adequado relembrar aqui uma máxima do saudoso programa televisivo ‘O Tal Canal’: ‘Se fizer amor, não beba.’ Ou beba com moderação.