Kat Herron tem 33 anos e tem uma carreira que já soma vários sucessos. Depois de ter sido eleita pela revista Forbes como uma jovem promessa e de ter sido muito elogiada pelo trabalho feito na série da Netflix “Sex Education”, é agora aplaudida pelo trabalho que fez na realização de “Loki”, série da Disney +.

A Activa.pt participou numa conversa com Kat Herron, que partilhou um pouco de como foi abraçar um projeto que conquistou tanto a crítica como os fãs.

Terminado este trabalho e já com todos os episódios disponíveis para toda a gente ver, como está a ser assistir à reação do público?

Está a ser incrível. Fiquei muito satisfeita por termos conseguido manter todas as surpresas até ao final, sem nada ir para à internet antes. Sinto que isso foi um milagre (risos)! O que acontece nesta série tem um grande impacto em todo o Universo da Marvel (franquia composta por filmes e séries da Marvel). É tão entusiasmante ver as reações dos fãs. Há muito amor por esta série. Isso é delicioso.

Qual é a essência de Loki?

Diria independência, autoridade e estilo. Há uma certa malícia, mas está misturada com o sentimento de se ser alguém que não pertence a nenhum lugar. Podemos dizer muito sobre esta personagem, mas acho que a ideia chave é a de que Loki sobrevive sempre. Para mim, foi sempre importante captar isso. 

Como é possível que uma personagem que há 10 anos era apresentada como um vilão seja agora a protagonista de uma série?

Para mim é algo entusiasmante! Loki teve das melhores evoluções do Universo Cinematográfico da Marvel, passou de vilão para anti-herói. E isso foi feito de forma subtil, nada foi abrupto. Tornou-se numa personagem com muitos fãs e o nosso desafio nesta série foi colocá-lo num novo espaço, com novos desafios, e mantê-lo coerente, mantendo a evolução. 

Qual a cena da série de que mais se orgulha?

É difícil responder a isso. Há tantas cenas que adorei fazer. Mas se tiver de escolher apenas uma, terá de ser o grande confronto final. Foi um momento difícil de construir e foi feito com um grande trabalho de equipa. Conseguimos que chegasse como queríamos ao público e que fosse muito emocionante. 

Como foi trabalhar com o Tom Hiddleston, que já interpreta esta personagem há vários anos?

Foi uma grande honra, é um ator muito generoso. Recordo que quando o conheci falámos da personagem, perguntei-lhe por sugestões sobre formas de explorarmos o Loki, contei-lhe sobre o que me entusiasmava nesta história que íamos contar, o que me ligava a ela. Senti que tinhamos os dois o mesmo objetivo desde o início, de mostrar que esta é uma história sobre amor-próprio. Depois disso construímos uma forte relação de confiança entre realizador e ator. Conversámos muito ao longo das gravações, ele dava muitas sugestões pertinentes e aceitava bem qualquer decisão que eu tomava. Ele foi ótimo durante todo o processo. Chegava ao estúdio e animava toda a gente. Tem um ótimo espírito e transmite sempre uma grande alegria. 

Como foi integrar o Owen Wilson neste projeto, tendo em conta que nunca o vimos a fazer nada deste género na sua carreira?

Ele é muito divertido. Gosto muito do trabalho dele enquanto ator e escritor. Foi entusiasmante vê-lo empenhado a fazer algo que não lhe é comum ou esperado. Aceitou bem as mudanças de visual, até mesmo o bigode que lhe demos. Ele foi fantástico e tinha uma energia que completava muito bem a do Tom Hiddleston. 

Na série é apresentando o conceito de Variantes. O próprio Loki tem algumas. De todas estas figuras que derivam do protagonista, qual é a sua preferida?

É complicado responder, pois sinto que todas são mnhas filhas. Mas talvez o Loki criança, o Loki crocodilo e o Loki clássico. Adorava ver uma série com essas personagens. Têm uma dinâmica tão divertida! Acredito que ia resultar bem numa história à parte. 

Existem atualmente algumas vozes que dizem que os filmes da Marvel não têm tanto espaço criativo como o que está a ser dado às séries deste universo cinematográfico. Concorda?

Honestamente, não. Exemplo disso é o que o James Gunn fez com “Guardiões da Galáxia”. Tudo depende da visão do realizador e da história que está a ser contada. O que acontece é que nas séries conseguimos trabalhar melhor as personagens. Há mais tempo. Logo conseguimos explorar outras vertentes da personalidade de Loki que não tinham surgido nos filmes, por exemplo. 

Estava habituada a fazer televisão britânica, que é muito diferente deste conceito épico de super-heróis. Foi difícil adaptar a visão para este projeto?

Sempre foi uma área onde quis trabalhar. Adora ficção científica, ação e a Marvel, portanto não sinto que tenha precisado fazer uma adaptação. Estava tão feliz por esta oportunidade que quis provar que era capaz. Além disso, trabalhei com a equipa certa. Tive uma equipa fantástica ao meu lado e senti que estava a trabalhar com os melhores entre os melhores. 

Acredita que uma mulher ter sido escolhida para realizar “Loki” pode ser mais um passo na direção da igualdade de género na indústria?

 Sim, claramente! Felizmente em “Loki” tivemos praticamente 50/50 de homens e mulheres nos diferentes departamentos. Há muitas mulheres a trabalhar nos bastidores desta série. Sinto que, felizmente, as coisas estão a mudar nesta área.

Sendo tão entusiasta por este projeto, por que motivo não vai ser a realizadora da próxima temporada?

Falou-se na segunda temporada enquanto estávamos a fazer a primeira. Mas havia uma voz na minha cabeça que apenas estava focada nestes seis episódios que estavam programados. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz, mas tenho outros planos que também me são queridos e nos quais me quero agora dedicar. Quero focar-me na escrita desses novos projetos. Mas fiquei muito feliz por saber que “Loki” vai continuar e estou curiosa para ver onde esta história vai parar. 

Todos os episódios da série “Loki” estão atualmente disponíveis na plataforma de streaming Disney +. 

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