Beatriz e Mário – 1 filho, Fertilização in Vitro (FIV)

“Se querem muito, não desistam sem saberem que deram o melhor que conseguiram”

“Decidimos em 2014 que queríamos ser pais. Na altura, vivíamos e trabalhávamos em Moçambique. Eu tinha 28, o meu marido 27, e para ambos seria o primeiro filho. Sempre fomos saudáveis, sempre fui acompanhada a nível ginecológico e estava tudo bem. Depois de 1 ano de tentativas, procurámos ajuda. Não foi identificada nenhuma causa e passei por 13 médicos diferentes, em Portugal, Moçambique e África do Sul. Do lado do meu marido nunca se encontrou questão nenhuma. Do meu lado, descobriu-se mais tarde uma questão de baixa reserva ovárica, apesar da idade, mas eu ovulava, pelo que não devia ser essa a causa. Avançámos para a FIV, primeiro na África do Sul, mas não resultou. Já em Portugal, repetimos a FIV, e na terceira transferência de 2 embriões resultou o nosso filho, atualmente com 5 anos. 
Para conseguir a primeira gravidez bem sucedida, gastámos cerca de 20 mil euros. Há cinco anos que tentamos ter o segundo filho. Descobri entretanto uma endometriose, à qual fui operada. Acredito profundamente que foi resultado de todos os tratamentos.
O mais difícil em todo o processo é o tempo, o mês a mês, os negativos, lidar com a incerteza e com a perda do ‘número’ em cada tratamento – começar sempre com um número até relativamente bom de folículos, até chegar a muito poucos embriões. E se da primeira vez senti isso, agora ainda mais – aos 36 anos, tenho muito menos óvulos e resposta ovárica aos tratamentos. Sempre pensámos que a ovodoação seria uma fase para a qual não queríamos ir.
Passou-nos pela cabeça desistir. É exatamente nesta fase que estamos com o segundo, já com um processo de adoção também a decorrer.
O conselho que daria a outros casais que não conseguem engravidar de forma natural? Se querem muito, não desistam sem saberem que deram o melhor que conseguiram. A forma como vemos os tratamentos de PMA pode prejudicar a nossa entrega a este novo percurso. O que importa é que o vosso filho resulte do vosso amor, que pode manifestar-se numa noite de sexo, num tratamento ou numa adoção. Ainda assim, é amor.”

Luísa e Duarte – 1 filho, Inseminação Intrauterina (IIU) com doação de gâmetas

“Felizmente, conseguimos o positivo na primeira tentativa”

“Tomámos a decisão de ter filhos em 2016, mas só dois anos depois, com uma vida profissional mais estável, decidimos avançar. Eu tinha 27, ele 30. Quando tomámos a decisão, fiz logo consulta, um check up, para saber se estava tudo bem comigo. Aparentava estar tudo ok, mas seis meses depois regressámos ao médico. Fizemos controlo ecográfico durante dois meses e, apesar de estar com ciclos regulares, não estava a ovular. Durante os 3 meses seguintes fizemos indução de ovulação com comprimidos e injeção. Seguiram-se mais exames: eu fiz uma histerossalpingografia (raio X ao útero e trompas de Falópio) e o meu marido uma ecografia escrotal e um espermograma, e infelizmente foi neste último exame que soubemos que algo se passava com o meu marido. O médico sugeriu que fôssemos seguidos numa clínica especializada, para conhecermos melhor as nossas opções. 
Em 2019, inscrevemo-nos no público, mas demos também seguimento ao processo no privado. Disseram-nos que seria muito difícil engravidar naturalmente, mas que havia a opção de um procedimento: colectar espermatozoides diretamente da fonte. A alternativa era considerar um dador de gâmetas. O Duarte tinha receio de efetuar exames mais invasivos sem certezas de viabilidade. Como queríamos bastante ser pais, naturalmente começámos a falar na possibilidade de recorrer a um doador. Não foi uma conversa fácil, mas acabámos por tomar juntos essa decisão, e foi a melhor decisão.
Fizemos IIU com dador. Felizmente, conseguimos o positivo na primeira tentativa. Hoje, temos um filho com dois anos. A maior parte da família esteve sempre presente em todo o processo, até porque sempre souberam do nosso desejo de ter filhos. Sempre falámos abertamente sobre o que estávamos a passar, também para que não estivessem sempre a pressionar. Só a parte do dador é que decidimos guardar para nós.”

Carla e Andreia – 1 filha, método ROPA

Não se isolem enquanto fazem os tratamentos, é muito importante ter bons amigos, com quem possam conversar e relaxar

“Eu tinha 31 e a Andreia 26 anos e era o primeiro filho e neto para ambos os lados.Não sabemos dizer em concreto quando tomámos a decisão, mas avançámos com o projeto no verão de 2019. Eu, Carla, sempre tive o sonho de engravidar, gostava de poder passar por essa experiência, e a Andreia desde sempre sonhou em ser mãe mas não queria passar por uma gravidez. O fator idade também pesou: sendo a Andreia mais nova, os ovócitos dela seriam melhores.
O único tratamento que fizemos foi o método ROPA (a Andreia doou o ovócito e eu engravidei). Teria que ser uma FIV, uma inseminação estava fora de equação porque tenho as trompas obstruídas. A nossa primeira opção foi o público, mas depois fomos informadas de que seria no mínimo dois anos de espera para podermos ter um dador, e decidimos pelo privado.O fator financeiro pesou imenso e temos de agradecer à nossa família que contribuiu com algum dinheiro para a medicação.
Começámos o processo na Procriar no final de outubro de 2019 e tivemos o nosso positivo no início de fevereiro de 2020 – antes tivemos uma gravidez bioquímica. A nossa Lea nasceu em setembro de 2020. A família soube desde o início. A reação foi muito positiva, mas ao mesmo tempo ficaram reticentes de como funcionaria e se realmente iríamos conseguir ‘engravidar assim, através da ciência’, como diziam.
Acho que nunca nos vamos esquecer do momento em que soubemos do positivo, nem onde estávamos. Vamos recorrer em breve à Procriação Medicamente Assistida porque queremos dar um mano ou mana à nossa Lea e ainda temos 2 embriões na Procriar.
O maior conselho que podemos dar é que não desistam dos seus sonhos, apesar de toda a ansiedade e dificuldade, no fim vale a pena quando temos o nosso filho nos braços. E não se isolem enquanto fazem os tratamentos, é muito importante ter bons amigos, com quem possam conversar e relaxar. E acreditem sempre, pensamento positivo ajuda sempre.”

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