Maria Irene Antunes Mendes
Activa
Aos 49 anos, a energia de Maria Irene é inesgotável. Assistiu à criação do Horizonte – Centro de Reabilitação Psicossocial, em 1998, e não pensa desistir tão cedo desta missão que entrou por acaso no seu destino.
Para além de ocupar o cargo de directora da instituição, uma residência destinada a acolher doentes mentais, passa duas noites por mês com os residentes. "Temos de ser muito carinhosos com eles e, sobretudo, temos de saber brincar com as situações. Se, por exemplo, no Natal a família não os vem visitar, temos de estar cá para aliviar a situação e compensá-los emocionalmente. Lembro-me de, há dois anos, ter ido passear com quatro residentes por Lisboa durante o dia de Natal para eles se distraírem e não sentirem o abandono. O fundamental é termos muito humor, sermos afectuosos e sabermos cativá-los." Com 20, 30, 40 ou 50 anos, os residentes da casa do Centro Horizonte perderam o equilíbrio mental a uma dada altura da vida.
"Um doente mental não se cura, estabiliza-se", explica Maria Irene, que conseguiu motivar os utentes da casa a encontrar ocupações profissionais e a manterem um contacto saudável com o mundo exterior. Um utente é cozinheiro de um restaurante, outro trabalha no arquivo de uma paróquia, outro ainda é actor do Grupo de Teatro do Júlio de Matos. Na casa, os utentes têm o apoio de profissionais de várias áreas.
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