As moratórias. Muito provavelmente, a medida mais importante tomada pelos nossos governantes para ajudar as famílias portuguesas que têm créditos habitação a superarem esta dificuldade que estamos todos a atravessar. Uma medida que, em junho deste ano, atingia os mais de 322 mil contratos de financiamento – isto quer dizer que muito mais de 322 mil imóveis estão hipotecados e os seus contratos estão com o efeito moratória.

Não esquecer que esta medida foi apresentada em março de 2020 e nenhum de nós sabia o que nos esperava; tudo era uma incógnita. Nem nós, nem os Bancos – e penso que, na verdade, nem o Governo sabia o que vinha a caminho. Em março era apenas uma decisão impulsiva de medo e preocupação ou, em contraponto, desleixo de despreocupação, muito característico do povo português. No futuro veremos quem tomou a melhor decisão: moratórias sim ou não?

As moratórias têm efeito de duas maneiras possíveis no período estipulado: pagar apenas juros e a não amortização de capital ou não pagar nem juros, nem capital.

Na minha opinião, para conseguir fazer uma análise mais cuidada, temos de juntar a esta equação outros fatores como, por exemplo, o desemprego – porque, como já sabemos, e por experiência de um passado não muito longínquo, o desemprego gera menos dinheiro e, consequentemente, menos capacidade para que cada individuo possa fazer face às suas obrigações –, relembrando que, no pico da crise anterior, era de mais de 16%. Para quem estava no ativo nesse momento, sabemos bem o que este número representou:

– Descida violenta do preço dos imóveis;
– Diminuição histórica do número de transações imobiliárias;
– Incumprimento aos financiamentos com valores recorde;
– Número de imóveis entregues por incumprimento aos bancos: às centenas, diariamente.

Este era o efeito catastrófico de vários fatores – e que muito vinha da quantidade de pessoas que estavam no desemprego – que, como é óbvio, não podiam pagar as suas prestações. Para já a nossa taxa de desemprego está aproximadamente nos 8% e, no final do ano passado, encontrava-se aproximadamente nos 6,5%. A subida deu-se claramente a partir de Março de 2020. Concluímos que o desemprego está a subir com o efeito da pandemia.

Se juntarmos a estes fatores os últimos resultados publicados pelo INE, sobre o número de transações imobiliárias e sobre os preços, podemos concluir que, na perspetiva de preço habitação em Portugal, a tendência continua em crescimento – ou seja, o preço dos imóveis continua a aumentar. Mas em contraciclo, o número de transações está claramente a diminuir. Segundo a mesma entidade, houve uma redução de 15% do número de imóveis transacionados.

Nesta fase de mercado, o que nos é apresentado são valores a subir e número de casas vendidas a diminuir. As moratórias estão a ter um impacto fundamental nestes dados porque se as famílias se encontram aparentemente confortáveis sem pagar as suas prestações, quer seja na totalidade ou parcialmente, não estão a colocar os imóveis em venda. E mesmo que comecem a apresentar dificuldades financeiras, a habitação é a última coisa que deixam para trás. Portanto, neste fator, as moratórias têm um impacto muito significativo.

Construindo um cenário hipotético, onde no seio de uma família, um dos elementos fica desempregado e o outro continua a trabalhar, têm o seu crédito habitação em moratória logo não têm o encargo mensal da casa. Se existe dinheiro para alimentação e outras despesas, então porque se vai desfazer do seu bem mais valioso? Quem está no mercado diariamente sente que estamos num momento de falsa sensação de segurança. Como não têm a sua principal prestação para pagar, as pessoas sentem-se seguras para continuar a sua vida de forma normal, tal como antes da pandemia – como, por exemplo, não prescindirem de ir de férias e outras atividades que acabaram por animar a economia momentaneamente.

Analisando estes pormenores, entende-se que as moratórias são um dos fatores principais que estão a segurar um crash nacional. Se não há imóveis para vender, os preços têm de subir. Mas há outros fatores como, por exemplo, a liquidez dos investidores que, ao longo dos últimos anos, conseguiram uma enorme fluidez financeira e neste momento continuam a investir.

Prevê-se que as moratórias terminem em setembro de 2021. A questão que se coloca é: não será esse o pico do desemprego provocado pela pandemia?

Há uns anos, muito se falou em “apertar o cinto”, porque não existia liquidez. Atualmente, podemos começar a repetir esta frase com um tom igualmente alarmante. Senhores passageiros, apertem os cintos porque a viagem está prestes a começar!

Palavras-chave

Relacionados

Mais no portal

Mais Notícias

De Zeca Afonso a Adriano Correia de Oliveira. O papel da música de intervenção na revolução de 1974

De Zeca Afonso a Adriano Correia de Oliveira. O papel da música de intervenção na revolução de 1974

25 peças para receber a primavera em casa

25 peças para receber a primavera em casa

O que os cientistas descobriram ao

O que os cientistas descobriram ao "ressuscitar" o vírus da gripe espanhola

Stella McCartney: designer distinguida na Nat Gala

Stella McCartney: designer distinguida na Nat Gala

Pigmentarium: perfumaria de nicho inspirada na herança cultural da República Checa

Pigmentarium: perfumaria de nicho inspirada na herança cultural da República Checa

Recorde as melhores imagens da XXIX Gala dos Globos de Ouro

Recorde as melhores imagens da XXIX Gala dos Globos de Ouro

Pode a Inteligência Artificial curar o cancro?

Pode a Inteligência Artificial curar o cancro?

2 de novembro é que é Dia de Finados - mas porque há tanta confusão com esta data?

2 de novembro é que é Dia de Finados - mas porque há tanta confusão com esta data?

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem

Infeções respiratórias como Covid ou a gripe podem "acordar" células cancerígenas adormecidas nos pulmões

Moda:

Moda: "Look" festivaleiro

Reino Unido junta-se a França para investir na rival europeia da Starlink

Reino Unido junta-se a França para investir na rival europeia da Starlink

Familiares e amigos despedem-se de João Lobo Antunes

Familiares e amigos despedem-se de João Lobo Antunes

Samsung vai lançar smartphone dobrável tríptico até final do ano

Samsung vai lançar smartphone dobrável tríptico até final do ano

Vídeo: A festa final de 'Miúdos a Votos'

Vídeo: A festa final de 'Miúdos a Votos'

Cartoon: Um Simbalino à Sexta, por José António Fundo

Cartoon: Um Simbalino à Sexta, por José António Fundo

Conheça Cândida, a concorrente mais ousada de

Conheça Cândida, a concorrente mais ousada de "Hell's Kitchen"

Salgueiro Maia, o herói a contragosto

Salgueiro Maia, o herói a contragosto

Vendas da Tesla na Europa estão em queda

Vendas da Tesla na Europa estão em queda

O que leva um trabalhador quando sai de uma empresa e porque isso pode representar um problema

O que leva um trabalhador quando sai de uma empresa e porque isso pode representar um problema

O futuro começou esta noite. Como foi preparado o 25 de Abril

O futuro começou esta noite. Como foi preparado o 25 de Abril

Dia da Criança: 5 sugestões para te divertires

Dia da Criança: 5 sugestões para te divertires

Em noite de glamour, saiba quem foram os casais que marcaram presença nesta edição dos Globos de Ouro

Em noite de glamour, saiba quem foram os casais que marcaram presença nesta edição dos Globos de Ouro

Keep the coins, I want change: um mapa para a sustentabilidade empresarial em 2025

Keep the coins, I want change: um mapa para a sustentabilidade empresarial em 2025

Segway apresenta série de trotinetes elétricas Ninebot E3

Segway apresenta série de trotinetes elétricas Ninebot E3

Um viva aos curiosos! David Fonseca na capa da PRIMA

Um viva aos curiosos! David Fonseca na capa da PRIMA

Descobrir o Porto, da Sé até à Ribeira com Germano Silva

Descobrir o Porto, da Sé até à Ribeira com Germano Silva

Tesla entregou menos carros no segundo trimestre do ano

Tesla entregou menos carros no segundo trimestre do ano

E se os refugiados do clima formos nós?

E se os refugiados do clima formos nós?

CARAS Decoração: 10 espreguiçadeiras para aproveitar o bom tempo

CARAS Decoração: 10 espreguiçadeiras para aproveitar o bom tempo

Antecipar o futuro: a visão da WTW sobre os riscos emergentes

Antecipar o futuro: a visão da WTW sobre os riscos emergentes

Na CARAS desta semana - Edição especial viagens: Os melhores destinos para umas férias de sonho em hotéis e

Na CARAS desta semana - Edição especial viagens: Os melhores destinos para umas férias de sonho em hotéis e "resorts" de Portugal

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1754

A VISÃO Se7e desta semana – edição 1754

Vasco Futscher - O mundo inteiro em cada forma

Vasco Futscher - O mundo inteiro em cada forma

Banda Desenhada: O grande encontro na Amadora

Banda Desenhada: O grande encontro na Amadora

Da Varanda ao Jardim: Viva o Exterior com a Nova Coleção JYSK

Da Varanda ao Jardim: Viva o Exterior com a Nova Coleção JYSK

Indeed e Glassdoor vão despedir 1300 trabalhadores

Indeed e Glassdoor vão despedir 1300 trabalhadores

Bárbara Bandeira na cama: Ousadia e muita sensualidade!

Bárbara Bandeira na cama: Ousadia e muita sensualidade!

Jéssica Nogueira arrasa nas redes sociais com vídeo ousado

Jéssica Nogueira arrasa nas redes sociais com vídeo ousado

Portugália Belém reabre renovada em ano de centenário

Portugália Belém reabre renovada em ano de centenário

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Fotografia: Os tigres de Maria da Luz

Parque Marinho Luiz Saldanha: Um mar abençoado, nas palavras e imagens do multipremiado fotógrafo Luís Quinta

Parque Marinho Luiz Saldanha: Um mar abençoado, nas palavras e imagens do multipremiado fotógrafo Luís Quinta

A fruta comum que têm mais de 1600 elementos e que os cientistas querem ver reconhecida como

A fruta comum que têm mais de 1600 elementos e que os cientistas querem ver reconhecida como "superalimento"

Deus, intuição e Rock and Roll

Deus, intuição e Rock and Roll

A Sagração da Primavera - Quando a morte é também fonte de vida

A Sagração da Primavera - Quando a morte é também fonte de vida

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias

Oficinas de verão onde a criatividade não tira férias