
Importância da contraceção para a mulher
A possibilidade de ter acesso e utilizar métodos eficazes e com boa efetividade para a contraceção, enaltece a qualidade de vida das mulheres e consequentemente das sociedades, tendo em conta a influência atual relevante do género feminino no contexto social. A mulher nos países considerados desenvolvidos, é social e economicamente ativa, de tal forma que a globalização é uma realidade sobretudo como resultado da transformação das mulheres em parceiros ativos. Sendo o pilar da família e esta a unidade motora das sociedades, planear o número de filhos e a altura ideal da maternidade é essencial.
A evolução da contraceção é um dos feitos mais notórios na saúde da mulher, e particularmente em Portugal desde os primórdios houve uma excelente sensibilidade para disponibilizar informação, educação, aconselhamento, acessos e facilidade na utilização dos métodos contracetivos e existem no nosso país os métodos mais sofisticados para contraceção com uma extraordinária benevolência (gratuitos nas instituições púbicas e comparticipados). Portanto as condições para a utilização em número significativo dos métodos contracetivos por parte das mulheres em Portugal são excecionais.
A contraceção de longa duração veio “revolucionar” a vida da mulher jovem
A contraceção intrauterina (o dispositivo intrauterino) é considerada como a melhor vertente em termos de custo/efetividade: eficácia comparável à contraceção cirúrgica (sem necessidade de recorrer a anestesia e cirurgia com os respetivos risco inerentes), reversível (em qualquer altura, é removida e rapidamente regressa a fertilidade da mulher) e altamente satisfatória para a mulher, com boa aderência (a maioria das mulheres utilizam durante muito tempo a contraceção intrauterina e repete o mesmo método). Nos países nórdicos e no centro da Europa, 20% das mulheres em idade reprodutiva escolhem a contraceção intrauterina; na China 40% das mulheres em idade reprodutiva utilização contraceção intrauterina.
Nas mulheres mais novas (adolescentes, nulíparas ou nuligrávidas), durante algum tempo, houve receios e dúvidas sobre a utilização da contraceção intrauterina, mas atualmente as evidências clínicas superam as dúvidas e não existe nenhuma contraindicação no aconselhamento da contraceção intrauterina neste grupo etário. Tendo em conta as premissas anteriores, se necessitarmos duma contraceção eficaz e sustentada deve ser equacionada a contraceção intrauterina.
Prós e contras
Prós – eficácia; efetividade; sustentabilidade; satisfação das mulheres de tal forma que voltam a utilizar este método de contraceção; os dispositivos intrauterinos mais modernos permitem a libertação de hormonas intrauterinas com efeitos essencialmente locais e com vantagens relevantes no controlo da dor menstrual, dor pélvica e redução acentuada das perdas menstruais.
Contras – não devemos referir contras, mas sim mitos e precauções. Mitos: são dos profissionais de saúde (alguns) e das utentes; ainda existe o receio mal fundamentado da utilização dum dispositivo intrauterino, “ter um corpo estranho, sentir os fios, o meu marido sente o aparelho, és muito nova para colocar um aparelho, ele pode deslocar-se, origina dores…” Precauções: esclarecer a utente que vai utilizar o dispositivo, estar sempre disponível para informar e elucidar as dúvidas que surgem após a colocação do dispositivo, monitorizar regularmente o método (pelo menos uma vez por ano), elucidar que os grandes riscos são raros e podem ser minimizados (gravidez ectópica; infeção pélvica); sobretudo e como tudo na área da contraceção, estar disponível para facilitar que a utente utilize corretamente, e por muito mais tempo, o método. As utentes devem ser orientadas por instituições e profissionais com experiência em contraceção intrauterina.